"Como Treinar Seu Dragão 3" finaliza uma das mais legais trilogias

Animação conclui com maestria a jornada de Soluço e Banguela

Publicado em 15/01/2019 às 20h46

Soluço, Banguela e a Fúria da Luz
Foto:Universal/Divulgação
Soluço, Banguela e a Fúria da Luz

Para atravessar os tempos em boa forma, uma franquia precisa fazer escolhas: envelhecer os personagens e seus dilemas ao longo dos anos, algo que “Harry Potter”, por exemplo, faz com maestria, ou apostar no “efeito Peter Pan” e manter seus protagonistas sempre jovens, mudando apenas (e somente às vezes) a estrutura da narrativa.

Seria fácil para “Como Treinar Seu Dragão” apostar na segunda, afinal trata-se de uma franquia animada, que não teria que se preocupar com atores envelhecendo, mas a saída mais fácil nem sempre é a mais interessante – a franquia se afastou dos livros de Cressida Cowell e agora trabalha com suas próprias regras.

Desde o primeiro filme, em 2010, “Como Treinar Seu Dragão” se preocupa em desenvolver seus personagens e o relacionamento entre eles. Faz tempo que os vikings descobriram a existência dos dragões e como coexistir com as feras que tanto temiam. O antes adolescente e desastrado Soluço (Jay Baruchel) se transformou em um grande e respeitado líder – sempre com Banguela, o último Fúria da Noite, ao seu lado.

“Como Treinar Seu Dragão 3” é dirigido por Dean DeBlois, que comandou os dois primeiros, e tem início um ano após os acontecimentos do segundo filme. Soluço transformou Berk, o vilarejo viking, em uma espécie de porto seguro onde dragões e humanos convivem em harmonia. Ao lado de sua mãe, Valka (Cate Blanchett), ele agora trabalha para resgatar dragões perdidos e, em uma dessas missões de resgate, eles se deparam com uma Fúria da Luz, uma espécie rara e que, claro, logo desperta o interesse de Banguela.

Grimmel, o vilão da vez, é um sujeito pronto para enclausurar todos os dragões e acabar com tudo que Soluço lutou para construir e em que acredita. Por isso o herói e os vikings precisam encontrar o mundo perdido, o paraíso dos dragões, para que todos fiquem em segurança.

MIX DE ELEMENTOS

Levando em consideração que oito anos se passaram desde o primeiro filme, Dean DeBlois cria uma aventura para todas as idades. Os mais novos vão se divertir com as peripécias de Banguela e com o humor físico que a animação permite. Para os mais crescidos, porém, ficam as questões de amadurecimento de Soluço, que precisa mostrar mais uma vez que é um líder ao mesmo tempo em que se aprofunda em seu relacionamento com Astrid. Tudo isso embalado com cenários incríveis, muitas cores e divertidas sequências de ação.

“Como Treinar Seu Dragão” nunca foi uma franquia voltada para o público adulto, mas tampouco se privou de tratar temas sérios como relações familiares, discriminação e violência – o protagonista, afinal, perde a perna ao final do primeiro filme.

Como Treinar Seu Dragão
Foto:Universal Pictures/Divulgação
Como Treinar Seu Dragão

A conclusão do arco de histórias de Soluço e Banguela funciona bem e emociona, mas não fecha as portas para, caso os produtores queiram, continuações ou produtos derivados. “Como Treinar Seu Dragão 3” é quase como uma passagem de bastão. O filme amplia os horizontes da série e introduz novos personagens e ambientes.

Se for o fim, a conclusão é perfeita – acompanhamos a jornada de amadurecimento de um jovem inseguro até ele se tornar um lider. Ao fim, “Como Treinar Seu Dragão”, a trilogia, é uma das mais honestas e divertidas aventuras da última década.

 

 

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