Tuna Dwek é a homenageada do 2º Fest Cine Pedra Azul

Atriz conversa com o Gazeta Online sobre carreira, situação política do País, prêmios e versatilidade: "a necessidade faz a arte, pois o ator é um sobrevivente"

Publicado em 22/05/2019 às 13h23

Atualizado em 22/05/2019 às 13h25

Tuna Dwek, atriz homenageada do 2º Fest Cine Pedra Azul
Foto:Reprodução/Instagram @tunadwek/ Foto: Marcus Leoni
Tuna Dwek, atriz homenageada do 2º Fest Cine Pedra Azul

Tuna Dwek, homenageada do 2º Fest Cine Pedra Azul - que começa nesta quarta (22), em Domingos Martins -, não para um minuto. "Múltipla e plural", como os seus amigos mais próximos gostam de defini-la, a atriz, certamente, precisaria que o dia tivesse mais de 24 horas para dar conta de tantos afazeres.

É jornalista, socióloga, crítica de cinema, tradutora, intérprete (oficial no Brasil de astros como Luciano Pavarotti, Vanessa Redgrave, Isabelle Huppert, Catherine Deneuve e Roman Polanski, sendo amiga de algum deles) e ótima escritora. Amante das biografias, escreveu sobre a vida de Alcides Nogueira (“Alma de Cetim”), Maria Adelaide Amaral (“A Emoção Libertária”) e Denise Del Vecchio (“Memórias da Lua”).

Nos anos 1970, sofreu com os anos de chumbo durante a ditadura militar, foi presa e exilada, morando um tempo na Europa. Tanta experiência fez de Tuna uma atriz de personalidade multifacetada. Ficou conhecida do grande público pela impagável Sueli Pedrosa, das novelas "Ti, Ti, Ti" e "Sangue Bom", mas também adora personagens complexos, como os interpretados nas peças "Tróilo e Créssida", de de William Shakespeare, e "A Noite de 16 de Janeiro", de Ayn Rand, ambos com direção de Jô Soares.

Em relação a sua versatilidade artística, Tuna é discreta. "Sou do seguinte lema: 'a necessidade faz a arte'. O ator é um sobrevivente pois passamos por um momento complicado no País, tanto político como econômico. Vivi situações complexas em minha vida e isso me levou a fazer um pouco de tudo e a escolher o que me trouxe crescimento como artista e como pessoa", conta.

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MOMENTO ESPECIAL

A homenagem do festival representa um momento especial em sua carreira. "Faz com que eu me sinta como se estivesse pisando no palco ou em um set pela primeira vez. Temos milhares de atrizes que se dedicam e dão a alma à profissão e fui a escolhida por um festival jovem, feito com garra em um momento extremamente delicado para a cultura. Dá um frescor e uma grande vontade de continuar", responde, emocionada, acentuando o discurso em tom político. "Querem nos cercear, mas temos cada vez mais garra para continuar fazendo arte".

Com incontáveis filmes, peças, novelas e séries de TV, Tuna Dwek, recentemente, recebeu seis prêmios (entre nacionais e internacionais) por sua atuação no denso "Escolhas", de Ivan Willig, um curta-metragem de estética barroca, em preto-e-branco, que abusa da linguagem sofisticada para mostrar com sutileza a dor dos abusos infantis. Veja o teaser de "Escolhas":

"O reconhecimento está sendo incrível. Muitas vezes, queremos desistir da profissão. Um prêmio é a confirmação da nossa vocação como ator. É a afirmação de que estou no caminho certo", afirma a atriz, que, atualmente, está concorrendo ao prêmio Aplauso Brasil na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, por sua atuação na peça "A Noite de 16 de janeiro".

POLÊMICAS

Entre os vários projetos em andamento, tanto com novos cineastas quanto com diretores veteranos, Tuna estará em dois dos longas mais esperados do ano: "Divino Amor", Gabriel Mascaro, e "Marighella", de Wagner Moura, ambos exibidos com sucesso no Festival de Berlim 2019 e ainda inéditos no Brasil.

"São filmes que marcam a resistência do cinema nacional. 'Marighella' mostra a vida de um homem emblemático (no caso, o escritor Carlos Marighella) em sua luta contra a ditadura militar", elogia a atriz, também dizendo que "Divino Amor" é outro projeto que vai dar o que falar.

"É transgressor, pois mostra um Brasil distópico, que toca em feridas capazes de fazer a sociedade pensar. O filme promete incomodar, pois critica o moralismo vigente abordando a sexualidade de forma natural", acredita.

Atualmente, Tuna também trabalha na divulgação de "O Escolhido", série dirigida por Michel Tikhomiroff e Max Calligaris para a Netflix. "Estreia em junho. É um projeto ambicioso, que já conta com duas temporadas. Uma trama de mistério, com tons sobrenaturais. São três médicos que chegam em um vilarejo no interior do Brasil onde ninguém morre. Minha personagem (Zulmira) faz de tudo para defender o vilarejo de influências externas. Não posso contar muito para não estragar a surpresa”, brinca.

CINEMA E BELEZA

Buscando consolidação no calendário brasileiro de festivais - em épocas em que o mercado audiovisual sofre com cortes de patrocínio e falta de apoio governamental, principalmente em instância federal -, o Fest Cine Pedra Azul vai até sábado (25). As belas paisagens de Domingos Martins vão receber exibições de filmes nacionais e internacionais, em curta e longa-metragem. 

Ao todo, a organização da mostra - que acontece no Hotel Bristol Vista Azul, em Pedra Azul - recebeu a inscrição de mais de 800 filmes. Serão quatro mostras competitivas e 85 títulos exibidos. Em cada categoria, um realizador será premiado com o Troféu Rota do Lagarto.

Haverá exibições para escolas públicas e privadas, sessões especiais para a "melhor idade" e para deficientes auditivos. 

SERVIÇO

O que é: 2º FestCine Pedra Azul - Festival Internacional de Cinema

Quando: De 22 a 25 de Maio, no Bristol Vista Azul, em Pedra Azul, Domingos Martins.

Entrada franca

Programação: Serão quatro mostras competitivas e 85 títulos exibidos. Em cada categoria, um realizador será premiado com o Troféu Rota do Lagarto. Veja a programação completa no site do festival.

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