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De Vitória para Turim: após férias em casa, Lyanco quer brilhar no Torino

Zagueiro capixaba de 20 anos recarrega as baterias para começar a carreira em seu mais novo clube

Xerifão, líder em campo, forte fisicamente e um zagueiro com qualidade técnica diferenciada. A cara de mau dentro das quatro linhas cai por terra quando o capixaba Lyanco, de 20 anos, está fora de campo.

O jovem defensor que vale milhões gosta mesmo é de ficar em casa com a família, em Vila Velha, curtir uma praia com os amigos, visitar os parentes e sair para ouvir um bom pagodinho. Com incontáveis tatuagens pelo corpo, o “filhão” é paparicado pelos pais Marcelo e Carla e é o tio coruja do sobrinho Asafe Lucca, de apenas dois meses.

O zagueiro Lyanco
O zagueiro Lyanco
Foto: Marcelo Prest

De férias no Estado por duas semanas, o jogador aproveitou o tempo que livre enquanto não volta à Itália de vez, para defender o Torino, que venceu a disputa com times como Atlético de Madrid e Juventus e o comprou do São Paulo por cerca de R$ 20 milhões - foi a maior negociação por um defensor no Torino.

Por conta da janela de transferências, o zagueiro não poderia jogar e ficou dois meses na Itália para se adaptar. “O Torino pediu. Antes dos jogos eu entrava para o aquecimento, ficava louco para jogar e não podia. A torcida aplaudia e eu recebi o carinho. A comida é só massa: pizza no café, almoço e janta (risos). O Torino ainda disponibilizou uma professora particular. A maior parte de Turim torce para o Torino e não para a Juventus, então fui muito bem recebido, me senti leve”.

Família

Desde pequenininho, tudo que eu tenho, tudo que ganhei e tudo o que sou é graças a minha família. Sempre que puder vou estar perto deles, queria aproveitar o momento, matar a saudade. Meu pai mora comigo na Itália.

Tatuagens

Treinos

É pegado demais. Lá é só uma hora, mas com intensidade desde o aquecimento. Os jogos são só nos finais de semana, então tem a semana inteira de treinos. Nas primeiras semanas eu chegava em casa e falava: 'Pai, estou morto!' O treinador era um defensor, ele que me pediu no time. Então ele para os treinos para me orientar, me passa videos. Teve um jogo que o time perdeu no domingo, aí o técnico falou que o time concentraria na quarta-feira. Pensei: 'O que eu tenho a ver com esse bagulho aí? (risos)' Fiquei preso no hotel quarta, quinta, sexta, sábado e domingo sabendo que não ia jogar. Mas é legal sentir esse clima.

História no São Paulo

Cheguei com 17, fiquei até os 20. Trabalhei com Milton Cruz, Doriva, (Edgardo) Bauza, (Rogério) Ceni, (Juan Carlos) Osorio. O Osorio que me subiu. Joguei dois jogos pelo Paulista Sub-20, ele me subiu, em dois treinos me levou contra o Atlético-PR. Ele me ajudou na minha carreira e como homem. O Ceni também foi um paizão, sempre conversava comigo. Eu estava no Sul-Americano Sub-20 e quando voltei faltava apenas uma vaga para o Paulista. Mas independente de ter sido inscrito ou não, ele foi bastante importante pra mim como jogador e como treinador

Má fase do São Paulo

A história do Ceni é absurda no futebol e creio que isso dá uma segurada (para ele se manter no cargo). Quem convive com ele sabe que ele entende de futebol, sabe o que está fazendo. É um cara que, independente dos resultados, conhece o clube mais que todo mundo. Ele manda no São Paulo.

Capixaba Lyanco no São Paulo
Capixaba Lyanco no São Paulo
Foto: Reprodução/internet

Sérvia x Brasil

Foi uma decisão difícil. Na Sérvia eu estaria a um passo da Europa, de ser ídolo. Meu pai e meus empresários mandaram eu escolher pelo coração. Comecei a jogar bola com cinco anos pensando na Seleção Brasileira. Isso me ajudou a decidir. Na Sérvia eu já poderia estar na seleção principal, mas na minha vida nada foi fácil, por que não posso chegar na brasileira principal?

* Quando houve a convocação para ele defender a Sérvia, para mim foi muito especial. Meu pai era sérvio, quando houve a convocação fui o único dos parentes desde que ele fugiu da guerra a ir para o país dele. Pessoalmente foi fantástico. Mas profissionalmente sempre deixamos para ele. Pude participar da recepção dele na Sérvia, o filho do presidente da Sérvia que acompanhou o Lyanco, ele também era o treinador. Foi algo fora do comum. Mas o Lyanco fez o que achou melhor para ele e optou pelo Brasil. (fala do pai, Marcelo)

O zagueiro Lyanco na seleção brasleira sub-20
O zagueiro Lyanco na seleção brasleira sub-20
Foto: Reprodução/internet

Vida pessoal

Estava namorando, estou na pista (risos). Na Itália meu pai mora comigo, então ele também me ajuda a andar da linha.

* Já tive a idade dele. O futebol é muito rápido, hoje está no auge, amanhã é esquecido. O futuro dele, o que vai construir, família, qualquer detalhe que sai da linha pode queimar tudo. Nossa preocupação é tomar cuidado com fotos que vazam dele, pessoas que estão próximas, se está no ambiente ruim. Ele é uma pessoa pública e tem que tomar cuidado para não pisar em falso. Essa primeira temporada na Europa vai dizer muito do futuro dele. Tinha Juventus, Atlético de Madrid, todos de olho no Lyanco, mas o Torino falou: 'Vamos fazer do Lyanco um defensor, vai jogar e vai ser reconhecido na Europa'. Ele quer fazer história no Torino. (fala do pai)

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