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Estudante ganha tratamento e vai realizar o sonho de voltar a sorrir

Presente veio após o caso de Maria da Penha aparecer em A GAZETA, na quarta-feira (23)

Os olhos que há pouco tempo refletiam timidez e desconfiança, hoje transmitem a mais pura das alegrias. Maria da Penha ganhou o tratamento que precisava e vai poder realizar o seu maior sonho: voltar a sorrir. Aos 42 anos de idade, a aluna que contava apenas com o gesto de solidariedade de suas professoras, pode perceber que as correntes que transmitem o bem podem ir muito além dos muros da Escola Estadual Mariano Firme, em Bandeirantes, Cariacica.

Há dois dias A GAZETA contou a história de Maria da Penha, aluna especial de uma escola estadual de Cariacica, que perdeu os dentes ainda na infância, aos 11 anos. As professoras confirmavam aquilo que Maria passava apenas com o olhar: toda aquela timidez era fruto de uma insegurança causada pela falta dos dentes. No entanto, o simples fato de conseguir acreditar em uma solução para o problema já foi suficiente para levar mais alegria para a vida de Maria.

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Descrita pelas próprias professoras como alguém tímida, fechada e que falava sempre bem baixinho, Maria já dá sinais de mudança. “Só esse processo, de quando começou a reportagem até agora, já fez ela mudar. Nesta sexta ela chegou na escola numa felicidade tão grande, rindo, falando alto. Ela se soltou. Falou com a gente que está muito feliz”, contou a professora Marasilva Falcão.

SURPRESA

No dia seguinte à divulgação da matéria, o telefone das professoras não parou. “A gente esperava um resultado mas não com tanta rapidez. Já estávamos tentando juntar o dinheiro vendendo as rifas há mais ou menos dois meses. A participação do jornal foi fundamental, foi o que deu visibilidade”, contou a professora Paula Junia Martins.

Em meio à tantas ligações, tantas pessoas manifestando o desejo de ajudar, Maria e suas professoras tiveram uma grande surpresa. A clínica odontológica Oraldents de Cariacica ofereceu à Maria um tratamento completo, sem nenhum custo. A notícia foi recebida ao som dos aplausos de comemoração das professoras, que ficaram surpresas com a notícia.

“Nós tivemos essa surpresa de ganhar o tratamento. Eu não tinha ideia que a gente podia ganhar, pensei em um desconto, mas ganhar o tratamento todo a gente não esperava. Foi uma surpresa muito grande, a gente está muito feliz”, afirmou Marasilva.

A responsável pelo projeto que leva para as escolas noções de saúde bucal, Daione Berger, foi quem levou a história de Maria para o consultório. “Eu vi a história no gazeta online, me comovi e trouxe para a equipe. Na mesma hora os doutores se prontificaram a dar esse tratamento para ela, e eu fico muito feliz que ela tenha conseguido voltar a sorrir”, contou.

TRATAMENTO

A equipel, avaliou na tarde desta sexta-feira (25) o sorriso de Maria da Penha para saber qual o melhor tratamento e o que faltava para devolver o sorriso para a aluna.Durante a avaliação, os doutores Antônio Pecinali e Francisco de Paula detectaram que outras correções deveriam ser feitas antes da colocação da prótese.

Ao todo o tratamento vai durar cerca de um mês e meio. “A Gente ficou sabendo que a necessidade principal era a prótese, mas não dá para fazer a prótese sem adequar primeiro”, explicou Antônio Pecinali, endodontista e clínico geral.

Alguns reparos precisam ser feitos para que Maria volte a sorrir. O ortodontista e clínico geral, Francisco de Paula, enumerou os tratamentos que Maria fará ao longo desse um mês e meio. “Ela tem cáries, vamos precisar fazer restaurações, tem um dente para extrair, ela vai fazer todo o tratamento de gengiva, que é a raspagem e ela vai fazer uma prótese parcial removível”.

EMOÇÃO

Maria da Penha já sorri com o olhar. “Eu estou doida para sorrir, estou muito feliz. Não vejo a hora de todo mundo me ver sorrindo. Não esperava que fosse conseguir, nem que ia ser tão rápido. Estou muito feliz”, revelou a aluna.

Eu não vejo a hora de todo mundo me ver sorrindo. Estou muito feliz, não esperava isso tudo
Maria da Penha Dias, estudante

As professoras também não conseguem conter a emoção e relatam que sentem como se um sonho tivesse sido realizado. “É a emoção de um sonho realizado. O dela de querer voltar a sorrir e o nosso de conseguir ajudar, poder dar o sorriso de volta”, contou Marasilva.

Paula Junia falou ainda sobre a sensação de ver o amor se multiplicar em boas ações. “A gente não sentiu o amor só entre a gente, muita gente participou e quis ajudar. Isso dá mais esperança. Em um mundo tão ruim, ver tanta gente se mobilizando faz acreditar que nem tudo está perdido, que tem gente boa no mundo”, disse.

MUDANÇA DE PLANOS

Quando receberam a notícia de que não precisariam arcar com os custos do tratamento, as professoras se encontratam em um “dilema”: o que fazer com o dinheiro arrecadado na venda das rifas?

Rapidamente apareceu uma solução. Se antes a intenção era apenas devolver um sorriso, agora a missão é reconstruir a autoestima de Maria da Penha. Maria, que já havia ganhado de uma conhecida das professoras uma sessão de fotos para registrar o novo sorriso, com o dinheiro arrecadado pelas rifas vai ganhar também um “dia de princesa”, com direito à reforma completa no visual.

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