Mariana Aydar retoma raiz forrozeira em novo projeto, "Veia Nordestina"

Cantora aposta no projeto "Veia Nordestina", em que resgata suas origens ligadas ao forró com o lançamento de quatro EPs ao longo do ano

Publicado em 15/04/2019 às 09h07

Foto: Autumn Sonnichsen/Divulgação
Mariana Aydar teve primeiro contato com o forró ainda aos 6 anos, quando conheceu a obra de Gonzagão

Quando completou 30 anos, a cantora Mariana Aydar achou que estava ficando velha. Hoje, prestes a completar 39, sente-se uma adolescente. Quem conta isso é a própria, que acaba de lançar o EP “Veia Nordestina (I)”, em que resgata suas origens ligadas à música nordestina, principalmente ao forró.

Lançado pelo selo Natura Musical, o EP é o primeiro de uma série de quatro a serem lançados até o final do ano, quando as obras pulverizadas formarão um disco físico. Os outros três devem entrar nas plataformas de streaming nos meses de junho, julho e outubro, segundo a cantora.

“Eu acho que neste trabalho estou muito mais madura. Maturidade é uma coisa que nos faz muito bem, nos deixa seguros, mais tranquilos do que queremos. Chegando aos 40, redescobri coisas da minha origem e isso fez muito sentido para mim. Esse meu ‘rejuvenescimento’ tem muito a ver com o forró, que me leva de volta à minha fase de adolescente, com essa energia muito vital. Fui buscar isso que estava aqui dentro”, destaca Mariana, que sempre teve o ritmo nordestino como influência, apesar de ter trilhado um caminho pela MPB e pelo samba.

Vivência

A vivência pelo ritmo da zabumba é justificável: a mãe de Mariana, Bia Aydar, foi empresária de Gonzagão. Aos seis anos, a cantora já tinha contato com os discos do ícone do gênero nordestino. Ouvindo Dominguinhos e Elba, passou a fazer um som mais eclético e tomou as influências para si.

Elba, inclusive, participa da terceira faixa de “Veia Nordestina (I)”, “Forró do ET”, que reúne elementos do frevo, do axé e até mesmo do kuduro. Os versos escritos por Mariana são inspirados em momentos vividos sob o céu de Trancoso, na Bahia, onde as duas se conheceram.

“Elba sempre foi minha rainha, minha inspiração dentro do forró e, além de tudo, uma grande incentivadora do meu caminho forrozeiro. Nos conhecemos porque minha família tem casa em Trancoso, e Elba também. Sempre nos encontramos muito, estivemos muito juntas”, detalha.

No novo trabalho, a paulistana quis traduzir sua maneira de ver o forró, com pitadas de elementos contemporâneos, como guitarras psicodélicas unidas ao trio formado pela zabumba, pelo triângulo e pela sanfona.

Composições

“Veia Nordestina” marca o retorno de Mariana Aydar às composições. Na faixa-homônima é assinada em parceria com a caruaruense Isabela Moraes e mostra a visão de uma paulistana apaixonada e inspirada pela cultura do Nordeste. Já em “Se Pendura”, escrita por Duani, Mariana canta referências dos carnavais vividos em Salvador em uma mescla de pagodão com xote.

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“Desde que minha filha nasceu eu vinha compondo bastante. Esse trabalho, inclusive, veio muito por observar minhas composições. Vejo que o que nasce dentro de mim é sempre muito nordestino, muito xoteado, muito baiano. Estou feliz de colocar isso para fora, porque nós, mulheres, precisamos ter essa voz. Fico feliz de fazer parte dessa geração de compositoras mulheres”, frisa.

Além dos outros três EPs, o projeto “Veia Nordestina” ainda inclui um minidocumentário composto por quatro episódios. Neles, os diretores Dellani Lima e Joaquim Castro explanam temas que rodeiam a história de Mariana com o forró.

“A ideia é retratar o gênero de hoje em dia e alguns assuntos que fazem parte da minha vida dentro do forró. Minha parada sempre teve muito a ver com a dança. Então abordamos isso, a questão das mulheres no forró, a chegada do ritmo a São Paulo e falamos de novos compositores”, conclui Mariana, que prevê uma turnê logo após do lançamento do terceiro EP.

Confira!

Veia Nordestina (I). Mariana Aydar. Natura Musical, 3 faixas. Disponível nas principais plataformas de streaming.

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