Disco de estreia de Gabriela Brown é manifesto de amor e diversidade

Com 10 faixas, "Zeugma" transita entre estilos e traz um mergulho na essência da cantora franco-capixaba

Publicado em 09/08/2019 às 20h45

Atualizado em 12/08/2019 às 11h47

Gabriela Brown lançou seu primeiro disco completo, o "Zeugma"
Foto:Almir Vargas
Gabriela Brown lançou seu primeiro disco completo, o "Zeugma"

A cantora e compositora Gabriela Brown surgiu em 2017 com a música “Anti-maré” e chamou atenção pela suavidade da sua potente voz. O vídeo da música foi compartilhado pelo site "Brasileiríssimos" e teve mais de 200 mil visualizações. De lá para cá criou-se a expectativa de que Gabriela, nascida em Dunquerque, Norte da França, lançasse seu disco de estreia.

Com produção de Rodolfo Simor, “Zeugma” (já disponível nas plataformas digitais) passeia por vários estilos musicais em suas dez faixas – indo do jazz ao hip-hop, mas tendo a base no rythm and blues. Todo concebido em 2019, o disco teve todas as letras compostas por Gabriela e será lançado oficialmente em show que a cantora faz terça-feira (13), às 20h, no Teatro do Sesi, em Jardim da Penha, Vitória.

O nome do álbum faz referência a uma figura de linguagem na qual um termo já dito anteriormente é suprimido. Zeugma também significa, em sua origem, no grego, ligação ou vínculo.

Inicialmente concebido para ser um EP com três ou quatro faixas, “Zeugma” virou álbum completo, com dez canções. Gabriela lembra ter intensificado o processo de composição após 2018, ano considerado difícil para a cantora, que, quando percebeu, tinha um trabalho completo com um conceito bem amarrado.

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“Era uma mistura de todos os gêneros, de todas as mensagens, de todas as experiências de uma forma coerente e percebi que tinha que ser um disco”, conta, em entrevista ao Gazeta Online.

O nome do álbum se deve por conta da relação entre a militância e o caráter das faixas. “Zeugma” traz composições políticas, ainda que de forma sutil. Gabriela, assumidamente lésbica, conta que sempre foi de se posicionar e defende o que considera certo e justo.

“Eu estou omitindo, porque já foi dito, e agora estou colocando numa forma estética e concentrada”, argumenta.

MÚSICA E MILITÂNCIA

Mesmo com pessoas mais conservadoras dizendo que ela estaria se privando ao segmentar demais o público, Gabriela argumenta que esse é seu o jeito de ser. “A verdade é que eu não sei compor sem militar”, reconhece, entre risos.

Essa característica fica clara em composições como “Bonito É o Quê?”, primeira faixa do disco. Previamente lançada como single, a canção tem uma mensagem bem clara sobre empoderamento feminino (“Me ensinaram que era feio ela e o corpo dela/ Feio ser a chave pra abrir a própria cela/ Feio ser pincel pintar a própria tela/ Então bonito é o quê?”).

Entre as inéditas, em “Incêndios”, a segunda faixa, Gabriela mantém o discurso bastante explícito (“Alma velha não abre as alas às pernas das moças que querem passar”) mesmo em uma baladinha RnB. Já em outras, como “Abelha Rainha” e “Lira”, a cantora descreve o amor por outra mulher. “Meu trabalho sempre vai encontrar a militância, mesmo que nessa forma sutil, zeugma”, conclui.

SHOW

Para o show de terça, Gabriela confessa que haverá surpresas envolvendo outras formas de arte, além de contar com algumas versões de clássicos no repertório. A cantora pretende também viajar com o disco. “Quero fazer shows no Espírito Santo e fora também. Quero circular pelo Interior do Estado”, finaliza.

Para o dia 29 deste mês, no Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, está o lançamento do clipe da última faixa de “Zeugma”, “Garota, Tô No Céu”. Em processo de produção, o clipe tem a direção de Tatiana Rabelo.

 

 

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