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Ex-comandante relata que associação apoiou greve da PM

Afirmação foi feita em vídeo em uma entrevista concedida a um site da região Sul do Espírito Santo

Coronel Edmilson dos Santos
Coronel Edmilson dos Santos
Foto: Guilherme Ferrari | Arquivo | GZ

O ex-comandante da Polícia Militar, coronel Edmilson dos Santos, informou em vídeo que a Associação dos Policiais e Bombeiros da Reserva e Reformados (Aspomires) apoiou o movimento grevista ocorrido em fevereiro deste ano. Atualmente ele é diretor jurídico da associação.

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Na entrevista (veja vídeo abaixo), concedida ao site Maratimba, na região Sul do Estado, o coronel relata: “No movimento de fevereiro nós tentamos auxiliar da melhor maneira possível os nossos policiais, dando apoio ao movimento, desde que fosse ordeiro, os assessorando, quer juridicamente quer de outra maneira. Na questão até mesmo de logística, a gente também deu este apoio”, relatou.

Informou ainda que a Aspomires, até aquela ocasião, nunca tinha participado da reivindicação de direitos junto ao governo do Estado. “Desde a nova gestão, começamos a nos unir com as outras associações na questão de caráter reivindicatório, seja salarial ou por melhores condições de trabalho”, disse.

Acrescentou na entrevista que o principal papel da Aspomires, atualmente, “é montar um projeto não só com outras associações, mas também fazendo um movimento de projeto politico junto à Polícia Civil e outros órgãos de segurança, não só para valorizar os policiais e bombeiros militares, mas principalmente para dar uma melhor condição de serviço para a população”.

VEJA VÍDEO

 

SURPRESA

O presidente da Aspomires, capitão José Raimundo de Jesus, se disse surpreso com a entrevista. “Não tinha conhecimento. Ele não me disse que daria esta entrevista e, se falou em nome da associação, não foi autorizado”, declarou.

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O capitão acrescentou que ainda não tinha tido a oportunidade de conversar com o coronel, já que Edmilson estava com um familiar doente. Negou ainda que a Aspomires tenha dado apoio aos grevistas, acrescentando que durante a greve as associações fizeram um acordo entre elas para que apenas um deles falasse. “Às vezes era a Associação dos Oficiais (Assomes) e em outras a dos Cabos e Soldados (ACS)”

Disse ainda que, logo após o movimento ser iniciado, a diretoria da Aspomires decidiu exonerar o militar Lucínio Castelo de Assumção, o Capitão Assumção, que atuava como assessor. “Ele estava com muita participação no movimento e como não queríamos problemas com o governo, nós o exoneramos logo no início do movimento”, disse o capitão Raimundo.

O coronel Edmilson dos Santos foi procurado por nossa reportagem durante toda a tarde e noite desta segunda-feira e durante toda a manhã desta terça-feira, recados foram deixados na caixa postal, mas ele não atendeu às ligações ou retornou aos nossos contatos.

Acionada, a Polícia Militar emitiu uma nota. Veja na íntegra:

A Polícia Militar ratifica seu compromisso com a sociedade capixaba reafirmando a disposição do Comando Geral em esclarecer todos os fatos e condutas que transgrediram ou venham a transgredir os valores centenários da instituição: a hierarquia e a disciplina.

AÇÕES

O fim das ações relativas ao Dissídio Coletivo de Greve, homologada pelo desembargador Pedro Valls Feu Rosa, não põe fim a outras investigações que estão sendo conduzidas pela Polícia Militar e Ministério Público Estadual e nem mesmo às ações que já tramitam na Vara da Auditoria Militar e na 4ª Vara Criminal.

Durante a greve, o Estado recorreu à Justiça para que as associações e os familiares dos PMs não realizassem qualquer movimento paredista, o que acabou culminando na decretação da ilegalidade da greve. Foi este processo, após inúmeras negociações, que foi extinto pelo desembargador.

Mas há outras investigações que não são afetadas pela decisão do desembargador. Duas delas tramitam na 4ª Vara Criminal, onde 24 pessoas são réus, entre militares, civis e ex-militares. Há outros 21 réus que respondem por crimes na Vara da Auditoria Militar. Na PM existem 74 inquéritos abertos, além de 14 procedimentos administrativos. 

 

 

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