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Prainha: história mantida pela luta da comunidade

Repleto de casas, o berço da colonização do Estado concentra prédios históricos

Lugar de muitas casas, quase totalmente residencial, a Prainha, ponto inicial da história de Vila Velha, que completa 480 anos no próximo sábado, mantém seu perfil histórico graças à luta de moradores novos e antigos.

Entre esses moradores estão Edward Athayde D’alcântara, 85 anos, e Lauro Antônio Souza Rodrigues, 72 anos, amigos de longa data, já que suas famílias sempre foram próximas, como reforça Lauro, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo.

O próprio Edward escreveu um livro sobre o local, “Memória de Um Menino e Sua Vila Velha”. Nascido em Guarapari, foi aos 3 anos para a Prainha, cujo nome ele tenta explicar.

 


“É por causa do mar, mesmo. Essa região da Prainha sempre foi Centro de Vila Velha. Quando falavam ‘ir lá embaixo’, significava ir à praia. Ir lá em cima é onde hoje fica a Rua Duque de Caxias. Essa palavra Prainha veio com a modernidade”, diz Edward Athayde D’alcântara.



As casas baixas ainda existem, muito por causa da luta de moradores décadas atrás, que conseguiram impedir no Plano Diretor Urbano (PDU) a permissão para construção de prédios altos.



Foi da associação de moradores, aliás, que saiu o movimento que originou a Casa da Memória, uma construção do século XIX que hoje reúne acervo de fotografias antigas da Prainha e de Vila Velha.



A Casa da Memória abriga o Bonde 42, de 1912, restaurado e exposto para visitação.



Hoje, o Sítio Histórico da Prainha está dentro do Centro de Vila Velha. “Até 1930, Prainha e Paul eram os dois centros urbanos de Vila Velha. Depois disso, a cidade se desenvolveu para outras partes”, relata Luiz Paulo Rangel, 57 anos, presidente do Instituto Histórico.



Diferente da Praia da Costa, retratada na edição de ontem de A GAZETA, a Prainha não mudou tanto ao longo dos anos. É o que dizem moradores. A diferença é que o entorno não oferecia as opções comerciais existentes hoje.



“Aqui era só vendinha ou quitanda. Qualquer coisa que se quisesse comprar, o marido da família tinha que ir a Vitória”, conta o arquiteto, escritor e pesquisador Jair Santos, 89 anos. Ele chegou à Prainha com a família, natural de Alegre, aos 6 anos, e também é autor de livros sobre o local.

 

Locais de visitação

 

Colonização


Sítio Histórico da Prainha
- Local de chegada de Vasco Fernandes Coutinho, primeiro donatário da “Capitania do Espírito Santo”, em 1535
- Marca o início da colonização do solo espírito-santense
- Vasco Coutinho chegou na nau chamada Glória

Pontos históricos


Convento da Penha
- Abriga as duas entradas para o Convento da Penha. A entrada original dá acesso ao caminho de pedras. Ao lado dessa entrada fica a gruta onde morava Frei Pedro Palácios
- E ao lado da gruta está a primeira capelinha erguida pelo frei para receber imagem de Nossa Senhora de Aparecida
- A outra entrada é para subida de carros e fica na Rua Vasco Coutinho

Forte São Francisco Xavier ou Forte do Piratininga
Fica dentro do 38º Batalhão de Infantaria, que data do final do século XVI

Igreja Nossa Senhora do Rosário
Foi construída na década de 1570 e é a primeira e mais antiga igreja ainda de pé no Brasil

Fonte do Inhoá
Abasteceu de água potável Vila Velha, que só possui rios com influência marinha. É chamada também de Fonte do Imperador, por ter servido a Dom Pedro II durante visita a Vila Velha

Museu Homero Massena
- Reúne obras do pintor mineiro Homero Massena, que veio para o Estado aos seis meses de idade
- O museu ocupa a casa onde Massena morou por 23 anos, na Prainha, com sua segunda esposa, a gaúcha Adelina Massena, a Edy

Museu dos Expedicionários
Mantém parte da história da participação do Brasil na Segunda Grande Guerra Mundial

Casa da Memória
Construída em 1893, expõe acervo de fotos antigas sobre o sítio histórico da Prainha e de todo o município. É o Museu Etnográfico de Vila Velha

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