Crítica: "Aranhaverso" é o melhor filme do Homem-Aranha

"Homem-Aranha no Aranhaverso" leva para as telas elementos das histórias em quadrinhos para criar um filme único

Publicado em 10/01/2019 às 15h10

Atualizado em 10/01/2019 às 20h00

Homem-Aranha no Aranhaverso
Foto:Divulgação
Homem-Aranha no Aranhaverso

Aos desavisados, uma notícia bombástica: Peter Parker já não é mais o (único) Homem-Aranha! Criado em 2011 pelo roteirista Brian Michael Bendis e pela desenhista Sara Pichelli para o universo Ultimate da Marvel, o jovem Miles Morales, um negro de ascendência latina, assume a máscara do herói após a morte de Parker, ao menos em sua realidade.

Em “Homem-Aranha no Aranhaverso”, que estreia hoje nos cinemas, os universos se encontram em uma aventura psicodélica, divertida e acima de tudo única – talvez a melhor e mais original do(s) Aranha(s) desde que Sam Raimi imprimiu sua assinatura ao herói no início dos anos 2000.

Dirigido por Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman, e produzido e roteirizado por Phil Lord (“Uma Aventura Lego”), “Aranhaverso” é sobre Miles Morales, um jovem americano comum que, quem diria, é picado por uma aranha radioativa e vê sua vida se transformar: ele ganha poderes e acaba assistindo ao Homem-Aranha de sua realidade morrer ao desligar o aparelho que abre o multiverso. O aparelho é desligado, mas não impede que outros “aranhas” sejam transportados para o universo de Miles.

Homem-Aranha no Aranhaverso
Foto:Sony Pictures Animation
Homem-Aranha no Aranhaverso

O jovem então se depara com um Peter Parker acima do peso e desmotivado e algumas versões “diferentes” do herói, inclusive uma Gwen Stacy, ou melhor, Gwen-Aranha (Hallee Steinfeld). O trio logo ganha a companhia do Homem-Aranha Noir (Nicolas Cage), da oriental Peni Parker (Klmlko Glenn), e do inusitado Porco-Aranha (John Mulaney). Juntos, eles têm que devolver cada um a seu devido universo, mas, para isso, Miles precisa aprender a ser um herói e lidar com alguns vilões no meio do caminho.

EXPECTATIVAS

Ao contrário dos outros filmes do herói, que mergulham na “responsabilidade”, “Aranhaverso” é sobre expectativas – Miles não sabe o que esperar de uma vida como herói, enquanto Peter B. Parker (o Peter da outra dimensão), um herói cansado da tal responsabilidade, não está sabendo lidar com o que o futuro lhe reserva, a paternidade, ou melhor, do que esperam dele com a vindoura paternidade.

Homem-Aranha no Aranhaverso
Foto:Sony Pictures Animation
Homem-Aranha no Aranhaverso

A dinâmica da relação entre eles acaba se tornando o centro do filme. O interessante é que o roteiro gasta tempo na construção dessa relação e no aprendizado de Miles. Peter, claramente cansado e sem paciência, tem que aprender não a ser uma figura paterna, mas um espelho para alguém.

“Aranhaverso” pode até parecer confuso, mas qualquer fã de quadrinho já está mais do que acostumado com os universos múltiplos. Além disso, a narrativa do filme, apresentando brevemente cada personagem, deixa tudo embalado para consumo.

O filme subverte diversos elementos já conhecidos do personagem e brinca com suas outras encarnações. A boa sacada é misturar elementos dos universos de todos os personagens centrais para criar um universo único – maravilhado, o espectador se vê diante de um espetáculo visual que mistura animação 3D com técnicas mais convencionais.

Falando em tecnicidades, “Aranhaverso” faz uso de um recurso interessante: enquanto a animação corre em 24 quadros por segundo, tanto Miles quanto Peter “se movem” a 12 quadros por segundos, em quadros distintos. Por mais que pareça detalhe, isso confere ao filme e aos personagens uma agilidade visual incrível.

Homem-Aranha no Aranhaverso
Foto:Sony Pictures Animation
Homem-Aranha no Aranhaverso

Junte-se isso às cores, ao ótimo design de produção, a um ótimo vilão e aos recursos possíveis em uma animação e temos um dos melhores filmes de super-herói já realizados.

O texto desenvolve bem cada Aranha e leva a mensagem de que, na verdade, qualquer um pode ser um herói; a máscara é um detalhe. O roteiro também faz um bom papel com o Rei do Crime e os outros vilões, que mesmo não tão bem trabalhados quanto os protagonistas, despertam no espectador o desejo de passar mais tempo com os personagens.

“Homem-Aranha no Aranhaverso” inova em um gênero (e um personagem) saturado, e só por isso já mereceria ser visto. Mas a verdade é que se trata de um ótimo filme capaz de agradar tanto os mais jovens, com a jornada de Miles, quanto os quarentões, com o Peter em crise de meia idade.

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