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Segurança que estuprou aluna na Ufes é condenado a 4 anos de prisão

Crime ocorreu em novembro de 2015 no campus de Goiabeiras

O crime aconteceu em novembro de 2015 na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
O crime aconteceu em novembro de 2015 na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Foto: Arquivo

A Justiça condenou um segurança da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) a quatro anos de prisão por ter estuprado uma aluna do Centro de Línguas, em novembro de 2015. Na ocasião, o acusado encaminhou a jovem para um lugar escuro e cometeu atos libidinosos contra a estudante. 

De acordo com a denúncia, a aluna foi até a cantina lanchar e aguardar o horário do início da aula de espanhol, como sempre fazia. Após o lanche, a vítima sentou em um ponto um pouco mais afastado quando foi abordada pelo segurança, funcionário de uma empresa terceirizada, responsável pela segurança patrimonial da Ufes na época.

Segundo o processo, o réu, em tom de alerta, orientou que a estudante tomasse cuidado pois o local era ermo, com iluminação precária e avisou que tinha passado alguns suspeitos pelo local.

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A vítima agradeceu o alerta e caminhou em direção à sala de aula. No entanto, durante o trajeto, foi novamente abordada pelo segurança que, simulando preocupação, determinou que ela o acompanhasse, conduzindo-a para um canto escuro próximo de onde estavam. Ele a encostou na parede, como se a estivesse a escondendo, reforçando a todo momento que havia suspeitos circulando pela universidade. A vítima, angustiada em razão do suposto risco, atendeu as orientações que recebeu do segurança.

Neste momento, o acusado teria iniciado a prática de atos libidinosos, tocando a estudante de maneira lasciva. O crime aconteceu por volta de 19h40. Segundo a vítima, ela só entendeu o que estava ocorrendo após alguns segundos, quando o denunciado tentou tocar em suas partes íntimas, hora em que constatou que havia sido ludibriada e abusada sexualmente, e falou para o criminoso que parasse.

O segurança então, possivelmente com medo que a situação chamasse a atenção de outras pessoas, “interrompeu os atos libidinosos, afastando-se da vítima e, simulando comunicar-se via rádio, informou que os supostos elementos suspeitos haviam se evadido do local, dizendo à vítima que já poderia se dirigir para a aula, se retirando do local logo em seguida”.

Ainda de acordo com a decisão, a defesa negou a prática do crime, alegando que o réu não estava no local dos fatos e que fazia segurança em outra área da universidade, de onde não poderia se afastar. No entanto, a magistrada destacou, em sua sentença, que “conduziu toda a instrução probatória, estando atenta aos mínimos detalhes, de forma que pode afirmar, sem sombra de dúvidas, que o que se viu na primeira audiência de instrução e julgamento foi uma vítima absolutamente segura de suas afirmações, testemunhas, uma de acusação e uma de defesa, afirmando que existem pontos cegos no Campus da UFES e que o acusado esteve na área P4”.

De acordo com a juíza Gisele Souza de Oliveira, da 4ª Vara Criminal de Vitória, a vítima foi ouvida pelo menos nove vezes antes de ser ouvida em juízo, mantendo-se coerente e firme em todas as suas versões.

Depois do caso ter sido divulgado na mídia, a vítima foi intimada para depor na delegacia no dia 19 de novembro de 2015, quando prestou depoimento. Na ocasião, a polícia mostrou as fichas funcionais de vários funcionários da empresa terceirizada e a estudante reconheceu, sem qualquer dúvida ou hesitação, o acusado.

Além disso, segundo a sentença, o Ministério Público Estadual trouxe ao processo elementos que comprovam a materialidade e a autoria do crime, enquanto o réu “não foi capaz de comprovar qualquer excludente de ilicitude ou de culpabilidade, de comprovar a inexistência do fato e, nem mesmo, de incutir nesta Magistrada qualquer dúvida a respeito dos fatos”, concluiu a decisão.

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