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Barragem em MG: devastação pode levar a surto de febre amarela

Extensão da lama proporciona proliferação de mosquitos que são vetores de doenças

Rompimento de barragem em Brumadinho, Minas Gerais
Rompimento de barragem em Brumadinho, Minas Gerais
Foto: O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO

A extensão dos danos ambientais provocados pelo rompimento da barragem de Brumadinho pode levar a surtos de doenças como dengue e febre amarela nos próximos meses.

Doutora em Microbiologia e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Leila dos Santos Macedo alerta que a extensão da lama rompeu o equilíbrio do ecossistema, alterando a presença de predadores e vetores de doenças.

Em 2017, dois anos após o rompimento da barragem de Mariana (MG), foi registrado um aumento de casos de febre amarela. Para especialistas, o fenômeno ocorreu devido ao estresse causado pelos animais na área durante a tragédia ambiental, tornando-os mais suscetíveis a doenças.

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Com mais animais doentes, maior é a quantidade de mosquitos infectados. Como o habitat é destruído, os insetos têm mais contato com o homem, aumentando os casos da doença.

"O desequilíbrio ambiental prejudica até o ecossistema marinho, já que a lama chega à bacia do Rio Paraopeba, afluente do rio São Francisco", explica Leila. "Os fatores climáticos podem contribuir para que os surtos ocorram com ainda mais rapidez, porque a proliferação de insetos é comum no verão".

Leila reivindica investimentos em estruturas que reduzam a ocorrência de catástrofes ambientais:

"Precisamos de tecnologias para armazenar rejeitos antes que contaminem os lençóis freáticos".

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