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Polícia Civil pede prorrogação do prazo de investigação no caso Neymar

O motivo da solicitação está em sigilo, assim como a investigação

A modelo Najila e o jogador de futebol Neymar
A modelo Najila e o jogador de futebol Neymar
Foto: Reprodução

A Polícia Civil não conseguiu concluir a investigação da denúncia de estupro contra Neymar dentro do limite de 30 dias e pediu nesta segunda-feira (1º) ao Ministério Público a prorrogação do prazo de apuração. A concessão de mais tempo é encarada como certa e o pedido é feito para cumprir uma formalidade exigida por lei.

O motivo da solicitação de mais prazo está em sigilo, assim como a investigação. Mas a reportagem apurou que foram duas situações que precisam ser finalizadas: as imagens do circuito interno do hotel onde teria ocorrido o suposto estupro; e uma perícia em um celular entregue por Najila.

Em relação ao vídeo do hotel, a polícia judiciária francesa aprendeu as imagens dos corredores que mostrariam a chegada e saída de Neymar ao quarto da modelo onde teria ocorrido o crime. A perícia é em um iPhone que Najila entregou em seu segundo depoimento.

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Ela alega que extraviou o telefone que usou para trocar mensagens e fazer o vídeo do atacante no quarto dela. A modelo entregou outro aparelho para tentar recuperar os dados na nuvem.

O tempo previsto em lei para a resposta do Ministério Público ao pedido de prorrogação de prazo para a investigação é de até 15 dias. Mas casos de repercussão costumam ter um trâmite acelerado. O tempo adicional que a Polícia Civil vai receber é determinado pelo juiz. Ele examina as providências que ainda faltam ser tomadas e estipula uma data. A necessidade de pedir mais prazo ocorreu porque a legislação determina um mês para término de inquérito.

O tempo começa a ser contado a partir do registro do boletim de ocorrência, o que aconteceu em 31 de maio. O limite terminou no último domingo, 30 de junho, mas como era final de semana a data se torna o primeiro dia útil.

A Polícia Civil chegou a trabalhar com a possibilidade de encerrar o caso nesta segunda. A conclusão da investigação está próxima porque todos os depoimentos já foram tomados. Mas como o inquérito é grande, já possui dois volumes e, pelo menos, uma dezena de depoimentos era necessário examinar todo o material.

O CASO

As investigações começaram em 31 de maio, uma sexta-feira. Najila chegou por volta das 18h30 à 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. Ela ficou no local até às 23h e depois seguiu para o Hospital Pérola Byington, onde realizou exame de corpo de delito.

Najila contou aos policiais que conheceu Neymar no Instagram e, depois de algumas mensagens trocadas pela rede social, os dois começaram a se falar por WhatsApp. Passadas algumas semanas de conversa, ela foi convidada para ir a Paris visitar o jogador. Neymar pagou as passagens e o hotel. Najila chegou em 15 de maio e à noite o jogador esteve no quarto dela.

A modelo relatou que o atacante estava alterado, fez sexo contra a vontade dela e não teria usado camisinha. Em seu depoimento, o atacante disse que usou preservativo e o jogou no vaso sanitário na sequência.

No dia seguinte, Neymar esteve no mesmo quarto e foi agredido por Najila. A modelo gravou o encontro e alegou que buscava uma prova de que se encontrara com o atleta. Sobre os tapas que deu em Neymar, visíveis em vídeo que viralizou durante as investigações, seria um revide às supostas agressões que sofrera na véspera. Fotos e um laudo apontando hematomas nas nádegas de Najila foram publicadas na imprensa. Na troca de mensagens entre eles, Neymar falou que a modelo também foi culpada pelas lesões porque "pedia mais". Ela negou.

A investigação chegou à imprensa no dia seguinte ao registro do B.O., 1º de junho, em furo de reportagem de UOL Esporte. O nome da denunciante, que deveria ser mantido em sigilo, foi relevado em um programa de televisão. No mesmo dia, Neymar gravou um vídeo se defendendo. Ele foi postado no Instagram e continha imagens íntimas de Najila, o que rendeu outro inquérito, este no Rio de Janeiro porque o atacante estava em Teresópolis com a seleção brasileira.

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A modelo fez sua primeira aparição pública ao conceder entrevista exclusiva ao SBT durante a semana. Ela esteve na delegacia duas vezes para prestar depoimento.

AS CONTROVÉRSIAS

As controvérsias O inquérito foi repleto de fatos que causaram reviravoltas e situações não explicadas. Isto aconteceu antes mesmo de o boletim de ocorrência ser registrado em 31 de maio. Dois dias antes, o primeiro advogado de Najila, José Edgard Bueno Filho, esteve com integrantes do estafe de Neymar.

O pai do jogador acusou o advogado de tentativa de extorsão. A modelo afirmou que foi traída pelo representante. José Edgard deixou o caso ao saber do B.O. e alegando que sua linha de atuação era um acordo de reparação. Abandonou o caso rebatendo as acusações dos dois.

O advgado falou que Najila jamais mencionou estupro e negou a tentativa de extorsão, afirmando que Neymar pai armou uma armadilha para forjar um álibi. Najila, por sua vez, questionou a atuação do ex-representante. Ele foi uma das pessoas convocadas pela Polícia Civil para prestar depoimento. Este foi o primeiro dos quatro advogados com quem Najila contou desde que deixou Paris, em 17 de maio.

A segunda e o terceiro advogados trabalharam em conjunto. Yasmin Pastore Abdalla e Danilo Garcia de Andrade saíram do caso porque a modelo não entregou um tablet que conteria provas e, de acordo com eles, sugeriu que o aparelho fora furtado por Danilo.

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As supostas provas que Najila afirmava ter foram fonte de muita controvérsia. Ela dizia possuir um vídeo de sete minutos com gravação da segunda noite que esteve com Neymar e mensagens trocadas pelo WhatsApp. Ocorre que apenas 66 segundos das imagens apareceram, trecho que mostra Najila agredindo o atacante. O restante do vídeo e os diálogos nunca foram entregues à Polícia Civil. A modelo falou que tudo estava em um celular que foi extraviado. Haveria um backup num iPad cor-de-rosa, mas ele teria sido levado em um arrombamento ao apartamento dela. Apesar do suposto furto, Najila não registrou boletim de ocorrência. Um outro aparelho foi entregue à polícia, que conteria backup do que sumiu.

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