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Mãe de menina torturada e estuprada por padrasto é presa pela polícia

Maria Isabel Claudino, de 22 anos, foi presa pela equipe da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, sob responsabilidade do delegado Lorenzo Pazolini

Foto: Fernando Madeira GZ

A cuidadora de idosos Maria Isabel Claudino, de 22 anos, mãe da menina Fabiane Isadora Claudino, de 2 anos e 4 meses, que morreu após ser torturada e violentada pelo padrasto no último dia 18, em Cariacica, foi presa nesta sexta-feira (2) pela equipe da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, sob responsabilidade do delegado Lorenzo Pazolini. O mandado de prisão temporária contra ela é por tortura com resultado morte e estupro de vulnerável. Segundo o delegado, por ela ter se omitido do cuidado com a criança, concorre no mesmo crime que Michael — o padrasto, que também está preso. 

"Após a prisão do padrasto, já tínhamos indícios de que a mãe foi omissa. Na verdade, ela foi relapsa e deixou de cuidar com zelo da criança. Esses indícios foram cada vez mais veementes e confirmados ao longo da investigação. Conhecidos da família e funcionários da saúde confirmaram que não havia possibilidade dessa mãe não saber o que acontecia dentro da casa. A vítima tinha marcas e hematomas anteriores ao dia 18 de maio. Dia das provas técnicas e testemunhais não havia outro caminho a não ser a prisão temporária dela", explicou o delegado.

 

MESMO COM FILHA À BEIRA DA MORTE, AJUDOU O AGRESSOR

Segundo o delegado Lorenzo Pazolini, Maria Isabel foi orientada no dia do crime a não passar informação alguma para Michael, que, na ocasião era o principal suspeito — que depois confessou o crime. Mesmo assim, ela auxiliou o companheiro a fugir do flagrante e o orientou a não voltar ao hospital 'porque a polícia já estava no caso e ia dar problema'. "Ela ajudou o homem que fez aquilo tudo com a própria filha", destacou Pazolini.

FRIEZA

Segundo testemunhas que estavam no hospital para o qual Isadora foi levada, a mãe estava fria e indiferente à situação, o que gerou revolta nas outras mães que lá estavam. As mães queriam agredir Isabel e a segurança precisou ser acionada. A equipe médica que tentava salvar Isadora se emocionava, enquanto a mãe permanecia indiferente, como se nada daquilo fosse com a própria filha.

'SOU INOCENTE'

Presa, Maria Isabel continua alegando inocência. Disse que cuidava da criança e que não sabia das agressões. 

CRIANÇA TESTEMUNHA

Segundo o delegado, a irmã de Isadora disse que não dormia enquanto a mãe não chegava em casa porque tinha certeza de que a irmã seria agredida em mais uma oportunidade. "A própria criança tentava proteger a irmazinha e não dormia para que o padras não a agredisse.

ENTREVISTA COM A MÃE ANTES DA PRISÃO

Além de enfrentar a morte da filha, Maria Isabel vinha recebendo ameaças e acusações nas redes sociais de ter sido cúmplice do companheiro, Michael Lelis, que violentou, torturou e matou a criança. Em entrevista à jornalista Elis Carvalho, de A Gazeta, após enterrar a filha, Maria Isabel contou que, percebendo o temperamento abusivo do Michael, se preparava para deixá-lo. Ela acredita que, em meio a um relacionamento já abusivo, Michael tenha abusado e agredido a menina para se vingar dela.

 

Segundo a mãe de Isadora, Michael foi o primeiro homem a morar com ela e as crianças depois que se divorciou do pai da menina, em São Paulo. Com a separação, ela veio morar com uma irmã no Espírito Santo, em busca de novas oportunidades. Aqui, Maria Isabel conheceu Michael e ficou atraída pela "personalidade tranquila" dele. "Ele sempre foi muito atencioso com as crianças. Foi esse carinho com elas que me fez decidir ir morar com ele", contou.

Após sete meses de namoro, os dois foram morar juntos. Michael sempre arcou com todas as despesas na casa e da família. Após um ano de convivência, ele começou a mostrar uma personalidade diferente. "Ele era violento comigo durante as brigas, mas nunca era violento com as crianças", lembra.

 

"Ele me batia, mas nunca deixei que encostasse nas minhas filhas. Quando ele queria bater, dizendo que era pra corrigir, eu intervinha. Ele me ajudou com Isadora desde que ela nasceu. Falava para todo mundo que ele era o pai. E ela o chamava de pai também"

Maria Isabel conta que Isadora aparecia eventualmente com marcas no corpo, que Michael sempre atribuía a quedas. A mãe dele, que ajudava a cuidar das crianças, sempre confirmou as histórias do filho e, por isso, ela afirma que nunca desconfiou de agressões.

CONTROLE

Foto: Reprodução

A cuidadora contou que o companheiro tinha todas as senhas das redes sociais dela e que, assim, evitava que familiares e amigos soubessem do relacionamento abusivo. Segundo ela, após as brigas em que era agredida, ele fazia postagens no Facebook em nome dela contando que estava feliz e apaixonada.

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Em uma briga mais violenta no início deste ano, Michael teria jogado a Isadora com força em cima de uma cama. Segundo a mãe da menina, a partir daquele momento ela começou a pensar em se separar dele.

Após as brigas, segundo o relato da cuidadora, Michael sempre fazia todas as tarefas de casa, comprava presentes e doces para agradá-la.

 

DEPENDÊNCIA

Como o acusado era o único que trabalhava e pagava por todas as despesas da casa, Maria Isabel afirmou que, antes de se separar, pensou em arrumar um emprego para que pudesse cuidar das meninas sozinha. Semanas depois da briga, Michael contou que havia caído da escada junto das duas meninas, Isadora e a bebê de dez meses. Sem ter quem corroborasse com a versão dele, ela passou a desconfiar do companheiro e a se afastar dele.

"Jamais imaginei que pudesse acontecer algo assim. Já pensei que ele pudesse fazer algo comigo, mas nunca com minha filha. Ele que colocava tudo dentro de casa. Ele dava tudo para a minha filha. Mas na verdade, ele queria mostrar aos outros uma falsa felicidade e perfeição"

 

O DIA DO CRIME

Fabiane Isadora Claudino
Fabiane Isadora Claudino
Foto: Reprodução

Um dia antes do abuso, Michael comprou duas garrafas de uísque, cerveja e carnes. Por não achar que ele deveria gastar o dinheiro do aluguel com churrasco, Maria Isabel o proibiu de fazer a festa. Michael já havia convidado amigos e familiares para a ocasião e eles brigaram.

Ela acredita que essa briga, somada ao fato de o companheiro desconfiar que ela planejava deixá-lo, que motivou as agressões contra a menina.

Maria Isabel relatou que, quando chegou em casa na última quinta-feira (18), a menina estava quase morta. Michael estava sentado em uma cadeira em frente à janela mexendo no celular. Segundo ela, o companheiro não aparentava estar bêbado ou alterado.

"O pior castigo é a dor da culpa que vou carregar pra sempre. Não há necessidade de eu ser atacada. O criminoso é ele. A violência sempre foi contra mim, jamais imaginaria que ele chegaria ao ponto de fazer algo com a menina que ele chamava de filha"