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Barroso: 'Golpe militar é um fantasma de que nos livramos'

Evento em universidade americana celebra os 30 anos da Constituição

Luís Roberto Barroso
Luís Roberto Barroso
Foto: Nelson Jr | STF

Em evento na faculdade de Direito da Universidade de Harvard, hoje pela manhã, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso celebrou os 30 anos de Constituição no Brasil. Durante palestra, Barroso comentou sobre os temores de um golpe militar.

— Não tenho medo de uma ameaça militar. Precisamos falar de coisas boas sobre os militares. Fui um militante contra o regime militar, fui um oponente. E parte do Brasil que não foi um problema nestes últimos 30 anos, desde a Constituição, foram os militares. Eles pagaram um preço muito alto por estarem no poder por tanto tempo e duvido que queiram voltar para lá. Nós e eles aprendemos nossa lição. Golpe militar é um fantasma de que nos livramos.

O ministro disse também estar otimista em relação ao combate a corrupção no país.

— A corrupção sistêmica é um processo cumulativo, sempre esteve lá, não nasceu há dois, três ou dez anos. Ela é sistêmica com participação de membros do Congresso, do Executivo, dos setores privados, das estatais. Mas devemos estar orgulhosos. Provavelmente nenhum outro país no mundo teve a coragem de expor o problema e lidar com ele como estamos fazendo agora. Estou convencido de que nada será como antes no Brasil. É uma luta dura, que se ganha com tempo, e por pontos, não por nocaute, mas estou otimista — disse.

Barroso também comentou a possibilidade de uma nova constituinte, um projeto que não defende.

— Sou completamente contrário a uma nova Constituição agora. Tenho medo do que viria em seu lugar, se decidirmos nos livrar desta. Nossa Constituição não é a ideal, mas cumpriu seu papel na transição do país de um regime autoritário para a democracia.

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