Crítica: reboot de "Hellboy" é uma bagunça em todos os sentidos

Com nova direção e elenco, filme é uma adaptação fiel dos quadrinhos, mas não faz jus ao material original nem ao longa de 2004

Publicado em 16/05/2019 às 10h14

Atualizado em 17/05/2019 às 17h22

Hellboy
Foto: IMAGEM FILMES
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“'Vingadores’ chegou para mostrar que a indústria cinematográfica continua firme e forte”. Essas foram as palavras de James Cameron – diretor de duas das maiores bilheterias do cinema, “Titanic” e “Avatar” – para parabenizar a chegada de “Ultimato”, agora a segunda maior bilheteria mundial. Esse filme foi um marco pois, além de ser sucesso de público, foi amplamente elogiado pela crítica especializada. Isso mostra o quão bons longas baseados em HQs podem ser.

Porém, nem toda adaptação dos quadrinhos rende bons filmes. Algumas podem fazer da experiência dentro de uma sala de cinema algo desagradável. Um exemplo claro é “Hellboy”, que chega nesta quinta-feira (16) aos cinemas do Estado.

Criado pela lenda dos quadrinhos Mike Mignola, Hellboy, o personagem, foi a resposta direta do autor à Marvel e à DC. Ambas as editoras o consideravam um desenhista lento demais para os padrões da indústria. Por isso, em todos os seus anos no grande mercado, ele nunca escreveu ou desenhou um revista mensal. Sempre pegou minisséries como “Odisséia Cósmica” (em parceria com Jim Starlin) e alguns trabalhos como capista e arte finalista, mas nunca algo que mostrasse seu real talento.

 Hellboy
Foto: Dark Horse
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Em 1994, o jogo mudou. Mignola resolveu se alinhar com outros escritores e desenhistas, como Frank Miller (“Sin City”), e decidiu ir para a editora Dark Horse com um trabalho autoral. Ele resolveu pegar um demônio que sempre fazia em desenhos rápidos para seus fãs e criar um universo místico para chamar de seu. Com a mistura de diversas lendas e culturas diferentes, somadas a seus desenhos autorais e um personagem que, segundo o próprio Mignola, possuía um visual tão estranho que ele não se cansaria de desenhar, nasceu toda a mitologia do Hellboy.

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Mesmo não sendo um estouro de vendas, a figura do personagem inundou a cultura pop e o demônio vermelho com chifres serrados ficou bastante conhecido. Isso garantiu um filme em 2004 e uma sequência em 2008, ambos estrelados por Ron Perlman e dirigidos pelo gênio Guillermo del Toro. Mesmo agradando grande parte dos críticos, ambos os longas desapontaram tanto os fãs mais ávidos do personagem, quanto o próprio Mignola, que disseram que as produções não eram adaptações fiéis ao material original.

Anos se passaram e Mignola anunciou, em 2017, que estaria juntamente com David Harbour (da série “Stranger Things”) tentando trazer seu personagem de volta às telonas. Eis que dois anos depois finalmente chega o reboot que promete ser mais fiel aos quadrinhos, além de trazer mais violência a esse recomeço da franquia.

Hellboy
Foto: IMAGEM FILMES
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DESASTRE

O longa conta a história do retorno da Rainha Sangrenta, Nimue (interpretada por Milla Jovovich, da série de filmes “Resident Evil”), e a convocação do Garoto Demônio, o Hellboy (David Harbour), para impedi-la.

Todo o conteúdo do filme, no conceito, é interessante e cheio de potencial, mas como diz o ditado, “de boas intenções o inferno está cheio”. Mesmo com uma trama simples, ele consegue ser um tremenda bagunça.

Na execução, praticamente nada funciona, os personagens vão pulando de locação em locação sem nenhum contexto ou justificativa. A computação gráfica é sem peso, sem textura, e tira o espectador do filme a todo momento. Além disso, a química de Harbour com seu “pai”, o Professor Broom (Ian McShane), é inexistente. Um detalhe problemático, já que a relação dos dois era pra ser o coração da obra.

Para ser justo, o longa tem uma maquiagem interessante, referências legais e David Harbour tem carisma no papel. Mas isso não salva a fotografia escura e sem expressão, os diálogos expositivos e a violência usada sem um contexto plausível. Em suma, o novo “Hellboy” é a prova que uma boa adaptação não é sinônimo de um bom filme.

Confira o trailer do filme:

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