Ex-jornalista de A Gazeta, Pupa Gatti morre aos 66 anos

Editora dos cadernos "A Gazetinha" e "Caderno de Turismo" lutava contra um câncer de endométrio

Publicado em 15/07/2019 às 15h30

Atualizado em 15/07/2019 às 16h17

O jornalismo capixaba perdeu o talento e a doçura de Pupa Gatti. Ex-editora do jornal A GAZETA, Pupa faleceu aos 66 anos, na madrugada desta segunda-feira (15), após lutar por dois anos contra um câncer de endométrio. Ela estava internada desde maio no hospital da Unimed, em Vitória.

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A jornalista foi sepultada na tarde desta segunda, no Cemitério São João Batista, em Guarapari, com a presença de familiares e amigos mais próximos. 

"Ela descobriu a doença há cerca de dois anos. Desde então, lutou pela vida fazendo tratamento quimioterápico. Seu estado geral piorou muito nos últimos dois meses. Mas Pupa manteve a doçura e a alegria de viver até o último minuto", contou o ex-marido da jornalista, o fotógrafo Jorge Sagrilo, com quem ficou casada por 11 anos e teve seus dois filhos: Bruno, 33,  e Carol, 35 anos.

03/05/1994 - Pupa Gatti, jornalista
Foto:Arquivo A GAZETA/Gildo Loyola
03/05/1994 - Pupa Gatti, jornalista

TRAJETÓRIA

Maria da Penha Gatti era italiana de Milão. Veio para o Brasil aos dois anos de idade, acompanhada dos pais, Maria Thereza e Alvino Gatti, um conceituado jornalista que também trabalhou em A GAZETA na década de 1940. Ganhou esse nome por conta da devoção da mãe a Nossa Senhora da Penha.

Talentosa, era conhecida por textos bem escritos, pela alegria de viver e por ser uma mestre na arte de cozinhar. Trabalhou em A GAZETA entre 1991 e 2003. Foi editora da "Revista da TV", atuou, ao lado de Luiz Tadeu Teixeira, no "Caderno de Turismo", e também editou "A Gazetinha". Foi uma das precursoras do "Prazer & Cia" e repórter do "Caderno 2".

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Editor-chefe da Redação Multimídia da Rede Gazeta, André Hees elogia o talento da jornalista. "Era uma pessoa delicada, com ótimo texto e dedicada ao trabalho e à família. Sua doçura vai fazer falta em um mundo polarizado como o de hoje", acredita.

Fernanda Queiroz, editora executiva da Rádio CBN, revela que Pupa Gatti teve uma participação fundamental em sua estreia no jornalismo impresso. "Foi uma das pessoas mais generosas que conheci. Nos anos 1990, trabalhava na Rádio Gazeta AM e comecei a escrever uma coluna de rádio para a 'Revista da TV'. Estava insegura, pois não tinha experiência com o impresso. Ela me passava tranquilidade, dizia que eu não precisava me preocupar com a forma e sim aproveitar a minha experiência de radiojornalismo", relembra. 

FAMÍLIA

Irmã de Pupa, Bettina Gatti revela que a jornalista adorava cozinhar. "Era uma italiana convicta. Sempre perguntava se a gente queria comer alguma coisa. Sabia misturar os temperos como ninguém e era mestre em fazer doces", relembra.

Recentemente, Pupa, que já teve um café em Vitória e Guarapari, o Pudim Vaporoso, dedicava-se às artes (também era formada em Artes Plásticas) e tinha um projeto de escrever um livro, em homenagem à filha Carol. "A Carol foi uma companheira que sempre ajudou a cuidar do irmão, Bruno, que tem autismo”, conta Bettina.

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