Lu Andrade estreia no YouTube e diz que fim do Rouge "foi prematuro"

Aos 40 anos, cantora se lança na web com vídeos que já passam de 70 mil visualizações

Publicado em 29/03/2019 às 14h38

Foto:Camila Novo Assessoria/Divulgação

Lu Andrade está em uma nova fase da carreira. Tanto pelo fato do Rouge ter chegado ao fim quanto por explorar novos ares da arte: agora, a loira aposta as fichas em um canal no YouTube, que criou há cerca de dois meses e já soma centenas de milhares de visualizações. Lá, os fãs criaram uma atmosfera de energia que faz a cantora até pensar em expandir sua atuação: "Sempre quis ser apresentadora. Quem sabe o que pode acontecer?".

Mais madura, aos 40 anos, Lu avalia que o segundo fim do grupo "foi prematuro", em suas próprias palavras, mas entende que a maioria decidiu por dar a nova pausa ao fenômeno de "Ragatanga". Em entrevista ao Gazeta Online, a cantora falou da vida pessoal e dos planos para o futuro:

Como foi migrar do CD, do palco, para a internet?

Foi natural. Na verdade o Rouge deu um tempo e eu queria continuar cantando. Aí, veio a sugestão de uma pessoa, de um amigo próximo, e eu não estava pensando nisso (montar o canal), mas todo mundo estava. E foi super bom. As pessoas estão elogiando muito. Foi super despretensioso (risos). Quero é ficar na música, mas eu sempre quis ser apresentadora... Vai que o canal cresce e surge alguma coisa. Não sei (risos).

E como os fãs se manifestaram?

Tenho recebido só mensagem boa. As únicas críticas são para eu expandir mesmo, para mostrar bastidores, entrevistar alguém... São mais sugestões, né? Os fãs são muito amorosos.

O contato do palco e do virtual é muito diferente?

Sim. O contato com o fã, antes, era só no show. Agora é muito mais direto, todos falam comigo mesmo... E eu vejo de forma muito positiva.

Falando em público, você sente que os que te acompanham são os mesmos fãs ou são novos admiradores?

Acho que por ora têm sido os fãs de sempre mesmo... Porque eu não mudei. Eu continuei na música. Acho que os fãs do Rouge que migraram para o meu canal. Mas acho que o público pode aumentar. Apesar de que isso não tira o meu desejo de fazer mais shows e gravar novas músicas. Esse contato, de fato, tem me ajudado muito no que eu vou ser agora, depois do Rouge.

Seu canal já começa na web com vídeos que têm até mais de 71 mil visualizações. Já esperava por esses números?

Eu nunca espero por nada (risos). Porque eu acho que expectativa não é legal. Mas é que foi muito espontâneo, foi uma necessidade minha, do meu guitarrista e a gente fez no início muito por hobby. Agora que estamos vendo que realmente pode virar um trabalho e eu estou aprendendo o que é um canal no YouTube, como é trabalho no digital. Estou voltando agora.

Mas você sempre foi habitué da internet?

Eu sempre fiquei na música. Agora é que estou vendo o que é um youtuber, por exemplo. E acho fantástico porque eu amo TV e vejo que o YouTube pode ser a TV particular de cada um. Se você tiver ousadia, você pode produzir conteúdo e ter seu próprio programa.

E qual é a maior diferença que você sente da Lu do Rouge, de 15 anos atrás, para a Lu de hoje, nesse ponto da carreira?

Quando começamos, há 15 anos, a rádio era muito forte, a TV também e você tinha um caminho, que era lançar um disco e ir na TV mostrar para o mundo. Hoje as mídias estão muito pulverizadas. Existem muitas formas de divulgar o trabalho. E o caminho não é o mesmo. Eu acho, sim, que o disco é fundamental, mas você não tem mais que ir para a televisão. Quando o Rouge surgiu, eu lembro que a internet era discada (risos), então tudo mudou muito.

Pensa em um dia voltar para algum grupo?

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Um novo grupo não. Eu comecei no Trem de Minas, entrei no Rouge, depois passei por uns grupos de rock... Então nunca fui sozinha. E acho que, agora, esse é o meu momento. Eu trabalhei a vida toda para entender que agora eu estou pronta para ser só a Lu.

Falando em voltar para grupo, como foi esse fim do Rouge de novo?

Na verdade, esse fim foi muito mais bem resolvido do que o anterior. Antes, eu não concordava em ser explorada daquele forma que éramos. Acabei saindo, as meninas não quiseram me entender, mas saí. E saí desamparada, despedaçada com o coração partido. Então, lembro que fiquei bem mal. Dessa vez, o Rouge voltou como uma cura de resolver questões pendentes, refazer amizades, de resgate artístico mesmo.

Não gostaria de ter continuado?

Eu gostaria de ter continuado, mas a maioria decidiu acabar porque não estávamos com o mesmo objetivo. Como são cinco pessoas trabalhando juntas, as cinco cabeças não estavam alinhadas nesse sentido. Eu teria ficado pelo menos mais um ano, porque eu acho que a gente plantou muito em 2018 e poderia colher isso em 2019. Acho que o término foi prematuro. Mas a gente tem que respeitar. Eu terminei com muita gratidão. Foi um privilégio ter essa segunda chance.

Sente saudade de alguma coisa?

Cantar com elas é mágico. Acho que sempre vou sentir falta disso. Das nossas risadas, viagens, shows e encontro com público... Porque o Rouge tem um público gigante. Mas eu não fico mal. Vou guardar tudo no coração.

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