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Com ajuda do judô, capixaba vence o câncer e retribui com projeto social

Bráulio Barboza superou o duro golpe em 2015. Depois de meses fora de combate, a volta por cima foi coroada com dois títulos brasileiros

O tatame sempre foi seu lugar de conforto, e também de luta. Bráulio Barboza dedicou mais da metade de sua vida ao judô, colecionou medalhas e, sobretudo, aprendeu a levantar depois da queda. Hoje, aos 61 anos, ele tem no currículo títulos brasileiros, sul-americanos e mundiais, mas sua vitória mais importante foi contra um câncer de próstata. Perto de completar meio século nas artes marciais, o judoca e sensei parece longe da aposentadoria.

“O judô faz parte da minha vida desde os 12 anos, não me imagino sem ele. Os meses mais longos e difíceis foram quando eu precisei me afastar do esporte por causa da doença. Eu tinha que ficar só assistindo. Usei meu perfil de lutador para encarar o problema numa boa e me reerguer”, afirma o sensei.

Bráulio Santana pratica judô há 49 anos. Esporte o ajudou a superar o câncer
Bráulio Santana pratica judô há 49 anos. Esporte o ajudou a superar o câncer
Foto: Ricardo Medeiros

O duro golpe foi superado em 2015. Depois de meses fora de combate, a volta por cima foi coroada com dois títulos brasileiros (2015 e 2016) e um segundo lugar no Mundial Master, conquistado no mês passado.

“A doença me pegou de surpresa, porque não tem histórico de câncer na família e eu sempre fui muito saudável. O fato de ser atleta me ajudou a ter uma recuperação mais rápida. Em janeiro completo dois anos de superação do câncer. Quando voltei a treinar, no final do ano passado, já me sentia vitorioso. Os títulos foram só consequência”, conta ele, que entrou para a história como o primeiro capixaba a chegar em uma final do Mundial Master de Judô.

“Foi a quarta vez que competi no Mundial, por duas vezes fui eliminado na semi e fiquei com o quinto lugar. Dessa vez deixei um francês, um russo e um croata para trás, consegui chegar à final e fiquei com o vice. Só tenho o que comemorar, o judô é tudo na minha vida”, conclui.

Seis vezes campeão brasileiro, Bráulio ainda carrega os títulos de tricampeão sul-americano e bicampeão pan-americano de Judô.

Projeto social é retribuição

Mais do que ser atleta, Bráulio faz questão de retribuir tudo o que o esporte fez por ele. Há 19 anos, ele mantém com a ajuda do filho Daniel um projeto social de judô em Cobilândia, Vila Velha. Mais de mil crianças e adolescente já passaram pela Kaizenkan, que hoje conta com 60 alunos.

“O judô foi muito importante e me ajudou muito. Achei que deveria retribuir”, diz.

Sem apoio, Bráulio tira recursos do próprio bolso para manter o projeto em dia com a federação. As aulas são gratuitas, e os kimonos frutos de doação.

"Hoje dou aula para filhos de ex-alunos. A rotatividade é grande e tem ex-aluno que me ajuda. Normalmente as crianças começam a treinar de bermuda e camiseta, e a gente faz campanha para conseguir, aos poucos, os kimonos para todo mundo. O que ganho é a satisfação de ver o crescimento dessas crianças, o desenvolvimento delas no esporte", defende.

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