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No Dia da Moqueca, chefs elegem suas preferidas no Estado

A convite do Prazer&Cia, cinco mestres-cucas listaram onde costumam comer nosso prato típico, celebrado nesta sexta-feira, 30 de setembro

A combinação entre peixe, tomate, cebola, coentro, alho e urucum deu forma ao prato mais famoso da gastronomia capixaba: a nossa moqueca, celebrada nesta sexta-feira (30), graças ao aniversário do jornalista e escritor Cacau Monjardim, autor da frase “moqueca é capixaba, o resto é peixada”, proferida na década de 1970.

Para comemorar a data, o Prazer&Cia fez um desafio a cinco chefs: escolher a melhor moqueca, considerando o paladar de cada um deles. Podemos adiantar uma coisa: para os experts, vale a máxima “em time que está ganhando não se mexe”, já que o tradicionalismo é um consenso.

Uma das chefs responsáveis pelas gostosuras produzidas na Chocolateria Brasil, Flávia Gama não esconde sua paixão pela gastronomia local. A pâtissier elegeu a moqueca do restaurante Papaguth (3225-5773) como a sua preferida.

Sob a batuta do chef Júlio Lemos, o Papaguth acumula quase 30 anos de tradição na Capital. Foram 20 anos com o restaurante sediado em Bento Ferreira. Há pouco mais de oito, a casa abriu as portas na Enseada Gourmet da Praça do Papa.

“Eu lembro bem de quando ia, sempre com a minha família, ao de Bento Ferreira. Depois da mudança, passei a curtir ainda mais, por conta do visual estonteante. Você senta por lá numa tarde de sábado para almoçar e esquece da hora, desliga a mente, vê a Baía de Vitória, o Convento, sente a brisa...”, derrete-se Flávia.

O sabor é outro diferencial para a chef, que preza pelo tradicionalismo no preparo. “Para mim, o Júlio é um dos experts em pescados aqui em Vitória. É conservador na receita”, frisa.

Bárbara Verzola, do Soeta Restaurante
Bárbara Verzola, do Soeta Restaurante
Foto: Guilherme Ferrari

“Gostinho”

Capixaba da gema, a chef Bárbara Verzola é uma das referências nacionais quando o assunto é cozinha contemporânea. Ao lado de Pablo Pavón, toca a cozinha do conceituado Soeta, e foi responsável por incluir Vitória no circuito internacional da alta gastronomia.

Questionada, Bárbara respondeu de cara que sua moqueca preferida é a preparada na Casa do Chef Juarez (3225-6979), espaço de eventos do chef Juarez Campos, em Santa Lúcia.

“Eu sei que existe uma tradição em muitas famílias aqui no Estado, que é preparar a própria moqueca em casa. Costumo dizer que a moqueca que comemos na casa da tia, da prima, dos avós é sempre a melhor. E acho que por isso prefiro a do Juarez, por ter esse gostinho”, brinca.

Acostumada a receber chefs de outros Estados e países para eventos no Soeta, Bárbara aposta sempre em Juarez para mostrar aos visitantes o sabor e o tempero da nossa iguaria.

“Levamos os chefs que vêm de fora para comer lá, já virou um hábito. Quando sabemos que vai vir gente, já avisamos ao Juarez. Para mim, nenhuma é mais gostosa que a dele. Tem o cuidado do preparo, o carinho. É claro que Vitória tem outras maravilhosas, como a do São Pedro e a do Pirão, mas a da Casa do Chef tem um sabor especial, equilibrado, sem exageros”.

Saudade

Há mais de três anos tocando a cozinha do Preferito, em Vila Velha, o chef Orlando Nardi confessou ter sentido bastante falta do nosso prato queridinho durante os 15 anos que morou na Itália. “Eu vim para cá várias vezes durante este período, mas ficava com uma vontade enorme de comer a moqueca, com saudade”, lembra.

A mais querida por Nardi é canela-verde, feita no Timoneiro (3329-4266). “Ao comer, sentimos que o camarão não é de cativeiro, além do sabor peculiar, que não mudou muito com o passar do tempo. Quando sinto desejo de moqueca, é para lá que vou sem medo, sabendo que não vou me decepcionar”, conclui.

Moqueca capixaba servida no Cantinho do Curuca, em Meaípe
Moqueca capixaba servida no Cantinho do Curuca, em Meaípe
Foto: Gabriel Lordêllo/Arquivo AG

Tradição familiar

Comandante do Le Chandon Buffet, o chef Átila Teles não pensou duas vezes ao ser questionado pela reportagem: sua moqueca predileta no Estado é a preparada no Cantinho do Curuca, em Meaípe.

Com mais de três décadas de tradição, a aclamada casa de moquecas de Guarapari preserva o ambiente com estilo bem rústico e mesas dispostas na areia. “Ali, saboreio a iguaria com a minha família, sinto o pé na areia, fecho os olhos e me sinto completamente no Espírito Santo, sinto a essência do capixaba”, destaca Teles.

Nascido em Minas Gerais, Átila mudou-se com os pais para o Estado aos 12 anos. Hoje, aos 44, costuma brincar que já é mais capixaba do que mineiro. A menção à moqueca do Curuca ainda vem carregada por uma memória afetiva. “É especial, porque eu lembro que era pequeno e vinha com os meus pais para cá, visitava o restaurante e apreciava os frutos do mar. Lá, conheci também a moqueca de banana da terra, de sabor inigualável. Com o passar dos anos, passei a frequentá-lo com meus filhos e percebo que o sabor não muda. Sou sempre muito feliz quando resolvo comer lá”.

Fundada em uma cabana simples da antiga vila de pescadores, a casa hoje abriga mais de 300 pessoas. Por lá, a moqueca custa a partir de R$ 99 (dourado) e R$ 170 (badejo), com os acompanhamentos que servem muito bem duas pessoas. O restaurante funciona diariamente, das 11h às 22h. Fica na Av. Santana, 96, Meaípe, Guarapari. (27) 3272-2000.

Moqueca capixaba do MaresiaENTITY_apos_ENTITYs, em Manguinhos
Moqueca capixaba do MaresiaENTITY_apos_ENTITYs, em Manguinhos
Foto: Divulgação/MaresiaENTITY_apos_ENTITYs

Frescor dos ingredientes

Natural de João Pessoa, na Paraíba, o mestre-cuca Ari Cardoso veio para o Espírito Santo há cerca de quatro anos. O chef disse já ter provado várias moquecas durante o período e elegeu a do Maresia’s, em Manguinhos, como a sua predileta.

“Eu notei que existe a receita da moqueca, que é algo bem tradicional, mas que cada pessoa tem sua peculiaridade na hora do preparo. Lembro que comi a de badejo com camarão do Maresia’s e logo notei o frescor da matéria-prima”, conta.

Ari diz que, quando veio para o Estado, estava acostumado com o dendê e o leite de coco, utilizados nas moquecas nordestinas, mas que hoje em dia só consegue apreciar a moqueca capixaba.

Cardoso comanda o restaurante do Hotel Fazenda China Park, em Domingos Martins, e se aventura no preparo da iguaria. O chef lembra que o equilíbrio entre os ingredientes é fundamental para que o prato dê certo. “A moqueca capixaba é a única que leva muito alho, por exemplo. Mas isso também deve ser dosado, para que o sabor do peixe não seja escondido. O peixe por si só é muito suave”, diz.

No Maresia’s, a moqueca capixaba custa a partir de R$ 109,90, para até três pessoas, com acompanhamentos. Abre diariamente, das 10 às 18h. Av. Atapoã, 1, Manguinhos. (27) 3252-1107.

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