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Operação Lama Cirúrgica: Há uma organização criminosa agindo no ES

É o que diz subsecretário de inteligência do Estado, José Monteiro Júnior, sobre ação de empresas que comercializam material cirúrgico descartável reutilizado

Subsecretário de Inteligência do Estado,  José Monteiro Júnior
Subsecretário de Inteligência do Estado, José Monteiro Júnior
Foto: Katilaine Chagas

O subsecretário de Inteligência do Estado, José Monteiro Júnior, afirma que existe no Espírito Santo uma quadrilha que está atuando na área médica com reutilização de produtos cirúrgicos descartáveis. “Se a gente for analisar de uma forma mais ampla, não há dúvida de que há uma organização criminosa”, disse durante coletiva sobre a segunda fase da Operação "Lama Cirúrgica", deflagrada nesta quinta-feira (18). Na primeira fase, dois empresários e um enfermeiro foram detidos na última terça-feira (16), acusados de reaproveitarem materiais cirúrgicos descartáveis.

“Nós temos uma organização criminosa, está configurada a participação de várias pessoas”, completou Monteiro Júnior. Ele acrescentou que ainda será necessário confirmar se as empresas suspeitas de venderem material reaproveitado estão trabalhando em conjunto ou isoladamente. “Cada distribuidora tem o seu grupo de pessoas, de proprietários, de intermediários que participam deste crime”, explica o subsecretário.

Na segunda fase da operação, o Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc) cumpriu dois mandados de busca e apreensão na Alfa Medical LTDA, em Bairro de Lourdes Vitória. O proprietário seria inicialmente detido, mas, por colaborar com as investigações, a Justiça converteu a prisão proibição de sair do Estado, afastamento compulsório da empresa e recolhimento de seu passaporte.

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O proprietário da Alfa Medical confessou, em entrevista preliminar, que reprocessava ilegalmente diversos produtos para saúde que deveriam ser de uso único. Segundo ele, as irregularidades aconteceram de 2012 a 2016. Ele confessou ainda que revendia à hospitais particulares os produtos reaproveitados. A prática de reutilização de produtos hospitalares descartáveis é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O Ministério Público continua investigando para descobrir quantas veze a irregularidade foi cometida.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreesão, foram recolhidos computadores, celulares, notais fiscais, documentos contábeis além de produtos hospitalares reutilizados.

O Nuroc informou que também investiga a participação de hospitais privados da Grande Vitória, além de profissionais da saúde que possam estar envolvidos nos crimes.

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