"Toda celebridade foi sub um dia", diz Cacau Oliver, forjador de famosos

Cacau, que vai passar a próxima temporada fora do Brasil, é criador do Miss Bumbum e garante que já atendeu capixabas que queriam chegar ao estrelato

Publicado em 08/11/2018 às 14h57

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Foto:CO Assessoria/Divulgação
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Nem todo mundo pode achar familiar o nome de Cacau Oliver. Mas, certamente, conhece Andressa Urach, que só ganhou fama graças ao trabalho que esse produtor fez para torná-la destaque - de qualquer forma - no cenário nacional. Criador do concurso Miss Bumbum, que aconteceu por oito edições e neste ano encerra um ciclo com a vencedora de 2018, ele quer seguir com seu dom de forjar famosos na Europa. Ao longo da carreira, já contabiliza mais de 120 capas de revistas no mundo inteiro estampadas com seus clientes e assessorados e garante que há público para isso em todas as partes do globo.

Cacau, de 39 anos, também elogia os veículos de comunicação que se dedicam ao Entretenimento e considera o modelo britânico um exemplo que deveria ser seguido. "Os tablóides (da Inglaterra) sabem o que vendem. Me ligam por assuntos interessantes que eu posso dar", destaca, apontando que já fez notícia até nos americanos The New Tork Times e New York Post, e na rede inglesa BBC.

"Agora, vou seguir para Portugal por um tempo e vou continuar com escritório no Brasil. Tenho duas pessoas que trabalham comigo aqui (em São Paulo) e não pretendo interromper as atividades", afirma.

Na Europa, além de continuar criando celebridades - ou subcelebridades, como alguns gostam de classificar - participa de um projeto audiovisual com dez transsexuais.

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Foto:Reprodução/Facebook Cacau Oliver
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Em entrevista exclusiva ao Gazeta Online, o criador do Miss Bumbum confidencia que já atendeu capixabas que queriam, a todo custo, ficarem famosos ao longo de sua carreira, como faz com toda sua carteira de clientes. Lembra também visitas que fez, principalmente, a Vila Velha, no Espírito Santo. Confira:

Depois de anos de experiência: como se faz uma celebridade?

Eu acredito que você tem que ser original. E isso engloba, também, se reinventar, até mesmo porque acho que, hoje em dia, tudo já foi inventado. Então, tem que aparecer com alguma coisa remodelada. E por mais que possa parecer óbvia a ideia, se ela tiver essa originalidade, vai funcionar. Acho que o próprio Miss Bumbum é exemplo disso: já apareceu no The New York Times, Daily Mail e vários outros. Acabou se tornando um evento mundial em um país que só é lembrado em falas de carnaval.

Tem ideia de quantos famosos já criou desse jeito?

Eu fechei 126 capas de revistas ao redor do mundo. Acredito que, de certa forma, toda pessoa que trabalhei é uma celebridade. Tem muita celebridade que é famosa dentro do que ela faz, dentro do nicho em que atua. Você pode não conhecer, mas o outro conhece. Então, isso também é muito relativo.

Te incomoda o termo "subcelebridade"?

Toda celebridade foi sub um dia. De novo: cada pessoa atinge o público dentro do que ela faz. É porque as pessoas tentam sempre puxar pelos assuntos mais polêmicos, como foi com Andressa Urach. 'Ah, você criou, você fez Andressa Urach', falam. Eu vejo isso como uma forma positiva, porque tudo, querendo ou não, é pensado.

E você fica amigo dos clientes quando eles ficam famosos? Como é essa relação?

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Acredito que, de certa forma, a relação fica viva para sempre. E a relação com cada um também é diferente. Apesar de chegar um momento que a pessoa caminha sozinha, sem precisar diretamente da minha ajuda, sempre fica um vínculo, porque todos me procuram com um propósito e quando o alcançam já podem ir no próprio caminho. Mas isso também não quer dizer que ela nunca mais vai me procurar. Muito pelo contrário.

Ficou mais difícil o seu trabalho com a diminuição do número de portais exclusivos de Entretenimento no Brasil?

Não. Eu fico triste, fiquei triste com o "Ego", por exemplo. Porque era um grande parceiro, mas também era parceiro como qualquer outro site. Hoje em dia, também, sou da tese de que a notícia é global. O Miss Bumbum está em Nova York, Londres... Quando eu crio a notícia, atualmente, crio para o mundo. Quero que ela seja lida aqui, mas também tenho que pensar lá fora. Sinto falta de mais produções de notícias de Entretenimento, principalmente para famosos que estão começando carreira, que era o caso do "Ego", por exemplo. "Ego" também foi muito criativo na sua história, tanto que criou títulos memoráveis.

E sobre os tablóides britânicos...

Eles são ótimos. Muito parecidos com o comportamento de conteúdo que o "Ego" tinha aqui, no Brasil. Eles sabem o que vendem, então se interessam pelos mais variados tipos de assunto e dão notoriedade a todos eles. Fora que também exploram muito o Entretenimento, o que é ótimo.

E onde entra o Miss Bumbum na sua história?

Foi em 2011. Eu estava vendo um programa de televisão na França e vi algo parecido. Está vendo? Já está tudo criado, a gente só reinventa. Ai pensei em fazer algo parecido aqui, porque achei bem interessante. E o Miss Bumbum nasceu. O primeiro foi em 2011 mesmo e, quando vi que realmente ia dar certo, comecei a investir com todas as minhas frentes de trabalho. Com isso, já fiz vários documentários para fora do País sobre o concurso... Até para a BBC de Londres. Já fui para o Japão, China...

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Foto:Reprodução/Facebook Cacau Oliver
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E imagina o porquê dessa fama do Miss Bumbum?

É um concurso amplo. Fala de muita coisa. Elege o bumbum mais bonito, mas enxerga o lifestyle da pessoa, trata de saúde, de academia, fala de um estilo de vida. Por isso acaba sendo reconhecido no mundo.

Até pelo Miss Bumbum, você está suscetível a críticas. Você mesmo diz que as feministas devem criticá-lo. Já sofreu alguma retaliação?

Eu já viajei por mais de 40 países pelo Miss Bumbum. Por causa dele, consegui fazer muita coisa na minha vida. O Miss Bumbum me deu notoriedade em diversas áreas. Acho que já sofri retaliação sim, tem esse preconceito, mas acho que é um preconceito normal. Falam que objetifica a mulher, mas estamos falando do país do carnaval - que é o Brasil -, que mostra as mulheres completamente peladas. Eu não criei essa cultura, essa cultura já existia.

E como lida com os "haters", já que hoje muitos desses ataques são feitos pela internet?

Eles são super bem-vindos (risos). Acho que a notícia só acontece por causa deles. Ninguém vai ao seu Instagram para te elogiar, repare. E não apague os comentários dos 'haters'. Deixa falar mal. É bom quando fala mal.

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Foto:Reprodução/Facebook Cacau Oliver
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Não é "queimação"?

Não... Os comentários negativos geram conteúdo. Porque o comentário gera notícia. Se gera notícia, teve compartilhamento, curtida, engajamento... Gera discussão.

E como será o trabalho em Portugal?

Eu tenho uma ligação muito grande com Portugal, já fiz eventos lá e já tive assessorados portugueses. Lancei meu livro lá. Então, tem uma história bem bacana. Acho que chegou a hora de tentar um novo projeto. Ano que vem vou fazer o Miss Bumbum Internacional em Moscou, na Rússia, em julho, e aí senti essa necessidade de estar mais perto e realmente abrir um novo mercado. Também estou envolvido em um projeto que é um reality com dez transsexuais que passaram por todas as etapas até a cirurgia de mudança de sexo. Enfim, esse projetos que vão dar início à minha temporada lá.

E vai embora de vez do Brasil?

Não. Meu escritório continua aqui, tenho duas pessoas que trabalham comigo e não tenho como deixar minha base. Só vou abrir um novo mercado.

Apesar de você ser o agente, às vezes, acaba se envolvendo em polêmica. Já se viu em alguma situação que considerou surreal?

Acho que um caso bem notório é o da Andressa internada. Quando ela ficou hospitalizada pelo problema de saúde que teve. Muita gente pensou que a situação foi criada. E não é que isso me incomode, porque não me incomoda, mas tem coisa que é impossível de ser criada (risos), tipo aquilo. E quando você lida com a saúde de alguém tem que ter um cuidado especial.

E já atendeu alguém do Espírito Santo? Já esteve aqui?

Sim, já fui ao Espírito Santo algumas vezes. Gosto muito de Vila Velha e já estive na cidade. Com certeza, já atendi alguém daí, algum capixaba. Mas é tanta gente que acabo assessorando que fica difícil gravar por região, dessa forma (risos).

 

 

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