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Superação: Lucélia Barros segue pedalando mesmo após amputar 3 membros

A ciclista realiza suas atividades com a ajuda de uma prótese na perna direita e faz uma campanha para conseguir as próteses para os braços

Dizem que a gente nunca esquece como andar de bicicleta. Lucélia Barros Sales fazia parte de grupos de pedal, estava acostumada com grandes percursos em cima de uma bike, mas de uma hora para a outra viu tudo mudar. Mesmo assim se mantém forte para não desistir. “Devido a uma doença eu tive que amputar meus membros. Não consigo frear ainda, mas não perco a vontade de pedalar”. 

Lucélia Barros Salles segue pedalando, mesmo com algumas limitações
Lucélia Barros Salles segue pedalando, mesmo com algumas limitações
Foto: Marcelo Prest

Lucélia mora em Itaparica, Vila Velha, e por enquanto circula de bicicleta só nas ruas do bairro e precisa ter cuidado. “Eu não consigo frear, minha bike não é adaptada, por isso fico mais no bairro. Procuro lugares que não têm muito movimento de carro”.

Mas essa guerreira de 36 anos quer muito mais. “Sou aposentada, poderia estar curtindo a aposentadoria, mas não é o caso. Quero voltar a pedalar, voltar a trabalhar, principalmente se for na minha área, que é de administração, finanças. Poder me olhar no espelho de corpo inteiro deve ser uma sensação que não tem preço”. 

Doença Crônica e Mudança de Vida

Pedalando Lucélia conheceu vários lugares do Espírito Santo. A vida dela mudou de ponta a cabeça no dia 10 de julho de 2017. Ela descobriu que tem uma doença crônica, que já apareceu grave.  

“Eu tenho uma doença autoimune, chamada colangite esclerosante primária. São inflamações nas vias biliares do fígado. Essa vias inflamaram e infeccionaram, então tive uma infecção generalizada. A medicação que eu estava tomando era muito forte porque aplicaram a medicação direto no coração para que ele continuasse a bater e a bombear sangue para o cérebro. Então minhas extremidades ficaram sem o fluxo sanguíneo, o que gerou a isquemia e teve que amputar”.
Lucélia Barros Sales

Foram 3 cirurgias para amputar os membros. “Amputaram dia 31 de julho a mão esquerda, 3 de agosto foi o braço direito com o pé esquerdo, dia 9 de agosto foi a perna direita”. Depois de quase 50 dias no hospital ela teve alta e começou a reabilitação pelo SUS. Cinco meses depois recebeu do Crefes a prótese da perna direita. “Lá eu consegui a prótese, é uma prótese antiga e um pouco pesada, tem 2kg, 3kg, é um material bem rígido. Mas ela atende no dia a dia”.

As das mãos nunca chegaram. Ela percebeu que teria que batalhar. “Tenho uma campanha em busca de próteses biônicas, principalmente para os braços. E uma melhor para perna e para o pé esquerdo”. A campanha começou em março do ano passado. Quatro meses depois ela conseguiu comprar a primeira prótese para a mão. A prótese veio dos Estados Unidos e agora ela faz um trabalho de reabilitação. São necessários seis meses para aprender movimentos como segurar uma caneta, um copo.

Ela já faz muita coisa sozinha. Com a ajuda de um elástico ela escreve, escova os dentes. “Deus me deu uma segunda chance, que foi me tirar daquela situação e me deu uma nova vida.”

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