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Grupos e perfis nas redes sociais reúnem quem adota cães especiais

Os criadores trocam experiências sobre os desafios de cuidar de cães e outros pets com mobilidade reduzida, por exemplo

Olívia, uma cadelinha paraplégica adotada por Flávia Panella, que mantém uma conta no Instagram para relatar a rotina de um "cãodeirante"
Olívia, uma cadelinha paraplégica adotada por Flávia Panella, que mantém uma conta no Instagram para relatar a rotina de um "cãodeirante"
Foto: Reprodução / Instagram - Olivia de Rodinhas

Tem que ter muito amor envolvido para superar os desafios de cuidar de um animal de estimação com problemas de saúde. No entanto, não é preciso lidar com tudo isso sozinho. O grupo de WhatsApp Amigos de Rodinhas reúne cem pessoas que têm cachorros ou gatos que são paraplégicos ou possuem alguma limitação física. Na rede social, os integrantes trocam dicas e dão apoio emocional uns aos outros.

Esse amparo a tutora do golden retriever Troy não encontrou há sete anos quando ele caiu da escada e se tornou paraplégico. "As pessoas falavam muitas coisas que me incomodavam e eu resolvi mostrar como era ter um cachorro especial.

Precisamos falar sobre isso, mostrar que é possível viver com um pet especial", conta Aline Prado Rodrigues, que criou o perfil no Instagram Golden Terriever e o grupo de WhatsApp Amigos de Rodinhas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Lidar com a sua falta não é fácil. Mas como passar por essa fase? Está tudo bem, tenho me dedicado aos nossos projetos e até fiquei meio loira em sua homenagem. Doge é Thor estão cuidando bem da mamãe, não se prepcupe. Doge já me espera na porta do banheiro quando eu tomo banho e o Thor está dormindo no seu lugar na cama da vovó. Espero que você também esteja bem, que os anjos te levem pra fazer xixi “na rua” como você gostava. Não consegui me afastar das nossas atividades. Nosso grupo de apoio emocional do WhatsApp segue crescendo e servindo de inspiração pros amigos criarem iniciativas criativas e inteligentes para se ajudar. Precisamos todos uns dos outros. Não teria como imprimir melhor de nos dois nas pessoas. Como é gratificante ver até mesmo a nossa maneira gentil de recepcionar as pessoas sendo reproduzida. Melhor ainda é ver como ainda é possível expandir a partir disso. Isso mesmo! Quantas ideias criativas e iniciativas surgirão? Eu não sei! Mas sei que virão! Leiam a matéria pelo link nos stories e entendam como o mundo pode se contaminar pra boas ações. Quem tiver algum ideia bacana para ajudar, me chama! Minha ideia inicial com o grupo era levar apoio emocional. Ainda espero que em algum momento possamos efetivamente ajudar no tratamento dos animais também. Tava pensando, vocês poderia compartilhar nossos posts e marcar o Luciano Hulk né? ThE wall seria um quadro muito legal pra gente ir! Rs Na matéria também estiveram as olivias, que são integrantes e falaram sobre estar no grupo e suas ideias criativas. @oliviaderodinhas @oliviagoldenespecial conheçam elas se ainda não conheceram nossas amigas! Link nos stories https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,amigos-de-rodinhas-grupo-no-whatsapp-reune-pessoas-que-adotam-caes-especiais,70002928768 Obrigada @estadao ! #goldenretriver #goldenpuppy #ilovegolden_retrievers #meucliqueestadao #estadao #amigosparasempre #familiaderodinhas #cachorroespecial #wheelchair #wheelchairdog #wheelchairdogs #dogwheelchair #maxlocomotion #diegoconde #momentosublime #melhoramigo #cachorro #dogsofinstagram #photooftheday #fotododia #desafioanalimaconecta2

Uma publicação compartilhada por Aline, Troy, Doge e Thor (@golden.terriever) em

"Com o grupo eu consegui 'morder' as pessoas para passar essa vontade de viver com o cachorro delas o tanto que eu vivi com o meu", diz a influenciadora pet e assessora de imprensa. Troy morreu em 30 de março, aos dez anos de idade, em consequência de um sarcoma histiocítico - um tipo de câncer.

Além do apoio emocional, o grupo também oferece dicas para ajudar na rotina dos tutores. Segundo Aline, o uso de fralda e técnicas para esvaziar a bexiga dos cães são assuntos recorrentes entre os participantes. "Os veterinários não estão muito preparados para lidar com esses animais ou não têm didática para ensinar as pessoas", explica.

Flávia Panella, que adotou uma cachorra paraplégica em novembro do ano passado, é uma das integrantes que se beneficiou com as dicas e vídeos da rede social. A cadelinha Olívia foi atacada por um cão de grande porte, fraturou a vértebra L4 da coluna e foi deixada por sua dona no abrigo Bichos do Gueto. Após o acidente, Olívia não consegue fazer xixi sozinha e a sua nova tutora precisa ajudá-la nessa função quatro vezes ao dia.

"O grupo ajuda demais porque quando a gente adota um animal especial a gente tem vários medos e ali encontramos um apoio muito bom. A gente vira uma família", diz Flávia.

As inseguranças já fazem parte do passado e agora a advogada fala com muita alegria sobre a adoção de Olívia. "Ela mudou minha vida. Ela me mostra todos os dias o que é resiliência, o que é superação. Ela não tem autopiedade, ela faz o que ela precisa fazer do jeitinho dela. Dentro de casa ela anda sem cadeirinha, desce escada, sobe na caminha dela. Eu nunca a vejo desanimada, ela está sempre brincando. Eu me sinto muito mais forte para enfrentar obstáculos", revela. A limitação física da cadela de sete anos de idade também não a impede de participar de eventos como o dog day use do Hotel Surya-Pan, em Campos do Jordão.

Com a troca de ajuda frequente entre os participantes, Mariana Camargo, tutora da golden Olívia, teve a ideia de criar um "consórcio" entre os tutores para comprar cadeirinhas para os cães especiais. Cada membro contribui com R$ 10 por mês e a pessoa contemplada no sorteio adianta o valor da contribuição. Até agora já foram entregues três equipamentos para cães que têm deficiência.

"Eu ajudo o máximo que eu posso. É gratificante demais saber que eu estou fazendo um bem para o próximo, sabendo que eu passei por aquilo e teve pessoas que me ajudaram também", afirma Mariana.