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Motoristas de app vendem de cerveja a eletrônicos e cosméticos no carro

As vendas inauguram um novo mercado: kits ou caixas de produtos feitos por empresas para serem vendidos dentro dos carros

Motoristas de aplicativos, pela lei aprovada, terão acesso ao histórico de corrida dos passageiros dos últimos seis meses.
Motoristas de aplicativos, pela lei aprovada, terão acesso ao histórico de corrida dos passageiros dos últimos seis meses.
Foto: Divulgação

No carro de Pedro Madureira Neto, 39, o chá e o cafezinho são cortesia que o motorista criado no interior faz questão de manter. Mas um cardápio dá outras opções: o passageiro da Uber, 99 ou Cabify pode escolher comprar chiclete, amendoim, chocolate, refrigerante, água de coco e até uma cerveja antes de chegar ao destino. Os preços variam de R$ 2 a R$ 9.

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As corridas por aplicativo são uma espécie de bico que Pedro faz para não perder a viagem da sua casa, na zona sul de São Paulo, ao trabalho como tecnólogo em construção civil numa empresa na zona norte da cidade. As vendas durante o percurso garantem mais um extra –em média R$ 50 por semana.

Ele é um dos poucos motoristas que atingiu as cinco estrelas na avaliação e garante que a oferta de produtos não prejudicou a nota.

Isso porque "não é camelô", diz Marlon Luz, 38, que oferece desde kit com escova e pasta de dente até snacks. Já apostou na cerveja long neck a R$ 5 durante o Carnaval, que "vendeu bem fácil", mas o maior sucesso, diz, é o combo para celular: carregador portátil, cabo USB e fone de ouvido. Principalmente para quem vem e vai ao aeroporto.

"Não ofereço para não amolar o passageiro, mas tem uma plaquinha indicando quais são os produtos disponíveis. A pessoa pede se quiser e nunca ninguém reclamou", diz Marlon.

As vendas inauguram um novo mercado: kits ou caixas de produtos feitos por empresas para serem vendidos dentro dos carros. Algumas fabricantes negociam diretamente com os condutores, como é o caso dos acessórios para celular da Multilaser.

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Há também uma parceria institucional da Uber desde maio com o posto de combustíveis Ipiranga e uma empresa de lanches rápidos, a Cargo, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O motorista pega na loja de conveniência uma caixa com snacks, bebidas e doces, vende nas corridas e fica com parte do lucro. O cliente pode pagar sem intermediação, basta escanear um QR Code.

A Cabify afirma que não é contra a comercialização, embora ainda não tenha contrato com fornecedores.

Já a 99 se diz favorável ao movimento e afirma ter conversas avançadas com empresas para firmar parcerias do tipo.

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Marlon vê a iniciativa como "oportunidade de faturar um pouquinho a mais com o mínimo de esforço e ainda ganhar melhores avaliações", diz.

Bem, isso na categoria mais barata de viagens por aplicativo, diz o motorista Anderson Mendes, 37. Ele dirige um carro luxuoso, com corridas mais caras, e acha que as guloseimas não agradaram.

"Funciona com um público mais jovem. Mas teve quem deu nota mais baixa", diz. Isso porque as pessoas se acostumaram a ter água e bala de graça, defende Anderson. "Aí quando você explica 'esse aqui tem que pagar' a pessoa te olha torto. Uma moça insistiu em pegar dizendo que o filho ficou com vontade ao ver o chocolate", conta.

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A aposta de Danilo Pereira da Costa, 35, é na venda de cosméticos. Na mala do seu carro vai uma bolsa repleta de maquiagem, perfume e cremes da Natura, marca com a qual fechou parceria recentemente. O cliente compra pela loja virtual, gera um voucher e pega o produto dentro do veículo. Por enquanto, a dobradinha está em fase de testes.

Ele também vende acessórios para celular e ganha cerca de R$ 300 a mais por semana. Com a renda extra, o ex-gerente de call center paga a faculdade de engenharia civil.

Danilo e Marlon também apelam para outros aplicativos. No fim do dia, quando encerram as viagens como motoristas, eles enchem o carro de patinetes elétricas. Aí é só deixar numa central de carregamento da empresa ou levar para casa, carregar durante a madrugada e, na manhã seguinte, devolver à rua.

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Além de carregar patinetes depois de 15h no volante, o ex-analista financeiro Gilmar Antônio Santana, 47, liga outro aplicativo aos finais de semana: o Bla Bla Car, de viagem compartilhada.

Ele explica que gosta de viajar a cidades do interior para relaxar, como Franca e Marília, pelo menos uma vez por mês. Para dividir os custos do passeio, cadastra a rota no celular e aparecem outros interessados no destino, dispostos a pagar cerca ente R$ 60 e R$ 90 – a carona costuma ser mais barata que a passagem de ônibus. Assim, "dá para unir o útil ao agradável."

Pedro teve a mesma ideia, mas para visitar a mãe no interior, em Casa Branca. "Num domingo no final da tarde lota o carro", diz.

A tática vale ainda para corridas no dia a dia, mas que levam os motoristas para longe da capital. Fica difícil conseguir um passageiro de volta do Guarujá ou Santos, por exemplo. Aí o Bla Bla Car pode ser a saída para abater ao menos o custo do pedágio. "Já me livra desse prejuízo", diz Marlon.

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