Exposição cruza psicologia, arte e curandeirismo para aliviar traumas

"O Trauma É Brasileiro", da artista capixaba Castiel Brasileiro, está em cartaz na Galeria Homero Massena

Publicado em 10/06/2019 às 19h45

Atualizado em 10/06/2019 às 20h27

Obra que faz parte da exposição"O Trauma É Brasileiro"
Foto:Divulgação/Galeria Homero Massena
Obra que faz parte da exposição"O Trauma É Brasileiro"

A partir do dia 11 de junho a Galeria Homero Massena recebe a exposição “O Trauma É Brasileiro”, da artista capixaba Castiel Vitorino Brasileiro. Toda a obra de Castiel é sentada em sua experiência de vida, e sua primeira exposição individual não é diferente. A mostra surgiu a partir de um estudo sobre a saúde da população negra e da população de trans e travestis. A partir dos traumas sofridos por essas pessoas, Castiel cruza a arte, a psicologia e o curandeirismo para produzir práticas de cuidado para aliviar os males coloniais que acometem os corpos racializados e dissidentes.

Leia também

Há um ano a artista está subindo e descendo a Fonte Grande toda semana, elaborando uma cartografia da região. As visitas atualizam os saberes Bantu que organizaram o modo de vida aquilombado de seus familiares. Nascida e criada no Morro da Fonte Grande, no Centro de Vitória, a artista de 22 anos percebeu o racismo quando saiu de sua comunidade. “Minha família é um quilombo e nos organizamos de um modo em que existia mais práticas de prazer e felicidade do que de angústia. Eu passei a viver o racismo quando eu desci o morro. Quanto mais longe eu vou, mais eu vivo o racismo”, conta.

Em sua trajetória, Castiel produz estéticas e discursos que colaboram para a desestabilização de sistemas racistas. Desde criança faz oficinas e cursos de arte e estudo de relações da moda, sempre com essa preocupação estética. Graduanda do 9º período do curso de Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo, Castiel juntou os estudos à carreira de artista há quatro anos. “Sou psicóloga, curandeira e artista, então minha experiência de vida é nessa encruzilhada”, conta.

A exposição contará com a atualização da instalação “Quarto de Cura”, que reúne obras criadas por Castiel desde julho de 2018 a partir das investigações da história familiar da artista e de registros de suas andanças. São fotografias, textos, mandingas, indumentárias e outros objetos.

ENCONTROS

No dia 2 de julho será realizada uma mesa de conversa com a artista e em julho será lançado um catálogo da exposição. Também serão feitos atendimentos individuais, aos modos das benzedeiras, entre a artista e os visitantes da exposição.

“Minha pesquisa de perceber arte como algo clínico, veio das referências das benzedeiras, curandeiras. Na obra, trago medicamentos como produtos naturais, cristais de cura, vários mecanismos e saberes tradicionais dos povos africanos e indígenas. E também existe a conversa sobre as obras com o público”, explica a artista.

Castiel põe o dedo na ferida, mas também propõe um alívio temporário para o trauma sofrido por inúmeros povos. Um tema necessário mesmo depois de tantos anos e que continua presente no Brasil contemporâneo. “A urgência do tema é porque o Brasil é racista. É uma urgência de sobrevivência, da felicidade e da própria cura”, destaca a artista.

O trabalho de Castiel Brasileiro em mostra na Galeria Homero Massena
Foto:Divulgação/Galeria Homero Massena
O trabalho de Castiel Brasileiro em mostra na Galeria Homero Massena

SERVIÇO

O Trauma É Brasileiro

De Castiel Vitorino Brasileiro

Visitação: 11 de junho até 24 de agosto

Onde: Galeria Homero Massena. Rua Pedro Palácios, nº 99, Cidade Alta, Centro, Vitória

Informações: (27) 3132-8395

Compartilhe



Mais no Gazeta Online