Capixaba Ana Müller desbrava questões pessoais em novo disco

Com milhares de ouvintes pela internet, a cantora acaba de lançar "Incompreensível", primeiro disco cheio

Publicado em 24/06/2019 às 18h11

Atualizado em 24/06/2019 às 18h57

Foto: Matheus Costa/Divulgação
Com voz aveludada e estilo despojado, capixaba Ana Müller conquistou fãs de todo o país nas redes sociais

Ana Müller quis olhar para si antes de falar de amor em seu trabalho mais recente, o disco de estreia “Incompreensível”, que ganhou as plataformas de streaming há poucos dias. Fenômeno na internet, a cantora capixaba buscou o caminho do autoconhecimento, por mais que possa parecer clichê, para construir o conceito do trabalho.

Antes disso, Ana havia lançado um EP homônimo cerca de dois anos atrás, quando se bandeou mais para o pop. Em “Incompreensível”, diz, fez questão de voltar ao começo, onde mostrava uma pegada bem voltada para a MPB.

“Passei por um processo espiritual muito forte, daí passei a pensar no que fazer no disco. Decidi que queria falar da minha autoanálise, do meu processo de autoconhecimento, do meu processo de saber mais a fundo quem eu sou. A ideia é que, por meio da música, inspire as pessoas a fazerem o mesmo exercício. Acredito em uma revolução individual”, diz a jovem artista, em entrevista por telefone ao Gazeta Online.

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A faixa-título é responsável por abrir a lista do álbum, já com algo como um convite à desconstrução. Na sequência, a boa “Meus Demônios” fala sobre monstros pessoais e dores variadas. Já em “Tem Dia”, por sua vez, a cantora traz uma mensagem esperançosa que leva o ouvinte e acreditar na beleza da vida mesmo apesar de qualquer dificuldade.

“Quis tratar de amor próprio (e não de amor romântico) porque estamos passando por um momento mundial de muita loucura. As pessoas estão cada vez mais distantes de quem elas são, não compreendem o outro. Por outro lado me senti exposta, porque falo sobre fraquezas que nunca consegui falar antes, como a homenagem que fiz à minha avó em ‘Jaci’”, conta, se referindo à avó que perdeu aos 12 anos.

Os arranjos minimalistas, uma marca de Ana Müller, se mantiveram nas canções de “Incompreensível”. Parte deles é assinada pela própria cantora, em parceria com o músico Henrique Paoli. Os cellos que surgem com frequência guiando as canções foram gravados por Federico Puppi.

“Eu queria que os instrumentos só acompanhassem a voz mesmo, que dessem uma sensação de que estou no quarto mostrando a música ao ouvinte. Busquei algumas influências setentistas, me inspirei em Alceu (Valença), Zé Ramalho... tem muita referência de Cássia Eller também”, ressalta.

Nascida em Ibatiba, Ana veio para a Grande Vitória no início da adolescência, quando já tocava por hobby. Há cerca de cinco anos, começou a gravar algumas músicas de forma despretensiosa e as disponibilizava em plataformas como YouTube e SoundCloud, para que amigos e pessoas próximas acompanhassem seu trabalho. Quando viu, já acumulava uma porção de visualizações.

NÚMEROS

Atualmente, acumula mais de 120 mil ouvintes mensais no Spotify, por exemplo. No YouTube, o canal mantido por Ana para divulgar suas músicas já ultrapassou a marca de 1,5 milhão de visualizações. Ainda assim, enfrenta percalços comuns a qualquer artista independente.

“Para gravar ‘Incompreensível’, tive o apoio de um edital, mas precisei também vender meu carro para custear a produção toda. É legal ter sua música na internet, podemos mostrar nossa música, mas por outro lado às vezes o artista independente ainda se vê um pouco refém”, conclui Ana, que tem show de lançamento do disco marcado para o próximo dia 20 de julho, no Centro Cultural Sesc Glória, em Vitória.

OUÇA

Incompreensível

Ana Müller. Independente, 11 faixas. Disponível nas principais plataformas de streaming.

 

 

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