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Judô muda a vida de adolescente problemático de área de risco

Hugo Idelbrando, de 14 anos, vai participar do Campeonato Brasileiro de Judô neste final de semana, em Vitória

Mesmo com apenas 14 anos, o estudante Hugo Idelbrando poderia ter trilhado um caminho em que talvez ele não tivesse direito a volta, não fosse o poder que o esporte exerceu na sua vida. De temperamento difícil e muito desacreditado pela diretoria e professores da escola que frequentava no Bairro São Pedro III, na capital, foi um "padrinho" do Conselho do Tutelar quem o direcionou para o lado certo da vida.

 

Hugo Idelbrando, judoca
Hugo Idelbrando, judoca
Foto: Guilherme Ferrari

Washington Luiz viu naquele garoto um potencial diferente e apostou que o judô poderia dar jeito naquele menino que tinha comportamentos desviados do que se espera de um adolescente.

"Eu dava muito trabalho na escola. Brigava com todo mundo, batia nos alunos, faltava agredir a professora na sala de aula. Dava muita preocupação para minha mãe, tirava notas ruins, gostava muito de ingerir bebida alcoólica. Foi então que vi o pessoal treinado judô, gostei do quimono que eles usavam, e pedi para participar", disse Hugo.

Hoje, Hugo treina no Centro de Treinamento Yoshirara. Não é mais aluno do projeto social, e sim de uma academia particular. Mas pelo seu potencial e sua história, o sensei Rock Sandro não cobra mensalidade do aluno, mas exige comprometimento, em contrapartida.

"Tem treino de segunda a sexta e ele não pode faltar porque senão tem que pagar mensalidade. A gente pega no pé. Mas o Hugo tem se saído muito bem. Ele já até virou professor aqui para alunos mais novinhos. A gente fala que tem gente que nasce com o sangue do judô no corpo e o Hugo é uma dessas pessoas", disse o Sensei, que já se acostumou com a forma como o seu atleta se comporta durante as lutas.

Hugo Idelbrando, judoca
Hugo Idelbrando, judoca
Foto: Guilherme Ferrari

“Com ele a gente não pode ficar dando muita estratégica durante um combate, senão ele se perde. Tem que deixar ele mesmo se guiar. É um garoto que logo que vi lutando pela primeira vez, vi que tinha muito futuro pela frente”, comentou Rock Sandro, que também cobra do atleta boas notas na escola.

Fã do capixaba Nacif Elias, que hoje luta pelo Líbano, o judoca diz que tem aprimorado seus golpes com vídeos que assiste dos grandes talentos do judô.

"Gosto do jeito que o Nacif faz as lutas deles. Tenho como inspiração. Vejo muito os vídeos do francês Teddy Riner. Gasto horas e horas vendo ele lutar". 

Washington, conselheiro tutelar
Washington, conselheiro tutelar
Foto: Guilherme Ferrari

O padrinho Washington Luiz, do conselho tutelar, ressalta a importância do esporte na vida das crianças que residem nas áreas de risco, como é o caso do Hugo.

"Só o esporte foi capaz de fazer essa mudança na vida do Hugo. Ele estava em um rumo muito complicado, ninguém sabia mais o que fazer com ele. O pessoal da escola já tinha perdido as esperanças, mas a gente acreditou no potencial dele. E esse garoto vai longe".

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