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Agora na seleção, Patrícia diz que se endividou para ir à Paralimpíada

Paratleta capixaba precisou fazer empréstimo para ir ao Rio e segue sem apoio. Mundial é a principal meta para 2017

A história escrita por Patrícia Pereira nas páginas do esporte capixaba e brasileiro em 2016 é de superação e muita grandeza. Não apenas por ter sido a primeira paratleta capixaba a trazer uma medalha para a natação do Estado em uma Paralimpíada, sendo que ela aprendeu a nadar somente depois de ter sido baleada em um assalto durante um dia de trabalho. Mas também por ter tido muita garra e persistência para se credenciar como participantes dos Jogos do Rio de Janeiro.

Não foi fácil, como ela mesma relembra. Patrícia precisou muito da ajuda da família, de amigos e do treinador Leonardo Miglinas. Teve que se endividar para competir, mas hoje, quando ela olha para trás, vê que os frutos têm sido bastante proveitosos. Patrícia foi convocada para a seleção brasileira permanente de natação e agora se junta ao seletivo time dos 17 melhores paratletas do país.

Patrícia Pereira foi a primeira paratleta capixaba a conquistar medalha em uma Paralimpíada
Patrícia Pereira foi a primeira paratleta capixaba a conquistar medalha em uma Paralimpíada
Foto: Divulgação/CPB

"É uma satisfação imensa que não consigo nem medir. Não sei muito bem o que vai acontecer daqui pra frente, mas acredito que estamos no caminho certo. Vejo que todo sacrifício que eu e meu treinador (Leonardo Miglinas) fizemos está sendo reconhecido com esta convocaçãoo.”

Por falar em sacrifício, Patrícia garante que embora tenha, junto de outros atletas do Espírito Santo, representado bem o Estado nos Jogos do Rio, a questão estrutural e o apoio financeiro recebido em terras capixabas ao esporte paralímpico não tem mudado em nada.

"É uma triste realidade, porque continuamos na mesma situação. No meu caso, por exemplo, que nasci em Minas Gerais só porque minha mãe estava viajando quando me teve, eu não posso receber o bolsa atleta. Mas eu sou capixaba, moro aqui a vida toda, represento o Estado. Não recebemos apoio do empresariado também, isso desanima muito o atleta daqui. Confesso que quase não tenho dormido direito tamanha a angustia que a gente vive", desabafou Patrícia.

Além do drama vivido por conta da falta de apoio estadual, Patrícia ainda sofre com os cortes feito pelo governo de Michel Temer às verbas destinadas ao esporte.

"A bolsa federal que iríamos receber vai sofrer uma redução, com um corte de 20 % do valor. Seria de R$ 925,00. Querem passar para 740,00. Enfim, temos que tentar deixar esses problemas todos de lado e fazer o melhor dentro da piscina. Tenho um ano de 2017 todo pela frente. Minha responsabilidade agora aumenta mais ainda, a cobrança vai ser ainda maior por estar na seleção. Mas é isso que nos move", completou a nadadora.

Treinador vê ano promissor para Patrícia Pereira

Patrícia e o técnico Leonardo Miglinas: Mundial é meta para 2017
Patrícia e o técnico Leonardo Miglinas: Mundial é meta para 2017
Foto: Bernardo Coutinho

Além de Patrícia, o treinador da nadadora, Leonardo Miglinas também será integrante da seleção brasileira de natação paralímpica. Segundo o técnico, a convocação vai contribuir muito para o crescimento da capixaba no esporte.

Patrícia passa a ter a estrutura do profissional. Vai estar durante três semanas no ano em São Paulo para fazer testes e avaliações junto da seleção, com treinamento em conjunto. Vai ter todas as viagens pagas, tanto as dela quanto as minhas. Passa a ter plano de saúde...Enfim, é um passo muito grande”.

O objetivo principal do ano de 2017 será o Mundial a ser disputado no México, em outubro.

“O Mundial é o nosso grande foco deste ano. Vamos ter uma preparação forte para ele. Acredito que Patrícia vá ter um ano muito especial”.

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