Festival traz o melhor do novo cinema italiano para Vitória

Mostra 8 Festa do Cinema Italiano acontece, no Cine Jardins, de 15 a 21 de agosto. Entre os destaques, "Silvio e os Outros", novo filme de Paolo Sorrentino

Publicado em 14/08/2019 às 09h59

Atualizado em 14/08/2019 às 10h03

Cena do filme Silvo e os Outros
Foto:Sundance Selects/Divulgação
Cena do filme Silvo e os Outros

Na "Copa do Mundo" do cinema, a Itália ganha da gente e de goleada! O país que nos deu mestres como Luchino Visconti ("O Leopardo", 1963), Federico Fellini ("A Doce Vida", 1960) e Pier Paolo Pasolini ("Salò, ou os 120 Dias de Sodoma", 1975), entre tantos outros gênios, é o recordista quando o assunto é Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, com 11 "canecos" e 28 indicações ao maior prêmio do cinema mundial.  Já o cinema brasileiro ainda corre atrás da sua primeira estatueta...

Quase sempre chamado de decadente pelos críticos mais exigentes (realmente, viveu ciclos de crises criativas, especialmente a partir do final dos anos 1980), o cinema italiano "ressurgiu" na metade da década passada com novos realizadores e produções esteticamente ousadas, como "Gomorra" (2008), de Matteo Garrone, e duas obras-primas: "Novo Mundo" (2006), de Emanuele Crialese, e "A Grande Beleza" (2013), de Paolo Sorrentino.

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Sorrentino, aliás, é a grande estrela do "8 ½ Festa do Cinema Italiano", "orgia" cinematográfica que conta com 11 títulos, exibidos em 16 cidades do Brasil. Ao todo, são esperadas 25 mil pessoas espalhados pelas 300 sessões programadas. Em Vitória, a mostra acontece no Cine Jardins, de quinta (15) a 21 de agosto. O diretor apresenta o seu novo, polêmico e esperado "Silvio e os Outros", ácida cinebiografia do ex-primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi.

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O longa, ainda inédito no Brasil, chega por aqui em uma versão compacta, de 150 minutos. Na Itália, foi exibido nos cinemas em duas partes, com quase quatro horas de duração, filas para comprar ingressos, confusões e brigas entre os espectadores no meio das sessões, em atos pró e contra o político. Veja o trailer do filme.

ALEGORIA

"Silvio e os Outros" é um típico trabalho de Sorrentino, um cineasta que costuma mostrar a Itália como um país de beleza, criatividade e fantasia, sem deixar de destacar a sua franca decadência - seja econômica ou moral.

Um filme que não economiza nas orgias, nudez, uso de drogas, corrupção e, também, destaca as jogadas políticas que marcaram a trajetória de Berlusconi enquanto esteve no poder (governou o país em três ciclos distintos, que foram de 1994 a 2011).

Sorrentino faz uma azeitada sátira política que beira o grotesco e o metafórico. É desnecessário dizer que o projeto conta com mais uma ótima interpretação do "camaleônico" Toni Servillo.

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Seu Berlusconi é cru, um político que serve de plataforma para o cineasta apontar os estragos que a ascensão do populismo - e dos partidos extremistas - estão fazendo para a democracia de vários países.

Tudo isso embalado por belas fotografia e direção de arte e por uma narrativa surrealista, em um oportuno flerte com o jocoso.

VISÕES

Cena do filme italiano "Noite Mágica"
Foto:Imovision/Divulgação
Cena do filme italiano "Noite Mágica"

"Silvio e os Outros" é epenas uma das atrações imperdíveis do "8 ½ Festa do Cinema Italiano". Há, também, o novo trabalho do ótimo Paolo Virzì, "Noite Mágica" (2018), exibido no Festival de Roma do ano passado.

A trama é deliciosa. Enquanto são questionados pela polícia, três jovens roteiristas, suspeitos de terem assassinado um produtor de cinema, revivem sua barulhenta jornada em Roma, na era gloriosa do cinema italiano. Veja o trailer do filme. 

Com sua peculiar visão humanista, visto em filmes como "Loucas de Alegria" (2016), Virzì faz uma singela homenagem a mestres italianos, como Fellini, e uma afetuosa declaração de amor às belezas da capital italiana.

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Outros destaques do festival, que também merecem ser conferidos, soam como expectativas. "Entre Tempos" (2018), de Valerio Mieli, é uma poética reflexão sobre um amor nunca esquecido; "Desafio de um Campeão" (2019), traz o galã Stefano Accorsi em uma história de amizade e futebol.

Além disso, vale a pena ficar de olho em "Bangla", de Phaim Bhuiyan, nova sensação do "cinema da bota" que narra as aventuras amorosas de um italiano filho de imigrantes de Bangladesh.

ARTE

Cena do filme "O Melhor de Juventude"
Foto: Arteplex Filmes/Divulgação
Cena do filme "O Melhor de Juventude"

Nos 500 anos da morte de Leonardo Da Vinci, o festival propõe uma homenagem à arte italiana ao exibir as pré-estreia de "Michelangelo – Infinito" (2019), de Emanuele Imbucci, drama que traz Enrico Lo Verso vivendo o artista, e "Caravaggio - Alma e o Sangue", de Jesus Garcés Lambert, que retrata a vida e obra de Michelangelo Merisi, o pintor barroco Caravaggio.

Além disso, um dos mais simbólicos títulos da retomada do cinema italiano, "O Melhor da Juventude" (2003), clássico social de Marco Tullio Giordana, terá exibição em tuas partes (o filme conta com seis horas de projeção), com cópia restaurada. O diretor, inclusive, está no Brasil participando do festival e promovendo um masterclass sobre o cinema italiano e o neorealismo. Abaixo, veja o trailer de "O Melhor da Juventude".

SERVIÇO

"8 ½ Festa do Cinema Italiano"

Onde: de quinta (15) a 21 de agosto, no Cine Jardins. Rua Carlos Eduardo Monteiro de Lemos, Jardim da Penha, Vitória. Confira a programação no site do festival. http://www.festadocinemaitaliano.com.br

Ingressos: de segunda a quinta, R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia). Sexta a domingo, R$ 24 (inteira) e R$ 12 (meia).

OS FILMES

"Silvio e os Outros" (Loro) – Paolo Sorrentino

"Noite Mágica" (Notti Magiche) – Paolo Virzì

"Euforia" – Valeria Golino

"Lucia Cheia de Graça" (Troppa Grazia) – Gianni Zanasi

"Entre Tempos" (Ricordi?) – Valerio Mieli

"Bangla" – Phaim Bhuiyan

"Desafio de um Campeão" (Il Campione) - Leonardo D’Agostini

"Dafne" - Federico Bondi

Sessão Especial

"A Melhor da Juventude" (La meglio gioventú) – Marco Tullio Giordana

Ciclo A Grande Arte no Cinema

"Michelangelo - Infinito" (Michelangelo - Endless) - Emanuele Imbucci

"Caravaggio - A Alma e o Sangue" (Caravaggio - l’anima e il sangue) - Jesus Garcés Lambert

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