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País terá vacinas fracionadas contra a febre amarela

Estratégia emergencial será adotada no Rio, São Paulo e Bahia

O ministro da Saúde, Ricardo Barros
O ministro da Saúde, Ricardo Barros
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quatro meses após declarar o fim do surto da febre amarela, o Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (9) que usará doses fracionadas para imunizar as populações dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia contra a doença. A estratégia emergencial, adotada pela primeira vez no país, é usada somente em situações de alto risco de disseminação da doença. A expectativa é atender 19,7 milhões de pessoas, sendo 10 milhões no Rio, entre fevereiro e março.

Ontem, subiu para quatro o número de mortes por febre amarela confirmadas em São Paulo este ano. Um homem de 48 anos que estava internado num hospital da capital morreu no início da tarde. O ministério ainda investiga 92 notificações ocorridas desde julho em quatro estados — além de São Paulo, há também Rio, Minas Gerais e Distrito Federal.

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O fracionamento estudado dividiria uma dose padrão para até cinco pessoas. A medida não prejudica a eficácia ou a segurança da vacina, mas influencia no tempo de proteção — a convencional protege pela vida inteira, e a fracionada, por oito ou nove anos.

No primeiro semestre do ano passado, foram registrados 777 casos de febre amarela e 261 mortes. Segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, que destinará R$ 54 milhões à nova campanha, a declaração do fim da emergência seguiu os parâmetros adequados.

— Declaramos o fim daquele episódio porque 90 dias se sucederam sem nenhum caso suspeito. E a regra é essa. Como (a doença) é sazonal, todo ano teremos essa questão — explica. — Quando terminarmos mais 90 dias sem casos suspeitos, declararemos de novo o fim deste novo processo.

Barros nega que a medida emergencial tenha sido desencadeada por falta de vacinas. O objetivo, sustenta ele, é manter o estoque no momento em que a doença avança pelo país:

— Temos a necessidade de continuar mandando vacinas para toda a área do Brasil com vacinação permanente, a área que queremos vacinar agora e a possibilidade de novos focos. Por isso estamos fracionando: para dar cobertura rápida a outras regiões.

AVANÇO PARA A ÁREA URBANA

Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, a medida emergencial anunciada ontem é extremamente necessária, já que a área de expansão do vírus da febre amarela está muito grande e sua progressão vem acontecendo rapidamente e de modo não esperado. Outra questão é que a febre amarela está se expandindo pela população urbana, sem histórico recente de contato anterior com o vírus.

— Precisamos imunizar muita gente com uma quantidade de estoque pequena. Não há uma produção mundial capaz de suprir essa demanda. — diz. — O fracionamento é uma saída necessária diante do que se dispõe hoje, e ele conta com o respaldo de estudos laboratoriais e experiências em outros países.

Para o casal Rafaela Rodrigues, de 39, e Valmir da Silva, 48, falta mais informação sobre a vacina e também sobre as formas de prevenção da doença. Acompanhados dos filhos de 9 e 7 anos, eles não sabiam que haveria essa divisão da dose.

— Tem também que ampliar a campanha nos postos de vacinação. Acabamos de passar por três, todos fechados — informou a moradora da Sé, região central

O personal trainer paulista Marcio Santos, de 38 anos, torce para que a medida atenda toda a população:

— O número de casos de febre amarela é preocupante. Espero que esses lotes sejam eficazes para atender todo mundo.

Coordenadora do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, Carla Domingues admite que, se a imunização planejada não for eficiente, há risco de um surto ainda maior.

— O vírus agora entrou numa área com elevada densidade populacional — afirma.

O primeiro semestre é quando se registra aumento da transmissão da febre amarela silvestre. As condições climáticas são favoráveis à reprodução dos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, vetores do vírus.

No Rio, a campanha será focada em 15 municípios da região metropolitana. A meta é vacinar 95% dos moradores dessas cidades. No ano passado, o Norte e o Noroeste fluminense receberam mais atenção, sobretudo as cidades próximas às divisas com Espírito Santo e Minas Gerais.

 

 

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