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Número de homicídios cai pelo 7º ano seguido no ES

Vitória é a segunda capital mais segura do país, diz Anuário

Felipe Santana Martins, 20, foi morto a tiros no bairro Jardim Tropical, na Serra
Felipe Santana Martins, 20, foi morto a tiros no bairro Jardim Tropical, na Serra
Foto: Fernando Madeira

O número de homicídios dolosos voltou a cair, segundo os dados do 11º Anuário Brasileiro da Segurança Pública. É o sétimo ano consecutivo de redução nas taxas calculadas com base em 100 mil habitantes, o que levou o Espírito Santo para a 15ª posição no ranking nacional, composto por 27 Estados.

No ano de 2015 um total de 1.384 pessoas foram assassinadas. No ano passado, 1.180 foram mortas, o que representa uma taxa de 29,7 de homicídios a cada 100 mil habitantes. Estamos ainda um pouco acima da taxa nacional, que é de 26,4 mortos por 100 mil habitantes.

A queda no número de mortes também foi expressiva em Vitória, com uma taxa de 14,2 mortos por 100 mil habitantes, ocupando o penúltimo lugar no ranking dos homicídios, o que dá ao município a posição de segunda capital mais segura do país nesse quesito.

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Na avaliação do secretário de Estado da Segurança Pública, André Garcia, a redução dos homicídios é resultado da política pública adotada no Estado, com integração entre as polícias, investimento em inteligência e prisão de homicidas em operações policiais. “É uma conquista, mas ainda não dá para comemorar. Vamos continuar insistindo em nossa estratégia para reduzir estes números”, assinala.

Mas Garcia admite que os dados de 2017 serão diferentes, com um maior número de mortes violentas em decorrência da greve dos policiais militares, em fevereiro. “Vamos ter um aumento nas estatísticas, não há dúvidas. Mas vamos continuar apostando em nossa estratégia.”

Uma atuação que deverá focar nos chamados territórios mais vulneráveis, as 25 áreas identificados pelo governo com maior ocorrência de mortes violentas.

Mas o Estado ainda é o campeão nas chamadas tentativas de homicídios. Embora este dado tenha apresentado queda - em 2015 foram 2.467 contra 2.354 em 2016 –, ainda temos a maior taxa do país, com 59,2 tentativas de assassinato a cada cem mil habitantes.

BRASIL

No Brasil foram registradas 61.619 mortes violentas intencionais – que incluem assassinatos, latrocínios, lesão corporal seguida de morte e as que resultaram de confronto com a polícia –, em 2016. Foi o maior volume absoluto já registrado no país.

São 171 casos por dia (sete por hora) e um crescimento de 3,8% em relação a 2015, chegando a uma taxa de 29,9 por 100 mil habitantes. No Brasil, o número de homicídios dolosos foi de 54.356.

No Estado o total de mortes violentas intencionais foi de 1.296, o que equivale a 32,6 mortes violentas a cada cem mil habitantes.

FEMINICÍDIOS TAMBÉM BAIXARAM EM 2016  

O número de assassinatos de mulheres no Estado também apresentou redução. Foram 133 casos em 2015, contra 106 no ano passado. Os casos de feminicídio - mortes pela questão de gênero, ou seja, por serem mulheres – também registrou queda, de 58 casos em 2015, para 34 no ano passado.

Mas é um dado – de feminicídio – que voltou a apresentar crescimento, este ano. “Nossos registros apontam para um crescimento de 20% em 2017. É um tipo de crime impermeável à atuação da polícia”, relatou o secretário de Estado de Segurança Pública, André Garcia.

Ele assinalou que há muitos casos de subnotificação de violência doméstica - casos não informados à polícia -, principalmente nas classes de maior poder econômico. Essa situações podem evoluir para feminicídios.

Já o advogado criminalista e professor universitário Jovacy Peter Filho avalia que, apesar de o número de feminicídios continuar alto, a redução das ocorrências já representa avanços.

“Não acredito em subnotificações, até porque temos aqui políticas públicas como as delegacias da mulher, que dão credibilidade ao sistema. Esse índice vem caindo por conta desse cenário de discussão coletiva diante da violência de gênero.”

Um dos casos de feminicídio aconteceu em maio de 2016, quando Suelen Novaes, de 28 anos, foi morta a tiros em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado. O ex-namorado da vítima era o principal suspeito do crime.

ESTUPRO

Os casos de estupro caíram de 203 em 2015 para 188 em 2016. No entanto, o número de tentativas de estupro passou de 181 (2015) para 215 no ano passado. Um crescimento de 17,5%, também de acordo com dados do Anuário.

 

 

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