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Documentos mostram que Vale sabia de risco da barragem desde outubro

Documento é a primeira evidência de que a própria Vale estava preocupada com a segurança da barragem

Foto: MOISÈS SILVA

A Vale, maior produtora global de minério de ferro, estava ciente no ano passado de que a barragem de rejeitos de Brumadinho que entrou em colapso no mês passado, matando pelo menos 165 pessoas, tinha um risco elevado de ruptura, segundo documento interno visto pela Reuters na segunda-feira (11).

O relatório, datado de 3 de outubro de 2018, mostra que, segundo a própria Vale, a barragem da mina de minério de ferro Córrego do Feijão, tinha duas vezes mais chance de se romper do que o nível máximo tolerado pela política de segurança da empresa.

O documento é a primeira evidência de que a própria Vale estava preocupada com a segurança da barragem.

 

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Um outro relatório da Vale datado de 15 de novembro de 2017, também visto pela Reuters, afirma que qualquer estrutura com uma chance de falha acima de 1 em 10.000/ano deve ser levada à atenção do presidente-executivo e do Conselho de Administração.

A barragem de Córrego de Feijão tinha uma chance de colapso duas vezes maior que o “nível máximo de risco individual” tolerável, ou 1 em 5.000/ano, segundo o relatório.

“Isso não é bom na minha opinião, especialmente se você considerar que essas estruturas são de longo prazo”, disse David Chambers, geofísico do Centro de Ciência em Participação Pública, em Montana, e especialista em barragens de rejeitos.

A mineradora disse em seu comunicado por e-mail que “a criação de um alerta para a alta gestão, sugerida em novembro de 2017, passou a ser estudada dentro do contexto da integração do risco geotécnico ao risco dos negócios da Vale”.

Perguntada sobre o que veio dessa discussão, a Vale disse que tal alerta não havia sido implementado.

SOB INVESTIGAÇÃO

A Vale disse que as causas da ruptura ainda estão sendo investigadas. A empresa afirmou repetidamente que a barragem foi declarada como sólida por um auditor independente em setembro.

A auditoria da alemã TÜV SÜD, que foi vista pela Reuters, disse que a represa atendeu as exigências legais mínimas de estabilidade, mas levantou uma série de preocupações, particularmente sobre os sistemas de drenagem e monitoramento da represa.

O auditor fez 17 recomendações para melhorar a segurança da barragem. A Vale disse que as recomendações eram rotineiras e que a empresa atendia a todas elas.

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O relatório interno de outubro identifica a liquefação estática e a erosão interna como as causas mais prováveis de uma falha potencial. Ainda não se sabe a causa do colapso da barragem em Brumadinho, mas uma autoridade ambiental do Estado disse à Reuters neste mês que todas as evidências apontavam para a liquefação.

A liquefação é um processo pelo qual um material sólido como areia perde força e rigidez e se comporta mais como um líquido. Foi a causa de outro colapso mortal em 2015, que resultou no pior desastre ambiental do Brasil.

“Nós costumávamos dizer que esses tipos de incidentes de mineração eram atos de Deus, mas agora... nós os consideramos fracassos na engenharia”, disse Dermot Ross-Brown, engenheiro da indústria de mineração que leciona em instituição no Colorado.

A Vale disse que vai investir cerca de 400 milhões de dólares a partir de 2020 para reduzir sua dependência de barragens de rejeitos, que armazenam detritos da mineração.

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