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Patrícia Scheppa quer levar o Brasil de volta ao topo do beach handebol

Eleita melhor do mundo em 2012, a ponta capixaba da seleção brasileira vai disputar o desafio internacional contra o Uruguai

Se nas quadras os europeus dominam o handebol, nas areias o Brasil é o time a ser batido na modalidade. Menos popular que o beach soccer e o vôlei de praia, o beach handebol pode não ter a mesma fama dos "primos", mas é igualmente vitorioso. Maior potência do mundo no esporte, com quatro títulos mundiais no masculino e três no feminino, o Brasil disputa neste final de semana o 1º Desafio Internacional da modalidade contra Estados Unidos e Uruguai, na praia de São Francisco, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Patrícia Scheppa é um dos destaques da seleção brasileira de beach handebol
Patrícia Scheppa é um dos destaques da seleção brasileira de beach handebol
Foto: Arquivo Pessoal

Na competição, que acontece sábado (5) e domingo (6), os homens enfrentam os americanos, enquanto as mulheres encaram a equipe do Uruguai. O time feminino conta com o talento da capixaba Patrícia Scheppa, de 28 anos, eleita melhor do mundo em 2012 e um dos principais destaques da equipe.

"Rio de Janeiro, Paraíba e Rio Grande do Norte são alguns dos locais que já têm torneio com grandes equipes. Mas a gente ainda não conseguiu abraçar o Brasil como o futebol ou o vôlei de praia. A modalidade vem crescendo muito, e competições como esse ajudam a dar mais visibilidade para o esporte. O Brasil foi pioneiro e isso ajuda muito. Estamos no topo do ranking e acredito que somos favoritas para ficar com o título. Mas o nível do beach handebol vem crescendo, o Uruguai é uma equipe que tem crescido. Será um bom jogo", avalia.

Há cinco anos na seleção de areia, Patrícia é a única das dez jogadoras do time que consegue viver exclusivamente como atleta. Isso por que ela também é atleta de handebol de quadra. Mesmo vitorioso, o beach handebol sofre com a fala de estrutura.

"Mesmo com a estrutura ruim que temos no Brasil, consigo me manter por causa da quadra. As outras meninas, como não jogam na quadra, acabam tendo que ter outra profissão. Treino bastante na quadra, e quando tenho um recesso estou na areia com a seleção. A quadra me ajuda na preparação para a areia, as duas caminham juntas. As diferenças técnicas são ajustadas nos treinamentos com a seleção", explica a ponta-direita.

Patrícia é a única da seleção que consegue viver do esporte
Patrícia é a única da seleção que consegue viver do esporte
Foto: Arquivo Pessoal

Atleta da Associação Desportiva 360º, de São Paulo, a capixaba é uma das poucas jogadoras que não atuam em João Pessoa, na Paraíba, onde está a maior parte das atletas da seleção de beach handebol. Mesmo assim, ela garante que o entrosamento com a equipe não fica prejudicado e quer o título para coroar o retorno ao esporte depois de dois anos parada por conta de uma lesão na tíbia.

"A gente tem uma base que já atua junto há uns quatro anos, o que muda é uma ou outra jogadora nova que chega. Para as competições internacionais, a gente costuma se reunir 20 dias antes para uma semana de treino intensivo. Dessa vez não conseguimos fazer isso, foi um único treino juntas para acertar os detalhes, mas acredito que vamos conseguir fazer um bom jogo. Estou muito ansiosa para esse evento, porque só consegui retornar por completo para seleção em setembro. Perdemos o Mundial para a Espanha, e isso vai nos dar ainda mais garra para não deixar esse título escapar", afirma.

Em busca do sonho olímpico

Dividida entre a quadra e a areia, a capixaba chegou a treinar com o time brasileiro de handebol de quadra que disputou as Olimpíadas do Rio, mas veio a lesão, a implantação de placas de titânio na tíbia, complicações na cirurgia e dois anos de molho. Ainda assim, ela fez questão de pisar na areia em julho do ano passado, mesmo sem estar completamente recuperada, para participar de um "jogo das estrelas" e ajudar a colocar o beach handebol na Olimpíada.

Patrícia Scheppa (camisa 2) é um dos destaques da seleção brasileira de beach handebol
Patrícia Scheppa (camisa 2) é um dos destaques da seleção brasileira de beach handebol
Foto: Arquivo Pessoal

"O comitê olímpico pediu um jogo de exibição e isso foi um grande passo para a modalidade. Eu e mais uma brasileira fizemos parte do time das estrelas para apresentar a modalidade para o presidente do COI. O esporte vai fazer parte das Olimpíadas da Juventude em 2018 no lugar do handebol de quadra, e deve estar na Olimpíada de 2024", conta.

E daqui a oito anos, quando estiver com 36, ela garante: dá para sonhar em defender a seleção em uma edição de Jogos Olímpicos. "Essa geração levou o nome do Brasil para o topo. Em 2024 a gente vai estar com média de 35 anos. A gente sonha, cria metas e aposta que venha uma geração muito boa para nos representar, caso a gente não vá. Mas não é impossível, é só se cuidar bem que dá para ir sim".

Patrícia Scheppa

Idade: 28 anos

Posição: ponta-direita

Local de Nascimento: Santa Teresa, Espírito Santo

Títulos: Melhor jogadora do mundo (2012), Artilheira do Campeonato Pan Americano de Beach Handball (2014), Campeã Mundial de Beacha Handebol (2012 e 2014), Campeã Pan Americana de Handebol de Areia (2012 e 2014).