"Titãs" estreia em série com todos vícios do universo DC nos cinemas

Série chega sexta-feira (11) à Netflix e abusa do tom sombrio dos filmes da DC na telona

Publicado em 10/01/2019 às 18h07

Atualizado em 10/01/2019 às 18h25

Titãs
Foto:Divulgação | Netflix
Titãs

Criado por Bob Haney e Bruno Premiani em 1964, o Novos Titãs foi um grupo que trazia em sua formação Robin, Aqualad e Kid Flash, respectivamente ajudantes de personagens clássicos como Batman, Aquaman e Flash – não demorou muito para a Moça-Maravilha (essa é fácil...) e o Ricardito (ajudante do Arqueiro Verde) se juntarem à equipe. Foi só nos anos 1980, porém, que a turma caiu nas graças do público durante uma reformulação e a primeira revista solo, “Os Novos Titãs”, desenhada pela lenda George Perez. A revista trazia a formação que consagrou a equipe: Robin, Estelar, Mutano e Ravena.

Décadas se passaram e novas histórias da equipe – umas boas e outra nem tanto – surgiram em quadrinhos, animações e agora na série “Titãs”, escolhida para inaugurar o serviço de streaming da DC Comics, o DC Universe, e que chega ao Brasil pela Netflix a partir de sexta-feira (11).

Em 11 episódios, a série mostra a origem da equipe com uma abordagem muito mais sombria do que a já vista nos quadrinhos e nas animações, o que remete imediatamente ao tom frio e opressivo de “Batman vs. Superman” (2016), de Zack Snyder.

O tom, em si, não é o problema, mas se torna algo negativo quando mal feito, como acontece em “Titãs”. Durante toda a primeira temporada, a série utiliza o recurso de reafirmar a cada segundo que é violenta e cheia de sangue. O problema é que isso destoa do roteiro, que não trabalha de forma natural tais recursos – o que faz lembrar, de certa forma, “Punho de Ferro”, o que nunca é bom.

Titãs
Foto:Divulgação | Netflix
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Outros problemas recorrentes são as cenas de ação e os efeitos visuais. As primeiras têm montagem problemática e sequências picotadas alternadas com planos detalhe, o que deixa a ação confusa. Já os efeitos parecem sido tirados de filmes B dos anos 2000 – dos poderes às transformações, passando pelo sangue digital, eles são capazes de despertar vergonha alheia, e o mesmo acontece com o figurino.

Os uniformes dos heróis parecem cosplays saídos de uma Comic Con, um problema recorrente nas séries da DC feitas para a TV aberta americana (“Flash”, “Arrow”, “Supergirl” e “Legends of Tomorrow”). O roteiro também é todo desconjuntado e se perde dentro de seus próprios caminhos sem nunca deixar claro qual a história que pretende contar.

A qualidade do roteiro afeta também nas atuações, pois com o material fornecido nem Daniel Day-Lewis conseguiria fazer milagre.

Um ponto a se destacar no texto é a maneira como ele trata os easter-eggs do universo DC, pois todas as referências a outros personagens fluem naturalmente como partes existentes de um universo, e não como apenas citações avulsas.

Mesmo com tantos problemas, a série possui um bom ritmo, o que faz alguns defeitos não pesarem ao ponto de tornar os episódios inassistíveis – algo que “Luke Cage”, por exemplo, não conseguiu fazer.

Em suma, “Titãs” reúne todos os defeitos já apresentados pela DC na TV e nos cinemas. Como já há uma segunda temporada confirmada, resta esperar e torcer por uma melhora e para que as próximas séries do DC Universe não sigam o mesmo caminho.

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