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Caso Thayná: 'Sequestro da minha filha poderia ter sido evitado'

Três dias antes do sequestro de Thayná, Ademir estuprou uma menina de 11 anos e a abandonou em Viana; vítima precisou ser hospitalizada

O sequestro da minha filha poderia ter sido evitado
Clemilda, mãe da Thayná

A indignação é um dos sentimentos que não deixam em paz a mãe de Thayná, Clemilda Aparecida de Jesus. Ela afirma que o sequestro da filha poderia ter sido evitado, já que, três dias antes deste crime, o pai de outra criança, estuprada em Viana, registrou boletim de ocorrência contra Ademir Lúcio Ferreira de Araújo, 54 anos.

“Quando minha filha desapareceu, o pai dessa menina me ligou e disse que Ademir a estuprou. Contei isso para a polícia, só que trataram o desaparecimento de minha filha como rebeldia de adolescente. Isso tudo poderia ser evitado se tivessem prendido ele por conta disso”, afirmou Clemilda.

Clemilda de Jesus desabafa após prisão do acusado de sequestrar a menina Thayná
Clemilda de Jesus desabafa após prisão do acusado de sequestrar a menina Thayná
Foto: Fernando Madeira

Thayná Aparecida de Jesus, de 12 anos, desapareceu em 17 de outubro. Três dias antes Ademir, agiu de modo parecido para estuprar outra menina de 11 anos. 

Na semana passada, em entrevista ao Gazeta Online, o delegado Lorenzo Pazolini, Titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, confirmou o caso, e disse que Ademir levou a criança para um galpão em construção e depois do crime a abandonou no meio da rua. Segundo o delegado a menina precisou ser hospitalizada.

"Ela foi estuprada. Nós temos a confirmação, nós temos laudo do DML, temos também o reconhecimento de testemunhas. Então não temos dúvida nenhuma da autoria (do crime) porque ele foi reconhecido pela vítima, foi reconhecido por testemunhas presenciais. Ele levou a menina para um local ermo, um local onde está sendo construído um galpão no município de Viana. Aí ele estacionou o carro em um local onde tem um grande depósito de material e esse depósito forma monte. Atrás desse monte, ele estacionou o veículo - era uma área oculta do restante do terreno", relatou o delegado.

ENTREVISTA COM A MÃE DE THAYNÁ

A senhora acha que Ademir vai ficar preso?

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Eu espero que sim, né?! Ou talvez melhor seria soltar ele mesmo, porque agora a cara dele está estampada para todo mundo ver. (...) A cadeia é pouco para ele. Muito pouco. Deus que me perdoe, mas é muito pouco.

Três dias antes de sequestrar Thayná, ele já tinha estuprado uma menina. A senhora disse que o pai registrou o Boletim de Ocorrência Policial. Se ele tivesse sido preso, a senhora acredita que poderia ter evitado o que aconteceu com sua filha?

Poderia ter evitado. Porque a cara dele já estava estampada por conta do caso envolvendo a outra menina. Mas é como o delegado falou, ele é muito escorregadio, um monstro, com a força do cão. Olha para você ver onde esse cara já estava. Pertinho de atravessar a fronteira.

Depois que ele atravessasse o que ele iria fazer?

Iria ficar perturbando minha mente, como ele estava mandando mensagem. Mostrando os órgãos genitais dele para mim. Isso estava acabando comigo.

Ele mandou fotos para a senhora?

Ele fez o Facebook e deletava logo em seguida. Ele ligava pelo Messenger e ficava mostrando o órgão genital. Ele é nojento. Isso tudo foi relatado para a polícia. Não estou falando isso agora por causa do meu ódio. Você já pensou o que seria da minha vida se esse monstro tivesse escapulido?

Isso aconteceu quando?

No tempo em que eu estava procurando a Thayná. Eu nunca tive contato com esse homem antes. Eu não conhecia ele, nem minha filha. Se eu conhecesse, seria a primeira coisa que eu falaria para a polícia.

Depois que ele pegou minha filha, logo apareceu no Facebook, foi muito divulgado, coloquei meu telefone [os canais de contato foram divulgados pela família, que buscava informações sobre Thayná]. E não foi só eu que sofri essas represálias com ele. Todo mundo que colocou o telefone para contato, ele estava perturbando.

A senhora sabia que a pessoa que te mandou as mensagens era Ademir?

Depois que eu coloquei fogo na BR, depois que eu achei o vídeo dele no carro, aí eu acho que começou o desespero dele. Foi aí que começaram as mensagens e ligações via Messenger. Não posso provar que foi ele, mas tudo indicava que era ele.

A polícia sabe disso?

Sabe. A polícia disse para deixar. Que estavam rastreando. Por isso todo mundo que mandava solicitação de amizade eu ia aceitando.

Porque a senhora acha que ele fazia isso?

Para me enlouquecer. Para tirar meu foco, me enfraquecer, para eu ficar perturbada. A mente dele é doentia. Não consigo raciocinar como um doente desse.

Como está a expectativa para o exame de DNA?

Não vou falar de expectativa. Vou falar de tortura, porque dói muito. Não tenho mais forças. Preciso ir para um lugar e ficar sozinha. Não tive a chance de enterrar minha filha, só a chance de enterrar os pedaços e ainda tenho que esperar.

ESPERA

A angústia de Clemilda pode durar mais 13 dias, prazo informado pelo delegado José Lopes, da Divisão de de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), para sair o resultado do exame de DNA da ossada encontrada, próxima a uma lagoa, no bairro Areinha, em Viana, na última sexta-feira (10). Foi nesse local, que Ademir Lúcio Ferreira garante ter deixado o corpo de Thayná.

ACUSADO FOI APRESENTADO NA MANHÃ DESTA QUINTA

O acusado de sequestrar a menina Thayná de Jesus, de 12 anos, Ademir Lúcio Ferreira, preso em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, nesta segunda-feira (13), foi apresentado oficialmente (veja vídeo abaixo) na manhã desta terça-feira (14) durante coletiva de imprensa na Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).

Segundo o delegado-chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), José Lopes, durante o depoimento na noite desta segunda-feira (13), questionado se possuía arma de fogo, Ademir disse que a única arma que ele tinha era a mente dele. "Ele tem uma mente muito criativa. Já veio com a história dele montada. Diz que a menina o seduziu, depois contou a versão do acidente, que ela teria caído na lagoa. Era esse tipo de ser humano que a gente estava caçando e que a gente conseguiu prender", afirmou Lopes.

Ademir Lúcio Ferreira foi apresentado na manhã desta terça-feira
Ademir Lúcio Ferreira foi apresentado na manhã desta terça-feira
Foto: Gazeta Online

Segundo Lopes, Ademir foi ouvido por mais de três horas e, durante o depoimento, entrou em contradição diversas vezes.

"Ele é um artista, tive paciência de ouvir ele falar por mais três horas ontem (segunda). Ele quis convencer a gente que a menina de 11 anos (violentada antes do sequestro de Thayná) o seduziu. E depois quis convencer que a menina Thayná fugiu dele, sofreu um acidente e morreu. Ele até tentou ajudar ela, mas não conseguiu. E desesperado, com medo de morrer, fugiu e procurou o advogado dele. Disse que conhece a mãe de Thayná, embora ela nãos e lembre dele", detalhou o delegado.

Ainda de acordo com José Lopes, a polícia prefere manter as informações sobre o processo de investigação em sigilo, para evitar que o acusado invente novas histórias.

"A investigação está no início. Agora é a parte mais difícil, provar que ele está mentindo. Por enquanto não tem nada que indique a participação de outras pessoas, mas se for necessário ouviremos outras pessoas, podemos ouvir ele novamente, voltar a lagoa. Ele adora Facebook, acompanhou tudo até agora. Tudo que a gente fala, que sai na imprensa, ele já cria uma história em cima daquilo. Por isso, é melhor que as coisas sigam em sigilo", justificou.

ACUSADO SE RECUSA A FALAR SOBRE CRIME

Diante da imprensa, Ademir se recusou a dar explicações e se manteve sempre de cabeça baixa. Sem encarar as câmeras, voltou atrás nas declarações que deu em vídeo que circula pela internet, e negou que tenha oferecido dinheiro para ter relação sexual com Thayná: "não ofereci nada". E afirmou que fugiu para Porto Alegre por que "eles queriam me matar".

 

 

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