Notícia

Família de brasileiro se desculpa por prisão planejada na Venezuela

Libertado, Jonatan Diniz gravou vídeo relatando plano para chamar atenção a causa social

Jonatan Diniz passou quase dez dias detido na Venezuela
Jonatan Diniz passou quase dez dias detido na Venezuela
Foto: Reprodução | Facebook

A família do brasileiro Jonatan Moisés Diniz, de 31 anos, emitiu uma declaração nesta sexta-feira condenando o jovem por ter planejado a sua própria prisão na Venezuela, segundo ele mesmo relatou após ter voltado aos EUA, país onde mora atualmente. Ele ficou detido numa prisão de Caracas por dez dias, período em que os seus parentes e amigos fizeram diversos apelos pela sua soltura. A sua mãe, Renata Diniz, de 60 anos, relatou à imprensa a aflição provocada pela falta de notícias do filho e iniciou uma campanha pelas redes sociais com pedidos de liberdade.

No comunicado, a família de Diniz agradece pela mobilização dos brasileiros enquanto o jovem catarinense estava preso. E pede desculpas pela sua atitude, esclarecendo que não sabia dos seus planos:

Leia também

"Queremos deixar claro que a família enviou todos os esforços para a libertação de Jonatan, o que além de um ato de amor, era sua obrigação moral. Entretanto, a família jamais imaginou que sua prisão fosse resultado de um ato premeditado. Ficamos estarrecidos ao tomar conhecimento das declarações contidas no vídeo publicado por Jonatan. Isso porque, mesmo de forma independente, Jonatan há tempos está direcionado ao ativismo social. Além de agradecer o apoio de todos, pedimos sinceras desculpas pela atitude reprovável de Jonatan".

Após ser libertado da prisão e expulso da Venezuela, Diniz admitiu que queria ir para a cadeia para gerar repercussão e, com isso, alertar sobre a fome das crianças no país. Em vídeo gravado na Califórnia, nos Estados Unidos, ele também criticou o foco da imprensa sobre os maus-tratos que, segundo ele mesmo, sofreu na prisão. Na sua página do Facebook, o catarinense havia relatado ter sido forçado a ficar nu em frente aos outros presos e não ter recebido comida durante vários dias.

"Se eu fui para lá e fui, é porque incitei ser preso. Eu planejei ir para a Venezuela, chamar atenção e ser preso. Admito. Com o dinheiro que eu tenho, não daria para salvar nem cem crianças. Num ato sem medo, fui, falei e enfrentei de cara pessoas poderosas, ligadas ao presidente e às Forças Armadas. Fui para a cadeia justamente porque eu queria ir para a cadeia para acontecer a repercussão, para mostrar que tem criança morrendo de fome. Indo para a cadeia, aconteceu exatamente o meu plano", reconheceu o brasileiro.

No vídeo, publicado em sua conta pessoal do Facebook, Jonatan não detalha o que fez para incitar a própria prisão, ocorrida, segundo ele, quando estava com amigos na praia. Nos últimos dias de dezembro, o dirigente chavista Diosdado Cabello — figura forte do chavismo — anunciou que as autoridades o haviam prendido e acusou o brasileiro de liderar a organização Time to Change, que seria fachada para ações contra o governo do presidente Nicolás Maduro. O número 2 do chavismo chegou a sugerir que a CIA, agência secreta dos EUA, estaria por trás da atuação dele no país sul-americano.

O objetivo, segundo Jonatan, era divulgar o drama das crianças e financiar ajuda para a sua organização. Quanto mais repercussão, mais dinheiro a ONG da qual participa conseguiria arrecadar e, assim, compraria mais comida para os pequenos famintos. Em apelo aos seguidores para espalhar a "vibração do bem", o brasileiro reforçou que não sofreu agressões físicas ou ameaças de morte na cadeia, afirmando que se arriscaria de novo em nome da causa.

"Foram onze dias de apreensão, de orações. Só que a minha vida não é nada. Se eu puder, com tudo isso que eu fiz, salvar uma criança, já valeu tudo a pena. Se eu tiver que arriscar minha vida mais cem vezes, vou arriscar (...) Se algum governo, se alguma polícia quiser me prender por isso, pode me prender. Estou aqui à disposição. Se é para fazer o bem, eu topo arriscar a minha vida", frisou.

 

 

Ver comentários