Circuito alternativo promove cultura e ocupação em Vitória

Casas como a Guava, em Jardim Camburi, e Oparque, no Centro, mostram que nem só de mainstream vive a cultura em Vitória

Publicado em 11/02/2019 às 10h30

Atualizado em 11/02/2019 às 10h32

Guava
Foto:Victória Dessaune/Divulgação
Guava

Longe dos shoppings e das tradicionais casas de shows com megaeventos, surgem em Vitória lugares menores, intimistas que têm como principal objetivo impulsionar os talentos capixabas. Artistas locais encontram nesses novos espaços alternativos um espaço para mostrarem seus trabalhos autorais.

Quem passa pela rua Sete de Setembro, no centro de Vitória, por exemplo, se depara com um casarão com paredes listradas com cores vibrantes. Ali funciona OPARQUE, uma casa que opera como uma plataforma que conecta criadores e inovadores. Juliana Lisboa e Juliana Colli idealizaram o conceito e agora, ao lado de outros quatro sócios, tocam o negócio criativo – gastronomia, design, fotografia, música, artes visuais, tudo reunido em um só lugar.

O casarão possui três andares que abrigam escritórios e salas de reuniões. No terceiro andar está o café com vista para o centro, que funciona de quarta a domingo. No mesmo pavimento está a torre, onde de vez em quando rolam residências artísticas. O recém-reformado quintal da casa recebe shows e atividades culturais.

“Primeiro criamos um estúdio de design em uma casa no Bairro República. Lá era como um ponto de encontro entre pessoas envolvidas com produções culturais. E nesses encontros surgiu a oportunidade de fazer eventos e parcerias. Aí surgiu OPARQUE, que primeiro funcionava nessa casa de 200 metros quadrados e agora, no Centro, são 800 metros quadrados”, explica Juliana Lisboa, uma das sócias.

De dezembro passado até o carnaval deste ano vários músicos capixabas passarem pelo palco da casa. Depois da temporada de folia, entram na agenda da casa atividades ligadas à parte criativa, como oficinas, residência artística, ocupações e exposições, além dos shows frequentes e do café.

CASA DE VÓ

Marilda Bomfim Dessaune Carlos é uma das moradoras mais antigas de Jardim Camburi. Em seu terreno existem duas casas. Há três anos, sua neta, a fotógrafa Victória Dessaune, decidiu montar sua empresa de branding na casa que estava sem moradores. Com o fim da empresa a casa se transformou na Guava, um lar para diversos profissionais culturais independentes.

oparque
Foto:Oparque/divulgação
oparque

O primeiro evento que aconteceu na casa foi o “Guavalajara”, com exposição, brechó e tatuagem. “Mas sentimos a necessidade de música no espaço. Eu participo de um programa da Rádio Universitária de música capixaba, tenho um projeto com música capixaba, então tudo se uniu. Não me sinto muito à vontade com cover. A música autoral tem mais a ver com o nosso objetivo.

E assim surgiu o ‘Guava Sessions’, apresentações de vários músicos locais em um mesmo dia com formato intimista”.

A casa abriga um ateliê de artes, sala de reunião e o ambiente onde os músicos se apresentam no “Guava Sessions”. O quintal é uma extensão da sala, e por ali os visitantes ficam à vontade.

Outro projeto musical do Guava é o Tropicana, um show acústico completo de um artista ou banda autoral. A casa também promove oficinas e cursos de arte. O próximo, uma oficina de Fotografia de Celular acontece no dia 13 de fevereiro. Mas será que a avó de Victória gosta dessa movimentação toda? Ela adora! Aliás, é uma das inscritas para esse curso.

“Acho que minha avó se sente bem ao ver a casa sendo usada para uma atividade legal. Jardim Camburi tem essa carência de projetos culturais, principalmente projetos autorais. Existe uma urgência de algum movimento desse tipo no bairro, principalmente por ser o mais populoso de Vitória. É um bairro autossuficiente que tem tudo e as pessoas não precisam sair daqui. Mas vemos várias coisas acontecendo no Centro e em Jardim da Penha e aqui ficava meio excluído de tudo”, diz Victória.

A casa funciona apenas com agendamento de horário e durante os eventos programados. O próximo “Guava Sessions” acontece no dia 17 de fevereiro com Fe Paschoal e a banda Mudo. No mesmo dia será aberta a exposição “Recorte Cósmico”, da Jazz Colagem e o tatuador Diogo Lopes trabalhará no esquema de “flash tattoo”.

OCUPAÇÃO

A cultura alternativa tem sido, inclusive, uma boa forma de ocupação de espaços antes abandonados na Capital. No Centro, por exemplo, eles têm sido fundamentais para a revitalização da vida cultural da região. Por lá, Ruy Perini decidiu investir em espaços que trouxessem de volta o movimento cultural que ele viveu na juventude pelas Rua Gama Rosa.

Em janeiro deste ano, ao lado do escritor Saulo Ribeiro, da Editora Cousa, ele abriu o Trapiche Gamão. Nas paredes, a exposição de “Azul d'accord”, de Gilbert Chaudanne; nas mesas, jogos de tabuleiro como xadrez e gamão que dividem espaço com delícias do Cousa Café Bar, da Editora Cousa que também funciona no local. O objetivo é transformar o local em ponto de encontros literários, sarau, exposições, cursos e apresentações.

“Hoje em dia a vida cultural ficou muito em shopping. As pessoas vão pra lá e ficam horas ali dentro. Hoje queremos levar a cultura de volta pro Centro, que é onde tudo começou. Acho importante esse resgate. Quando vim para Vitória estudar, em 1969, fiquei até 1982. Vivi o período do Britz, do Centro Cultural Carmélia, o movimento dos cinemas, o Cine Santa Cecília e o Odeon. Existia uma vida cultural muito boa. O Carmélia está lá meio abandonado, é uma ideia que eu gostaria de tentar mexer para revitalizar”, diz Ruy Perini que já reformou outras duas casas da região: onde funcionam hoje o Grappino Rango Bar e o Estúdio Circulus.

CRIAÇÃO

 

 

Em 2014, Heitor Righetti e Gil Mello criaram o selo musical Subtrópico. Em 2015, os dois foram morar em uma casa que logo abriu as portas para eventos culturais. A Casa Verde, na Rua Dionísio Rosendo, foi palco de inúmeros shows e até o Festival Casa Verde, evento que reuniu doze bandas do Espírito Santo e de fora do Estado.

Agora em um novo local e com uma estrutura ainda maior, eles continuam promovendo shows, oficinas, além da casa funcionar como home studio de Gil. “Esses espaços servem como gatilho pra quem trabalha com criação. Podemos explorar mais nossas habilidades. Escolher trabalhar com arte e cultura no Espírito Santo é difícil, mas essas casas culturais são lugares para ampliarmos nossos trabalhos e nos profissionalizarmos”, opina Heitor.

Também no Centro, a Casa da Gruta, devidamente localizada na região da Gruta da Onça, tem promovido eventos como o Dub Domingueira Ufodub, que chega à nona edição hoje com o melhor da música jamaicana. Por lá também são realizados eventos de música brasileira. É só ficar de olho na agenda.

Se quiser conhecer esses e outros lugares, mapeamos outros espaços que têm como prioridade jogar luz aos artistas autorais da terrinha.

Centro

OPARQUE

Rua Sete de Setembro, 493

O barcafé ABANCA funciona de quarta-feira a domingo, de 16h às 00h e o casarão abre para visitantes apenas nos eventos oficiais.

Editora Cousa

Rua Sete de Setembro, anexo ao Trapiche Gamão

Funciona de terça-feira a sábado das 14h às 21h.

Trapiche Gamão

Rua Gama Rosa, 236

Funciona de terça-feira a sábado das 14h às 21h.

Casa Verde

Rua Coutinho Mascarenhas, 55

A casa abre durante os eventos oficiais.

Casa da Gruta

Escadaria Cristóvão Colombo, 10, Centro, Vitória

A casa funciona

durante os eventos

lá promovidos.

jardim Camburi

Guava

Rua Orlando Caliman, 466A

Funciona com agendamento de horário para visitantes e durante os eventos oficiais.

praia do canto

don quixote

Avenida Rio Branco, 1083

Funciona de terça a sábado, de 17h às 22h.

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