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Famílias voltam para suas casas, mas ainda têm medo de perder tudo

Muitos elevam os móveis até o teto para evitar que as águas estraguem tudo

O olhar de preocupação de dona Neli Bezerra Ribeiro, de 69 anos, para o céu tem um motivo: a chuva. O sentimento é compartilhado por cerca de 30 famílias do bairro Santo Agostinho, em Viana, que voltaram para casa após as chuvas dos últimos dias.

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Aproximadamente 18 famílias ficaram desalojadas e foram para abrigos da Prefeitura de Viana; outras 12 ficaram em casas de parentes, como ocorreu com dona Neli, que estava na residência de uma filha. Ela lembra que não é a primeira vez que precisa de sair do próprio lar e tem medo de que as chuvas fortes voltem a causar problemas ainda maiores.

“Quando chove vem a preocupação. A gente não dorme à noite e fica acordado vigiando o rio. Tem vez que a gente precisa sair de casa porque a água vem até em cima. Aqui subiu e foi até o teto já. Agora veio menos. Eu perdi muitos móveis”, afirmou.

O Rio Santo Agostinho é paralelo à rua da dona Neli e tem ligação com o Rio Jucu. Quando chove, as águas sobem muito. E como boa parte das casas é baixa, tudo alaga. 

Alguns moradores perderam móveis, mas muitos têm um técnica conhecida: amarrar a mobília com uma corda ao teto da casa. Foi isso que fez o motorista Luís Carlos de Mello, de 44 anos.

Morando com outros parentes, praticamente todos os móveis ainda estavam suspensos nesta quarta-feira (6) e os objetos também foram colocados próximos ao teto. O sofá de casa foi substituído por um assento de cimento, exatamente para não ter que jogar mais móveis fora.

“A gente fica ilhado sem ter para onde ir. De vez em quando dão abrigo, mas é uma burocracia. Minha mãe já é de idade e ela foi para a casa da minha irmã. É trabalhar e pedir a Deus para ajudar. A preocupação é grande porque a terra está molhada”, afirmou.

O medo dos moradores se dá principalmente porque em 2013 a situação ficou bem complicada na região. Os muros foram praticamente cobertos pela água do Rio Santo Agostinho. Mesmo quem não perdeu nada acabou ilhado.

A comerciante Euzi Batista Alves, de 55 anos, já passou por vários problemas, mas na enchente de quatro anos atrás estava preparada. Ela morava no primeiro piso, mas construiu uma casa em cima deixando a debaixo apenas para o bar que hoje existe lá.

“Eu tenho praticamente uma casa montada, mas tudo no improviso. Nada sofisficado. Improvisei uma cozinha de fim de semana. Se vir a água eu não perco muita coisa. Eu nem desci meus freezers ainda com medo de ter que subir de uma hora para outra. Já aconteceu isso com a gente”, afirmou.

A prefeitura afirma que o único jeito de resolver o problema na região é criando uma comporta na saída do Rio Santo Agostinho para o Rio Jucu, algo que ainda depende de recursos financeiros do Governo do Estado e do Governo Federal. O secretário de desenvolvimento social do município, Ledir Porto, garante que os que são atingidos diretamente pelas chuvas são atendidos. No bairro Santo Agostinho 150 cestas básicas serão distribuídas. 

Além das 30 pessoas que estavam desalojadas ou precisaram ir para casas de parentes, outras 20 pessoas foram atingidas pelas chuvas em Viana. A prefeitura ainda contabiliza os danos, que incluem, além dos alagamentos quedas de muros, outros prejuízos em residências nos bairros.

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