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Promotores investigam ligação de massacre em Suzano com radicais

A conduta dos jovens durante ataque a estudantes e funcionários, como o uso de capuzes, os tipos de armas e os disparos contra uma pessoa fora da escola, sugerem táticas adotadas por grupos de ódio

FR12 SÃO PAULO - SP - 14/03/2019 - CIDADES - TIROTEIO - ESCOLA ESTADUAL RAUL BRASIL - SUZANO - Velório dos corpos de seis das vítimas do ataque ocorrido na Escola Estadual Professor Raul Brasil, nesta quinta-feira, 14, na Arena Max Feffer, em Suzano, na Grande São Paulo. Dois ex-alunos assassinaram oito pessoas, incluindo cinco alunos, e depois da ação cometeram suicídio na quarta-feira, 13. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO
FR12 SÃO PAULO - SP - 14/03/2019 - CIDADES - TIROTEIO - ESCOLA ESTADUAL RAUL BRASIL - SUZANO - Velório dos corpos de seis das vítimas do ataque ocorrido na Escola Estadual Professor Raul Brasil, nesta quinta-feira, 14, na Arena Max Feffer, em Suzano, na Grande São Paulo. Dois ex-alunos assassinaram oito pessoas, incluindo cinco alunos, e depois da ação cometeram suicídio na quarta-feira, 13. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO
Foto: FELIPE RAU

Promotores de São Paulo investigam a possibilidade de o massacre ocorrido na escola estadual de Suzano, nesta quarta-feira (13), ter ligação com organizações radicais que promovem crimes de ódio ao redor do mundo.

Segundo a investigação, a conduta dos jovens durante ataque a estudantes e funcionários, como o uso de capuzes, os diferentes tipos de armas e o fato de terem disparado contra uma pessoa fora da escola, sugerem táticas adotadas por grupos de ódio. A investigação corre em sigilo.

"Não podemos descartar nenhuma área de investigação, e devemos traçar medidas preventivas para que esse tipo de crime não volte a ocorrer", disse o procurador-geral do estado, Gianpaolo Poggio Smanio. O massacre deixou oito mortos e 11 feridos.

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Os computadores de Luiz Henrique de Castro, 25, e Guilherme Taucci Monteiro, 17, foram apreendidos e estão sendo analisados por promotores do Gaeco, grupo do Ministério Publico dedicado a investigar o crime organizado. "No Gaeco temos quadros especializados em investigações cibernéticas que estão atuando nesse caso", disse o procurador-geral.

A investigação abordará se os dois jovens participavam de grupos de discussão ligados a grupos terroristas na chamada internet profunda, em que a troca de mensagens ocorre sob pesada criptografia, sem acesso por meio de sites de busca e com monitoramento mais difícil.

Por causa dessa linha de investigação, o Ministério Público tem usado o termo "terrorismo doméstico" pela primeira vez para se referir ao tipo de crime praticado pelos jovens na escola estadual em Suzano.

O uso do termo "terrorismo" é defendido pelo procurador-geral, apesar de significar atos de destruição em massa em associação a uma causa política e/ou religiosa, o que não parece ter sido o caso na escola, ao menos neste primeiro momento das investigações.

O massacre deixou ao menos oito mortos: cinco estudantes, duas funcionárias da escola e o tio de um dos atiradores, morto em um lava-jato pouco antes de eles seguirem para o colégio. O velório foi realizado na manhã desta quinta-feira em um ginásio da cidade da Grande São Paulo. Milhares foram ao local prestar homenagens, formando uma grande fila do lado de fora. Alguns familiares chegaram a passar mal, sendo atendidos em ambulâncias

A polícia investiga também o envolvimento de uma terceira pessoa no crime.

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