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Brasil tem mais de 8 milhões de pessoas em áreas de risco

Rio é a terceira cidade com maior número de moradores em locais com chance de desabamento ou inundações

Oito anos após tragédia no Morro do Bumba, perigo continua em Niterói
Oito anos após tragédia no Morro do Bumba, perigo continua em Niterói
Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

Mais de 8 milhões de brasileiros vivem em áreas que têm mais risco de sofrer com inundações e deslizamentos de terra. É o que revela pesquisa inédita realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatístico (IBGE) em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

A população que vive em áreas de risco está distribuída em 872 municípios e vive em 2,4 milhões moradias, que muitas vezes foram edificadas em encostas de morro ou fundos de vale, mais suscetíveis a desmoronamentos e enchentes.

— Saber o quantitativo de pessoas que estão em áreas de risco é fundamental para nortear ações, principalmente as ações de prevenção. Se a gente sabe que determinado município tem áreas de risco e tem x pessoas morando nelas, ações podem ser feitas após alertas do Cemaden, como avisar a população antes que o desastre ocorra. E é fundamental também para subsidiar políticas públicas — afirmou a coordenadora de relações institucionais do Cemaden, Regina Alvalar.

O Cemadem foi criado em 2011, justamente após várias regiões do país sofrerem com as fortes chuvas do verão daquele ano. O Centro mapeia áreas de risco e, por meio dos departamentos de defesa civil dos estados e municípios, emite alertas quando vê risco de enchentes e desmoronamentos por conta das condições climáticas.

DESLIZAMENTOS E INUNDAÇÕES

A cidade com maior número de pessoas vivendo em áreas de risco é Salvador (BA). Quase metade da população da capital baiana, cerca de 1,3 milhão de soteropolitanos estão sob risco.

Os pesquisadores dizem que, por ser uma cidade muito antiga, uma das primeiras a serem colonizadas no país, há muitas moradias com maior risco de desabamento em caso de enxurradas.

— É uma cidade com contingente demográfico grande e um relevo bastante movimentado com fundos de vale e enconstas densamente ocupadas — disse Stenner.

No Nordeste, mais de 2,9 milhões de pessoas vivem em áreas de risco. Na Bahia, estão mais de 1,3 milhão desse total. Pernambuco (829 mil) é o segundo estado da região com maior contingente de moradores em áreas de risco.

No Sudeste, está o maior contingente populacional sob risco, o que é considerado natural pelos pesquisadores, porque os estados dessa região têm os maiores centros urbanos e uma topografia que aumenta o risco de deslizamentos e inundações. São mais de 4,2 milhões de pessoas em áreas de risco no Rio (865 mil), São Paulo (1,5 milhão), Minas Gerais (1,3 milhão) e Espírito Santo (502 mil).

— Em Minas, tem mais áreas de risco, porque o relevo é muito montanhoso e tem muitas pequenas áreas de risco. Mas não é o que tem mais (pessoas sob risco), porque em São Paulo, por exemplo, tem contingente demográfico maior e uma população maior em risco numa mesma área — explicou Cláudio Stenner, coordenador de geografia do IBGE.

No Sul, há mais de 703 mil pessoas em áreas sujeitas a inundações e desmoronamentos, e mais da metade delas vivem em Santa Catarina (376 mil). No Norte, são mais de 340 mil pessoas em áreas de risco, a maior parte delas no Amazonas (132 mil).

Os estados no Centro-Oeste concentram o menor número de pessoas em áreas de risco: apenas 7,6 mil.

Os pesquisadores ressaltam que o cálculo do número de pessoas em áreas de risco levou em conta os dados do censo demográfico de 2010. Desde então, a população aumentou, e esses moradores podem ter se mudado. Mas, na avaliação deles, o quadro de risco não se alterou muito por isso.

— Não é um número desprezível. É um contigente que precisa ser olhado com especial atenção. Óbvio que é uma estimativa. Esse dado foi levantado a partir do cruzamento das áreas de risco mapeadas com dados coletados em 2010. Estamos em 2018, mas é um número que não mudou muito significativamente, porque idosos morreram, mas crianças nasceram. Embora seja uma estimativa, é um número que poderá ser atualizado a partir de 2020. Mas 8 milhões de pessoas é muita gente — argumentou Regina Alvalar.

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