O Terno exalta contradições de forma positiva em novo disco

Álbum "<atrás/além>" tem arranjos orquestrais grandiosos

Publicado em 30/04/2019 às 07h11

Foto: Biel Basile/Divulgação
Banda O Terno não lançava um novo disco desde 2016

É entre o nada e o tudo, entre o profundo e o superficial, entre o passado e o futuro. O novo álbum da banda paulista O Terno, “”, traz letras que transitam em um ponto vazio, mas com um olhar de esperança para o que está por vir. Lançado três anos depois do último disco da banda, “Melhor do que Parece” (2016), o novo projeto traz 12 composições que refletem o momento atual do trio.

“Depois de lançar o meu álbum solo ‘Recomeçar’, saí do estúdio aflito pelo baú vazio de composições e por estar ali lançando um disco sem a banda e sem meus amigos. Também estava saindo da casa dos meus pais, saindo de um relacionamento. E aí comecei a olhar para esse vazio, e o que eu poderia construir a partir dele, para onde ir. E as canções surgiram”, revela Tim, que assina a composição de todas as canções do álbum. “Em dois ou três meses fiz a maioria das músicas, eu estava com esse assunto em um primeiro plano na minha cabeça. Repara que uma música tem a ver com a outra, mas tem muitos ângulos para ver as coisas”, completa.

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O quarto disco do trio formado por Tim, Guilherme d’Almeida e Biel Basile deixa em evidência arranjos orquestrais e a mistura de diferentes influências, anunciados por eles como um som universal, repleto de possibilidades.

Pela primeira vez O Terno contou com convidados em uma gravação autoral. Dois nomes de peso, aliás. O músico norte-americano Devendra Banhart e o compositor e multi-instrumentista japonês Shintaro Sakamoto participam da faixa “Volta e Meia”.

“Já éramos fã dos dois, mas a junção se deu porque participamos de um festival na Alemanha e eles estavam no line-up. Aí deu ‘match’. Todo mundo curtiu o show um do outro, trocamos ideias, e foi um gosto sincero sem ninguém vender o peixe pra ninguém. Mandamos a música e embora pareça algo distante, foi tranquilo porque tinha uma admiração mútua real. Foi muito legal juntar os dois”, conta o vocalista.

COMPOSIÇÕES

A faixa que dá nome ao álbum traduz todo o conceito também estampado na capa do disco, com arte desenvolvida por Tim. “A música ainda nem tinha esse título, mas falava de um tempo nostálgico, e também da beleza do que está por vir. O desenho que fiz para a capa, de alguma forma juntando essas duas palavras com acento, com a barra, estava tudo muito encaixado e o disco tinha esse clima de estar nesse branco entre o nostálgico e o esperançoso, essa mistura toda”, explica.

Em “Pegando Leve”, primeira canção a ganhar um clipe, a letra diz “Quero descansar, mas também quero sair.../Quero começar, mas quero chegar no fim”. Apesar de toda a dualidade, retrato de uma geração a qual os integrantes pertencem, a ideia é aproveitar o caminho. “Essa composição vem muito de um esgotamento que gera esse tempo frenético de hoje, acelerado pelo tempo da informação e nem sempre você como ser humano consegue alcançar esse ritmo. É um pouco dessa angústia e desta saturação, da mente saturada por ter tantos caminhos. Muitas vezes o jovem hoje fica paralisado não pela escassez, mas por estar tudo ali na mão, meio banalizado. Mas tem essa busca de ‘quer saber? vamos relaxar’”, reflete.

PRODUÇÃO

Nesse intervalo desde o último álbum da banda, além da boa repercussão do seu disco solo “Recomeçar”, o jovem compositor de 27 anos teve sua canção “Realmente Lindo” gravada por Gal Costa e tocou ao lado de Jards Macalé o samba-canção “Buraco da Consolação”. Em “”, Tim assume também o posto de produtor pela primeira vez.

“Na prática foi semelhante, porque sempre liderei de alguma forma as coisas e por ser compositor eu era o filtro no fim. Mas depois do meu álbum solo, no qual eu assinei a produção, senti que precisava assumir o que eu já estava fazendo, dá uma liberdade legal. Depois da gente ficar três meses gravando, eu fiquei no estúdio sozinho fazendo arranjos, deu para me dedicar bem a fundo”, diz Tim, que é visto com um dos melhores compositores da sua geração. E o novo álbum de O Terno confirma isso.

O Terno. Risco, 12 faixas. Disponível nas principais plataformas de streaming.

 

 

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