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Ao lado da grande família, idosa completa 115 anos nesta terça

Com três netos e oito bisnetos em casa, ela lembrou o nome apenas de alguns e de jeito nenhum lembrou ao todo quanto são. "Ih, meu filho, eu já não conto mais", falou rindo

Dona Januária mostra saúde aos 115 anos

Nascida em 3 de novembro de 1900, Januária Pinheiro da Silva, ou Dona Janu, fez 115 anos nesta terça-feira. Parteira, costureira, mãe, avó e bisavó, a centenária moradora do bairro Andorinhas, em Vitória, diz que não tem segredo para viver tanto.

Com a fala um pouco afetada pela idade, mas com muita alegria, ela parou de costurar um pequeno tapete de retalhos para receber a reportagem do Gazeta Online. Antes de qualquer conversa sobre a vida e o tempo, ela lembrou da terra que deixou na Bahia. 

"Eu sou de Vila Nova da Rainha. Lá a gente tinha tudo. Uma vez nós subimos no pé de árvore para ver Lampião". "E tinha medo, dona Januária?", "que nada, eles passavam lá longe", contou rindo. (Assista ao vídeo abaixo) 

Com três netos e oito bisnetos em casa, ela lembrou o nome apenas de alguns e de jeito nenhum lembrou o número total de netos. "Ih, meu filho, eu já não conto mais", falou rindo. Uma das netas, de 20 anos, também não soube responder o número exato de netos e bisnetos de dona Januária. 

Dos filhos ela lembra bem, cinco. Dos irmãos também, três. "Mas já morreu todo mundo. Acho que só restou um, lá na Bahia", diz a centenária. Dona Janu sente saudade da terra, para onde diz que ainda vai voltar. "Estou aqui de passagem, vou voltar para Tabatã, na Bahia. É lá onde está meu caixão", conta, para susto e depois risada geral dos familiares que lotam a sala.

Com mãos fortes e olhos atentos, parte da entrevista ela conversou com uma bisneta no colo. De hábitos muito simples, ela diz que só sente dor no pé, onde exibe um curativo, e no estômago. "Só Deus é quem sabe. Ele que consentiu", disse.

A avó é o orgulho dos netos, que nunca viram uma pessoa com a idade de Dona Janu, como conta Nairene, de 40 anos. "É uma honra para a gente". Ela e a irmã, Naiane, de 28 anos, nasceram em Canavieiras, na Bahia, e foram criadas por Dona Januária.

Além de criar netos e bisnetos, a centenária ainda conta algumas dificuldades que teve ao longo dos 115 anos. "Meu marido me abandonou e me deixou com os filhos nas costas. Deus me deu cinco, mas dois se foram, ficaram três", conta Dona Janu, sobre a morte dos filhos.

No entanto também há alegrias que não se pode contar, como os bailes que frequentava. "Gosto muito de música, sabe?", disse enquanto lembrava-se de um trecho para cantar. A memória pode não estar das melhores, no entanto, em 115 anos, há de se convir que há muita coisa para se lembrar.

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