Notícia

O que se sabe até agora sobre o rompimento da barragem em Brumadinho

Barragem da Vale se rompeu e invadiu cidade mineira; companhia diz não ter "confirmação sobre a causa do acidente" e admite possibilidade de vítimas

Barragem da Vale se rompe em Brumadinho, na Grande BH, em Minas Gerais
Barragem da Vale se rompe em Brumadinho, na Grande BH, em Minas Gerais
Foto: Divulgação | Corpo de Bombeiros

Uma barragem da Vale se rompeu e invadiu a cidade de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, na tarde desta sexta-feira (25). Os rejeitos da barragem atingiram casas e parte de uma comunidade. Trabalhadores da mineradora estavam na área administrativa da barragem que se rompeu. Bombeiros atuam na busca por vítimas. Ainda não há informações se há mortos. Fotos mostram devastação da região. Moradores relatam que a cidade está um "pandemônio". A Vale diz que "não há confirmação da causa do acidente".

TRAGÉDIA

No início da tarde desta sexta-feira (25) uma barragem da Vale se rompeu e invadiu a cidade de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

O Corpo de Bombeiros local foi acionado para os primeiros-socorros e sobrevoa a região com um helicóptero.

Lama espalhada após rompimento de barragem na Região Metropolitana de Belo Horizonte
Lama espalhada após rompimento de barragem na Região Metropolitana de Belo Horizonte
Foto: Corpo de Bombeiros de MG

VÍDEOS

Vídeos publicados nas redes sociais mostram como ficou a situação de Brumadinho, em Minas Gerais, após o rompimento da barragem da Vale.

O QUE DIZ A VALE

A mineradora Vale confirmou o rompimento de sua barragem na Mina Feijão, em Brumadinho (MG), e disse que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. A mineradora disse que há possibilidade de vítimas e que "não há confirmação sobre a causa do acidente".

Em nota, a Vale disse que ativou o seu plano de atendimento a emergências para barragens. E ressaltou que a prioridade total, neste momento, é preservar e proteger a vida de empregados (próprios e terceiros) e de integrantes da comunidade atingida.

“A companhia lamenta profundamente o acidente e está empenhando todos os esforços no socorro e apoio aos atingidos”, disse, em nota.

200 DESAPARECIDOS, SEGUNDO CORPO DE BOMBEIROS

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais afirmou que cerca de 200 pessoas estão desaparecidas após o rompimento da barragem 1 da Mina Feijão, da mineradora Vale.

Segundo a empresa, a área administrativa, onde estavam funcionários, foi atingida, assim como a comunidade da Vila Ferteco. A lama agora começa a chegar ao centro do município, pelo leito do Rio Paraopebas, que abastece 6 milhões de pessoas e é afluente do Rio São Francisco. Por enquanto, quatro pessoas foram socorridas e encaminhadas ao hospital.

ONDA E ESTRONDO

"Fui acordado por um grande estrondo, seguido de um barulho crescente. Quando saí, viu uma nuvem de poeira gigantesca e uma onda de lama. Era uma onda que vinha por cima da outra e um ronco das coisas sendo arrastadas", contou o funcionário de uma empresa que presta serviços à Vale.

Mayke, que atua na lavagem de caminhões da companhia, disse que estava em um dormitório próximo de onde a lama passou, numa área que não foi atingida.

O biólogo Luiz Guilherme Fraga e Silva, 27, disse que se salvou "por uns 30 segundos". Mineiro de Belo Horizonte, ele fazia um trabalho de campo em Brumadinho, tirando fotos da comunidade, quando viu um tsunami de lama vindo em direção à ponte em que estava.

"Saiu varrendo tudo e eu fui correndo para um trevo próximo. Vi todo mundo saindo gritando das casas e a lama levando os fios de postes de luz, tudo caindo", contou Luiz Guilherme.

MORADORES PODEM SER ATINGIDOS

A Defesa Civil de Brumadinho pediu para moradores de áreas de risco deixarem suas casas como medida de segurança. Eles devem procurar um lugar seguro. Devem deixar suas casas aqueles que moram nos seguintes bairros de Brumadinho: Canto do Rio, Pires, Amianto, São Torrado, Alberto Flores e Parque da Cachoeira.

HOSPITAL TEM PLANO DE CATÁSTROFE

O Hospital João XIII, de Belo Horizonte, acionou um plano de catástrofe para atender possíveis vítimas da tragédia. Equipes da unidade deixaram tudo preparado para receber vítimas, transferindo pacientes para determinadas alas com o objetivo de dar atendimento prioritário aos que necessitam de primeiros-socorros.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES), até o momento, duas mulheres deram entrada no hospital.

MUSEU DO INHOTIM

O Inhotim, que é o maior centro de arte ao ar livre da América Latina, fica na cidade de Brumadinho. O local não foi atingido e não se sabe se a lama pode alcançar o parque. Mais de mil pessoas foram retiradas às pressas do museu. O centro de arte recebe cerca de mil visitantes por dia e tem 600 funcionários. Não há informações sobre quantas pessoas estavam no espaço no horário do fechamento.

CURSO DO RIO

Segundo apurou o jornal O Tempo com a Defesa Civil de Brumadinho, a tendência é de que os resíduos do rompimento sigam para o rio Paraopeba, que passa pelo Estado de Minas Gerais. A extensão do rio Paraopeba é de 546,5 km e sua bacia cobre 12.090 km² e 35 municípios, de acordo com informações da Secretaria de Turismo de Minas.

RIO É MONITORADO

Uma equipe da Defesa Civil da Região Metropolitana de Belo Horizonte está monitorando as margens do rio Paraopeba, na altura da Colônia Santa Isabel, no ponto que liga Betim a São Joaquim de Bicas, para monitorar o nível da água e verificar se há risco de o rio transbordar, informou o jornal O Tempo.

PONTE INTERDITADA

O rompimento da barragem fez com que a ponte que passa sobre o rio Paraopeba fosse interditada, segundo apurou o jornal O Tempo. Estradas próximas ao rio também foram interditadas.

MULHER RESGATADA

Mulher é resgatada da lama por bombeiros após rompimento de barragem em Brumadinho, Minas Gerais
Mulher é resgatada da lama por bombeiros após rompimento de barragem em Brumadinho, Minas Gerais
Foto: Reprodução/TV Record

Imagens feitas pelo helicóptero da TV Record mostraram o momento em que os bombeiros, a bordo de outra aeronave, tentaram retirar uma mulher da lama dos rejeitos. Quatro homens tentaram puxar a vítima do meio da lama, sem sucesso. O resgate só foi possível com a ajuda de uma corda. A operação é complicada pela impossibilidade de o helicóptero do Corpo de Bombeiros pousar no local, que está tomado pela lama.

FORÇA-TAREFA

O governo de Minas Gerais criou uma força-tarefa e um gabinete de crise para acompanhar e tomar as primeiras medidas após o rompimento da barragem. O Corpo de Bombeiros, por meio do Batalhão de Emergências Ambientais, e a Defesa Civil estão no local e há dois helicópteros sobrevoando a região. A Secretaria Nacional de Defesa Civil está mobilizada para atuar no socorro das vítimas e apoiar as operações do Estado e dos municípios.

GABINETE DE CRISE

O governo federal montou um gabinete de crise para acompanhar a situação do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Este gabinete vai coordenar os esforços de todos os ministérios que estarão envolvidos na busca de soluções para o rompimento da barragem e para redução de danos.

BOLSONARO LAMENTA E ENVIA MINISTROS

Em viagem a Davos, na Suíça, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou pelas redes sociais.

"Lamento o ocorrido em Brumadinho-MG. Determinei o deslocamento dos ministros do Desenvolvimento Regional e Minas e Energia, bem como nosso secretario Nacional de Defesa Civil para a região", postou em sua conta oficial no Twitter.

Em seguida, o presidente disse que o ministro de Meio Ambiente também está a caminho da cidade.

CLIMA EM BRUMADINHO

"O clima na cidade é o pior possível", afirmou o presidente do Sindicato Metabase de Brumadinho, Agostinho José de Sales. Em entrevista para o jornal O Tempo, ele explicou que ainda não há informações concretas sobre o estado de saúde das pessoas que estavam próximas ao rompimento, e que o acesso ao local está complicado, já que a lama impede a passagem.

COMPARAÇÃO DE BARRAGENS

A barragem que se rompeu em Brumadinho tinha volume de 1 milhão de metros cúbicos de rejeito de mineração. O volume é menor em comparação com a barragem do Fundão, em Mariana, que se rompeu em 2015. De acordo com o Ibama, a barragem de Mariana tinha um volume de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Segundo a Vale, a barragem VI do Córrego do Feijão foi construída em 1998 e era usada para recirculação de água da planta e contenção de rejeitos em eventos de emergência. A Mina Córrego Feijão conta com outras barragens, que funcionam desde 1976, informou o jornal O Estado de Minas.

NOTA DO IBAMA

Em nota, o Ibama informou que o empreendimento está situado na Bacia do São Francisco, em um tributário do Rio Paraopebas. "Em primeira análise, entende-se que a primeira estrutura receptora dos impactos seria a barragem de Retiro Baixo, a mais de 150 quilômetros do ponto de rompimento. Principais preocupações dos órgãos no momento: resgate de vítimas e proteção de pontos de captação de água", diz o órgão.

MOVIMENTO DOS ATINGIDOS: "TRAGÉDIA ANUNCIADA"

O Movimento dos Atingidos por Barragens prestou solidariedade aos atingidos pelo rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão, que pertence à mineradora Vale, no início da tarde. “Há apenas três anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, mais um crime contra a vida é fruto desse modelo que apenas provoca tragédias anunciadas”.

Por meio de comunicado, o movimento diz ter denunciado o atual modelo de mineração utilizado no país, citando "empresas privatizadas e multinacionais que visam ao lucro a qualquer custo”. “Mais uma vez, o lucro está acima de vidas humanas e do meio ambiente”, destacou a nota.

BARRAGEM ERA CONSIDERADA DE "BAIXO RISCO" PELO GOVERNO

A barragem está classificada pela Agência Nacional de Mineração (AMN) como uma estrutura de “baixo risco”. A categoria refere-se à possibilidade de haver algum desastre e rompimento da estrutura.

Por outro lado, segundo informações do Cadastro Anual de Barragens, o dano potencial que seu rompimento poderia causar é classificado como “alto”. A barragem da Vale está localizada em um complexo de minas e barragens de rejeitos. A Vale detém outras estruturas para armazenamento de materiais no mesmo local.

CASAGRANDE: "COLOQUEI NOSSO GOVERNO A DISPOSIÇÃO"

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, publicou nas redes sociais que entrou em contato com o governo de Minas Gerais e colocou o governo capixaba à disposição para ajudar no que for preciso diante do rompimento da barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte. 

Na postagem, Casagrande disse que ficou "muito comovido com mais essa tragédia que atingiu o povo mineiro". "Além dos prejuízos ao meio ambiente, o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, afetou várias comunidades locais, levando tristeza a seus moradores", publicou.

O governador disse ainda que, em contato com o governo de Minas, prestou solidariedade em nome dos capixabas.

ALVO DE FISCALIZAÇÃO EM 2016

A barragem de Brumadinho foi alvo de uma “diligência” por uma série de especialistas em segurança de barragem, em dezembro de 2016. Durante a visita à “barragem de rejeitos B6”, do complexo Paraopeba, da Mineradora Vale, na mina Córrego do Feijão, em Minas Gerais, os agentes “discutiram e colocaram em prática importantes questões relacionadas a gestão da segurança de barragens debatidas durante as aulas”, segundo informações divulgadas à época pelo Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), hoje convertido na Agência Nacional de Mineração (ANM).

MARINA SILVA: "É INADMISSÍVEL QUE PODER PÚBLICO E EMPRESAS NÃO APRENDAM"

A ex-ministra do Meio Ambiente e candidata à presidência Marina Silva comentou, em seu perfil no Twitter, o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho.

Marina também afirmou que está em contato com a prefeitura de Belo Horizonte.

Organizações não governamentais, como Instituto Socioambiental e Greenpeace, também se manifestaram na rede social.

LAMA NÃO VAI ATINGIR O ES, DIZEM ESPECIALISTAS

 

Populares observam destruição causado pelo rompimento da barragem da Mineradora Samarco no subdistrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana (MG)
Populares observam destruição causado pelo rompimento da barragem da Mineradora Samarco no subdistrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana (MG)
Foto: MÁRCIO FERNANDES

O Gazeta Online conversou com especialistas que são categóricos em afirmar que os rejeitos da barragem do Córrego do Feijão, cerca de um milhão de toneladas de lama, não chegará ao Espírito Santo. A explicação é simples: o rio Paraopeba, atingido com o rompimento, não faz parte da Bacia do Rio Doce.

BARRAGEM PODE SERVIR DE "BARREIRA DE PROTEÇÃO"

De acordo com matéria publicada pelo Jornal O Globo, um relatório foi repassado por técnicos do governo ao ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. O documento mostra que os rejeitos da barragem da Vale realmente devem atingir nas próximas horas o reservatório da Hidrelétrica de Retiro Baixo, a cerca de 150 quilômetros do local do desastre.

Os técnicos que estudaram o caso afirmaram que os rejeitos poderão chegar ao Rio Paraopeba e serem canalizados até Retiro Baixo, que pode servir como uma espécie de barreira de proteção de contenção para evitar que os rejeitos de minério atinjam o Rio São Francisco.

MINA ONDE BARRAGEM SE ROMPEU PRODUZ 7% DO MINÉRIO DE FERRO DA VALE

Barragem da mineradora Vale se rompe e atinge Brumadinho
Barragem da mineradora Vale se rompe e atinge Brumadinho
Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

O complexo da Vale onde está barragem que se rompeu, em Brumadinho (MG), responde por 7% da produção de minério de ferro da companhia. Os dados estão no relatório de produção do terceiro trimestre, informação mais recentes divulgada.

O complexo Paraopeba, onde está a barragem da Mina do Feijão, produziu 7,3 milhões de toneladas entre julho e setembro de 2018, o que equivale a 7% da produção total.

A barragem que se rompeu, segundo a companhia, é a Barragem I. Em seu site, a Vale informa que ela foi construída em 1976 e já não recebia mais rejeitos porque o processo de beneficiamento do minério passou a ser feito a seco. As informações foram atualizadas no site em março do ano passado. A Vale dizia que a barragem tinha volume de 12,7 milhões de metros cúbicos.

VALE ADMITE QUE REJEITOS ATINGIRAM VILAREJO

Após o rompimento da barragem, a Vale admitiu que os rejeitos da barragem atingiram um vilarejo da cidade e que a prioridade agora é resgatar as vítimas. 

"As primeiras informações indicam que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. Ainda não há confirmação se há feridos no local. A prioridade total da Vale, neste momento, é preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade", informou a Vale.

AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS ESTÁ MONITORANDO ONDA DE REJEITOS

A Agência Nacional de Águas (ANA) informou que está monitorando a onda de rejeitos após o rompimento da barragem.

Segundo a agência, havia a preocupação de que o rejeito atingisse a Usina Hidrelétrica Retiro Baixo, mas que a barragem da usina, localizada a 220 quilômetros (km) do local do rompimento, possibilitará amortecimento da onda de rejeito. "Estima-se que essa onda atingirá a usina em cerca de dois dias", diz a nota. A agência disse ainda que está coordenando ações para manutenção do abastecimento de água e a qualidade para as cidades que captam água ao longo do Rio Paraopeba.

BOLSONARO: ROMPIMENTO PODERIA SER EVITADO E CASO PODE SER MAIS GRAVE

Em entrevista a uma rádio de Brumadinho, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o rompimento da barragem da cidade poderia ser evitado. "A gente lamenta profundamente o ocorrido, a gente sabe que, a princípio, esse tipo de acidente pode ser evitado sim, nós temos só em MG em torno de 450 represas que acumulam esses resíduos aí que vêm da mineração", afirmou.

Bolsonaro voltou a lamentar o rompimento de uma barragem e disse que gravidade do caso pode ser superior à esperada. "Dado o ocorrido, lamentamos mais uma vez e há a possibilidade sim de ser mais grave do que se está pensando porque atingiu sim o reservatário de funcionários da Vale", afirmou em entrevista à Rádio Regional de Brumadinho 87.9 FM.

RIO DE BRUMADINHO DESCE NÍVEL E CIDADE É TOMADA POR BOATOS

Rompimento de barragem em Brumadinho, Minas Gerais
Rompimento de barragem em Brumadinho, Minas Gerais
Foto: MOISéS SILVA/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO

Moradores de Brumadinho (MG) viveram momentos de tensão com o rompimento de pelo menos uma barragem da mineradora Vale na cidade. Uma onda de boatos tomou conta do local. Os relatos são agravados pelo fato de que o rio Paraupebas, que corta a cidade, desceu de nível próximo ao centro.

Moradores acreditam que a onda de lama e rejeitos vindo da barragem rompida tenha fica represada em algum ponto e que a qualquer momento uma enxurrada pode varrer os bairros que ficam à beira do rio e também próximos a córregos que conectam com o Paraupebas.

Bombeiros, Defesa Civil e policiais militares e civis percorrem as áreas de risco da região orientando moradores a deixarem suas casas. 

REJEITO ATINGIU RIO PARAOPEBA, AFIRMA BOMBEIROS

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o rejeito que vazou da Mina Feijão atingiu o Rio Paraopeba às 15h50. 

Mais cedo, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), empresa vinculada ao governo mineiro, informou que poderia alterar a forma de abastecimento de água da região metropolitana de Belo Horizonte, que é atendida pelo Sistema Paraopeba. A estatal, porém, assegurou que a população não seria prejudicada.

NOTIFICAÇÃO

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) divulgou nota informando que às 13h37 foi comunicada do rompimento pelo gerente de segurança e emergências ambientais da Vale. Equipes do Núcleo de Emergência Ambiental da Semad se deslocaram para o local do acidente para verificar a ocorrência e tomar as providências necessárias.

"O empreendimento, e também a barragem, estão devidamente licenciados, sendo que, em dezembro de 2018, obteve licença para o reaproveitamento dos rejeitos dispostos na barragem e para seu descomissionamento [encerramento de atividades]. A barragem não recebia rejeitos desde 2014 e tinha estabilidade garantida pelo auditor, conforme laudo elaborado em agosto de 2018. As causas e responsabilidades pelo ocorrido serão apuradas pelo governo de Minas", informou a pasta.

REJEITO DEVE CHEGAR À HIDRELÉTRICA DE FURNAS

A estatal Furnas, do grupo Eletrobrás, monitora a chegada dos rejeitos da barragem de Brumadinho (MG) em sua hidrelétrica Retiro Baixo, que funciona no rio Paraopebas, podendo comprometer as operações da usina.

A barragem da usina hidrelétrica Retiro Baixo, confirmou a Agência Nacional de Águas (ANA), está localizada a 220 km do local do rompimento e "possibilitará amortecimento da onda de rejeito". Segundo a ANA, "estima-se que essa onda atingirá a usina em cerca de dois dias".

ARGENTINA PRESTA SOLIDARIEDADE

 O governo da Argentina se solidarizou com o Brasil em decorrência do rompimento da barragem de Brumadinho.

“O governo argentino expressa seu pesar e condolências ao governo e ao povo do Brasil pelas numerosas vítimas fatais que foram provocadas pelo rompimento da barragem de contenção de resíduos da mineradora Vale, em Brumadinho, estado de Minas Gerais”, divulgou, em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

A nota informa ainda que a expectativa do governo argentino é que as vítimas possam retornar a suas casas e que os feridos se recuperem logo. O número de pessoas atingidas não foi divulgado. A estimativa do Corpo de Bombeiros é que cerca de 200 pessoas estejam desaparecidas na região.

SIRENES DE EMERGÊNCIA NÃO FUNCIONARAM DURANTE ROMPIMENTO

Em meio ao caos que assolou a Brumadinho, um fato chamou a atenção de moradores dos arredores do local: apesar de a Vale ter instalado sistemas de segurança para informar sobre eventuais transtornos que poderiam acontecer, as sirenes não funcionaram.

Quem garante são os moradores dos arredores da mina do Feijão, ainda assustados pela lama que tomou conta do local. Segundo o tenente Pedro Aihara, chefe da comunicação social do Corpo de Bombeiros, em entrevista concedida à GloboNews, eles foram unânimes ao informar que as sirenes de emergência, que deveriam informar sobre o perigo iminente, não funcionaram.

COMITÊ AVALIA QUE DESASTRE PODE SER MAIOR DO QUE O DE MARIANA

Equipe do comitê de crise do governo federal, criado para acompanhar o rompimento de três barragens de Brumadinho, em Minas Gerais, avalia que o desastre pode ter proporções maiores do que o acidente ocorrido há três anos, em Mariana. Pelo menos 200 pessoas estão desaparecidas, segundo informações do Corpo de Bombeiros.

O acidente desta vez atingiu a parte administrativa da Vale. Trabalham na unidade 613 pessoas, em três turnos, além de 28 profissionais terceirizados. O receio é de que o número de vítimas no acidente seja bem mais elevado, sobretudo de funcionários da empresa.

PRESIDENTE DA VALE: "NÃO CONHECEMOS DIMENSÃO, NEM CAUSA DO ACIDENTE"

O presidente da Vale, Fabio Schvarstman, disse estar "consternado" com o rompimento da barragem da mineradora. Segundo ele, a mineradora ainda não conhece as causas da tragédia nem sua dimensão exata.

Schvartsman falou também que a empresa ainda não tem a exata dimensão da tragédia e que aguarda melhores condições climáticas para embarcar em um voo para o local

A primeira manifestação pública do presidente da empresa reproduz mensagens que já haviam sido divulgadas pela companhia por meio de notas. Mais cedo, um comunicado da Vale afirmou que "a prioridade máxima da empresa, neste momento, é apoiar nos resgates para ajudar a preservar e proteger a vida de empregados, próprios e terceiros, e das comunidades locais".

Em nota, a mineradora afirma que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco, mas diz que ainda tem confirmação sobre a presença de feridos no local.

FOTOS DE ANTES E DEPOIS MOSTRAM DEVASTAÇÃO EM BARRAGEM

Imagens do antes e o depois do rompimento impressionam. Publicado no site mineiro O Tempo, o cruzamento das imagens foi feito pelo cientista de computação Guilherme Mascarenhas que aliou o conhecimento da área atingida com as coordenadas do Google. 

VEJA

Made with Flourish

A foto da esquerda é do Corpo de Bombeiros. A da direita é reprodução do Google Earth de junho de 2018. 

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE: TRÊS BARRAGENS SE ROMPERAM

O Ministério do Meio Ambiente informou que foram três barragens que se romperam em Brumadinho (MG), e não apenas uma. As estruturas ficam na região da Mina Córrego do Feijão e romperam nesta tarde em mais um desastre ambiental envolvendo a mineradora Vale.

CHEGA A 5 NÚMERO DE VÍTIMAS DE ROMPIMENTOS ATENDIDAS EM HOSPITAL

Por volta das 19h, o Hospital João XXXIII, de Belo Horizonte, atualizou o número de vítimas que deram entrada na unidade. Até o momento, cinco pessoas passam por avaliação médica e fazem exames. As vítimas são 3 mulheres (15, 22 e 43 anos) e 2 homens (ambos com 55 anos). O quadro é considerado estável e todos estão conscientes.

PARENTES DE DESAPARECIDOS FAZEM RONDA EM HOSPITAIS

Familiares de funcionários que trabalham nas barragens da Vale, em Brumadinho, fizeram rondas em hospitais de Belo Horizonte em busca de informações sobre possíveis sobreviventes da tragédia do rompimento de uma barragem da mineradora Vale.

O engenheiro de produção da Vale, Bruno Rocha Rodrigues, 26, é um dos desaparecidos. O pai dele, Marcos de Paula Rodrigues, 47, técnico em mecânica, esteve no local da tragédia, mas não conseguiu nenhuma notícia sobre o filho.

Bruno estava há dois anos na empresa e trabalhava numa sala que fica ao lado do refeitório, uma das áreas atingidas pela lama. Falou com o filho às 9h15 por um aplicativo de mensagens. Desde o rompimento, o celular dele está desligado.

A família de Fauller Douglas da Silva, 28, fez uma ronda pelos hospitais de Belo Horizonte e chegou a ir a Brumadinho na tentativa de encontrá-lo. Fauller trabalha há dois anos na barragem da Vale como soldador. O último contato que fez com a família foi às 12h20 desta sexta-feira por meio de um aplicativo de mensagens. Após o rompimento das barragens, a família tentou falar com ele, mas o celular está desligado.

Maria da Glória foi ao Hospital João 23, em Belo Horizonte, atrás de informações sobre o seu filho, Hebert Vilhena Santos. “Deus está no controle. Confio que vou encontrar meu filho com vida”, disse, muito emocionada.

ANM DIZ QUE VALE FEZ VISTORIA EM DEZEMBRO E NÃO ACHOU PROBLEMAS

A Agência Nacional de Mineração (ANM) declarou que a mineradora Vale vistoriou, em dezembro, estrutura da barragem de Brumadinho (MG), que rompeu nesta sexta-feira, 25, sem ter apontado qualquer tipo de falha de segurança. 

A ANM, que é responsável por fiscalizar barragens de rejeito mineral, afirmou ainda que três relatórios técnicos da Vale que garantiam a estabilidade da estrutura da barragem de Brumadinho (MG) foram apresentados ao longo do ano passado.

7 MORTOS E CERCA DE 150 DESAPARECIDOS, SEGUNDO O GOVERNO

As equipes de resgate que atuam na área do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho já resgataram sete corpos, segundo informou em nota o governo de Minas Gerais. Ainda não há a identificação das vítimas fatais. Foram retiradas nove pessoas com vida da lama e cerca de 100 pessoas ilhadas foram resgatadas. O governo informa que, segundo dados transmitidos pelo representante da Vale ao governador Romeu Zema, havia 427 pessoas no local, sendo que 279 foram resgatadas vivas. Cerca de 150 pessoas desaparecidas, no momento, com vinculação à empresa. Bombeiros já solicitaram o nome dessas pessoas à empresa.

DEVASTAÇÃO PODE LEVAR A SURTO DE FEBRE AMARELA

A extensão dos danos ambientais provocados pelo rompimento da barragem de Brumadinho pode levar a surtos de doenças como dengue e febre amarela nos próximos meses.

Doutora em Microbiologia e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Leila dos Santos Macedo alerta que a extensão da lama rompeu o equilíbrio do ecossistema, alterando a presença de predadores e vetores de doenças. Com mais animais doentes, maior é a quantidade de mosquitos infectados. Como o habitat é destruído, os insetos têm mais contato com o homem, aumentando os casos da doença.

 

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