Na web ou em feiras, veja novas formas de artistas exporem suas obras

No Espírito Santo, eventos coletivos e lojas compartilhadas viraram hit para aquecer a cena cultural

Publicado em 01/08/2019 às 18h59

Cena da primeira edição do Mercado Gávea, evento coletivo de artistas em Jardim da Penha, bairro de Vitória
Foto:Eugênia Brosseguini/Divulgação
Cena da primeira edição do Mercado Gávea, evento coletivo de artistas em Jardim da Penha, bairro de Vitória

Nem sempre um galerista vai bater na porta do artista ou um pintor/escultor anônimo terá recurso para abrir uma loja para expor seus trabalhos. Porém, as obras não param de ser feitas e elas precisam chegar até o público. Para cumprir esse papel, os artistas e agitadores culturais do Espírito Santo e do mundo buscam novas formas de fazerem suas obras serem vistas.

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A mais comum, na atualidade, é compartilhar espaços comuns e fazer ambientes temporários para exposições e venda de obras. Seja num espaço físico e até virtual, o intuito é dividir custos e multiplicar lucros.

"Alguns (artistas) ficam com aquele 'frio na barriga', por ser a primeira vez. Mas acreditamos que depois dessa edição vai ficar tudo fluindo melhor", conta Eugênia Brosseguini, que organiza o Mercado Gávea, uma exposição coletiva com 14 artistas capixabas e cariocas, que teve sua primeira edição em julho, numa marina de Jardim da Penha.

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"Nós queremos que isso seja mensal. O retorno foi muito proveitoso, os artistas gostaram, e aos poucos tudo vai se adaptando da melhor forma. Nossa meta é chegar a reunir 24 empreendedores juntos", conta ela, explicando que tomou inspiração de uma amiga carioca: "Ela (a amiga) tem um coletivo de artes no Rio e veio a Vitória me visitar. Em um bate-papo, tive a ideia com outras colegas de montar algo parecido com o que ela tinha lá aqui". 

 

 

 

 

 

 

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Algo parecido acontece em Vila Velha já há alguns meses. No chamado Espaço Ponte das Artes, na Glória, Paula Murad decidiu abrir uma loja compartilhada. No espaço, que está recebendo até dezenas de visitantes por dia, vários artesãos capixabas se reúnem, deixam os produtos à mostra, e têm a chance de fazer mais pessoas conhecerem seu trabalho. A loja, que abre em horário comercial (das 9h às 18h em dias de semana e das 9h às 13h aos sábados), não tem funcionários e até na administração funciona de forma colaborativa.

Loja na Glória, em Vila Velha, reúne obras de vários artesãos capixabas para vender; espaço é como uma loja compartilhada que alavanca a economia criativa no mercado
Foto:PMVV/Divulgação
Loja na Glória, em Vila Velha, reúne obras de vários artesãos capixabas para vender; espaço é como uma loja compartilhada que alavanca a economia criativa no mercado

"Temos uma escala com os artesãos e somos nós quem cuidamos desde a limpeza até as finanças e aluguel", explica. A seleção dos profissionais acontece de forma organizada, por uma curadoria que passa pela própria Paula. Primeiro o interessado deve ir à loja, mostrar suas obras e, se for de interesse mútuo, um contrato é assinado. "A gente pede que os artistas fiquem expondo por ao menos seis meses. Assim, criamos uma agenda ao longo do ano e em nenhum momento vai faltar item para ficar nas vitrines", diz.

INVESTIMENTO É BAIXO OU ZERO

Apesar da facilidade é bom lembrar que os artistas terão que desembolsar para expor nestes espaços. Em Vila Velha, o artista deve pagar um valor para ajudar na manutenção da loja e garantir que a obra fique exposta por, pelo menos, seis meses.

Enquanto isso, Eugênia comprova, com o evento que fez, que a feira coletivo acaba saindo com um preço muito atrativo para os artistas individuais e de pequenos grupos. "Praticamente o gasto que eles tiveram foi com a estrutura que eles montaram lá. E nós nos preocupamos em manter uma linearidade e harmonia entre os estandes. Assim, quem chegava podia acompanhar de itens de jardim até decoração para casa e artesanatos", fala.

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Em alguns casos, o investimento é até zerado, como por meio da plataforma Artluv. No site, que só comercializa obras de arte, o artista se inscreve, é submetido a uma curadoria e, se aprovado, pode colocar seus produtos à venda para o mundo todo.

A ideia inicial do fundador, Wendell Toledo, era democratizar o acesso a esses itens e tornar mais fácil a compra. "A gente usa a tecnologia nesses casos para valorizar o artista e viabilizar a venda da arte de cada um", pontua ele, que diz que no site as peças podem ir de R$ 150 a R$ 30 mil.

A plataforma já tem tido uma aceitação boa e já é intermediadora de vários artistas que estão começando a fazer fama pelo Brasil. No entanto, o trabalho dos curadores neste ano ainda é de expansão, para fazer com que mais pessoas conheçam o site e se interessem.

O site Artluv é um espaço onde artistas do mundo inteiro podem expor e vender suas obras na internet
Foto:Reprodução/Internet
O site Artluv é um espaço onde artistas do mundo inteiro podem expor e vender suas obras na internet

RESTAURANTE ARTÍSTICO

Outra opção de exposição gratuita de obras de arte acontece no restaurante Grappino, no Centro de Vitória, há 5 anos. Segundo o gerente do espaço, Carlos Roberto Venturim, o Batata, nos dois andares do estabelecimento há espaço separado já para esse fim. "E as pessoas sentem falta. Entre uma exposição e outra nós deixamos um 'buraco' de uma semana mais ou menos. Nesses dias, quem está habituado a vir ao bar pergunta se não vai ter mais", comemora.

Ele avalia que essa cultura de consumir a arte do local foi crescendo ao longo do tempo e tanto melhorou a vida de quem expõe quanto dos frequentadores do restaurante: "Quem vem (ao Grapinno), tem a oportunidade de ver, ter o contato (com as obras). E quem expõe, pode ter a certeza de que o material será visto por um número considerável de pessoas. Na maior parte das vezes, as obras que ficam expostas também estão à venda. Algumas acabam sendo vendidas mesmo".

Batata relata que a mãe de um dos sócios do bar é artista plástica, é professora universitária e possui um ateliê. A ideia, inicialmente, nasceu dela. "Ela criou o 'projeto' e ele se desenvolveu. Depois disso a gente começou a sediar exposição, lançamento de livro, noite de autógrafos... Para englobar mais áreas da cena cultural mesmo", conclui.

SERVIÇO

Mercado Gávea

O que é: feira onde artistas e artesãos podem expor suas obras

Onde: ela é itinerante. A primeira edição aconteceu em julho, em Jardim da Penha. A segunda está em produção de local e data.

Como expor: entrar em contato com o Coletivo Gávea nas redes sociais

Custo: pagamento da estrutura do estande

Espaço Ponte das Artes

O que é: loja onde artistas e artesãos podem expor suas obras

Onde: Avenida Jerônimo Monteiro, nº 696, na Glória. Horário de funcionamento: segunda à sexta-feira das 9h às 18h; sábado das 9h às 13h.

Como expor: o artesão interessado em expor seus trabalhos deve ir até o local. Em seguida, ele apresenta sua obra e firma um acordo com o estabelecimento, que é mantido pelos próprios colaboradores

Custo: ajuda com a manutenção do espaço

Artluv

O que é: plataforma digital onde artistas podem criar sua própria loja

Onde: no site www.artluv.net

Como expor: o artista cria o seu perfil no site, em um processo que dura cinco minutos. Em seguida, a página passa por uma curadoria e, em minutos, a plataforma retorna com o feedback. Caso o perfil seja aprovado, o artista cria a loja virtual e passa a expor seu portfólio gratuitamente.

Custo: gratuito

Grappino

O que é: gastrobar onde os artistas podem expor seus quadros

Onde: R. Gama Rosa, 128, Centro, Vitória

Como expor: entrar em contato com o restaurante no número (27) 3029-5567 

Custo: gratuito

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