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Videomonitoramento nas ruas: uma em cada três câmeras está desligada

Equipamentos do Estado na Grande Vitória não funcionam

Câmera de videomonitoramento: em Vila Velha, mesmo instaladas, 92  unidades ainda não operam
Câmera de videomonitoramento: em Vila Velha, mesmo instaladas, 92 unidades ainda não operam
Foto: Fernando Madeira | AG

Das 521 câmeras de vídeo instaladas nos seis municípios da Grande Vitória através do programa Olho Digital, 154 não estão funcionando, o que significa que a cada três equipamentos, um permanece em desuso. O maior problema concentra-se em Vila Velha, onde 92 câmeras já instaladas ainda não entraram em operação. Enquanto isso, na mesma cidade, moradores do Morro do Moreno investiram R$ 70 mil em videomonitoramento do próprio bolso para garantir sua segurança.

Firmado há cerca de quatro anos e com um investimento da ordem de R$ 36 milhões, o Olho Digital consiste em um convênio entre a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e 19 cidades do Espírito Santo. De um lado, a Sesp é responsável pela instalação e manutenção das câmeras, além do treinamento dos efetivos. Do outro, os municípios montam suas centrais de videomonitoramento e disponibilizam a equipe para operar o sistema.

Mas ao longo dos três últimos anos, os problemas de funcionamento das câmeras vêm sendo relatados por A GAZETA. Em matéria publicada em janeiro do ano passado, a Sesp afirmou que o prazo final para eliminar as pendências seria até o fim do primeiro semestre de 2017. No entanto, em Vila Velha, por exemplo, das 100 câmeras instaladas, oito funcionam.

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“Por algum problema técnico, 92 câmeras não podem ser usadas. Às vezes até menos, pois o sinal delas, que é de rádio, falha em alguns momentos”, afirma o secretário de Prevenção, Combate à Violência e Trânsito da cidade, coronel Oberacy Emmerich Júnior. Segundo ele, a prefeitura não pode fazer a manutenção dos equipamentos, pois eles estão sob a gestão do governo estadual.

“A Sesp disse que passaria a gestão de todas as câmeras para o município de Vila Velha em 31 de dezembro do ano passado, mas adiou para março de 2018”, reclama o presidente do Conselho Metropolitano de Videomonitoramento, Fábio Barcelos.

Apesar de elogiar a qualidade das câmeras, Fábio ressalta que a falta delas compromete a prevenção e a resolução de crimes. O mais recente exemplo ocorreu na madrugada da última quarta-feira, quando assaltantes explodiram uma agência do Banco do Brasil na Avenida Santa Leopoldina, em Coqueiral de Itaparica, mas a câmera que fica em frente à agência está desativada.

Em outros municípios a situação é melhor, mas nenhum atingiu 100% de eficiência. Na Serra, das 101 câmeras instaladas, 83 funcionam, enquanto em Cariacica, 81 já operam de um total de 100. Guarapari recebeu 80 câmeras e atualmente 70 estão em uso. Já em Viana, das 40 máquinas, 32 são usadas.

Vitória também recebeu 100 câmeras, das quais 93 funcionam. Segundo o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Fronzio Calheira Mota, por estarem localizadas em zonas sombreadas, onde há dificuldade de emissão de sinal, as outras sete estão desativadas. O secretário elogia o programa. “Há alguns problemas técnicos e também vandalismo, mas o Olho Digital foi um grande investimento e tem nos ajudado a reduzir os crimes patrimoniais.”

ENTENDA

O PROGRAMA

O que é: O Programa Olho Digital trata-se de um convênio firmado em 2014 entre a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e 19 prefeituras municipais, incluindo as da Região Metropolitana.

Funcionamento: Nele, a Sesp é responsável por fornecer as câmeras de video, além do treinamento para as equipes de manutenção do sistema. Já às prefeituras, cabe montar as centrais de monitoramento e disponibilizar uma equipe operacional. A ideia é que, após fazer a manutenção das câmeras, a Sesp transfira a sua gestão para os municípios.

NÚMEROS

Em Vitória: das 100 câmeras disponibilizadas pelo programa, 93 estão funcionando. Segundo a prefeitura, as outras sete não são usadas porque estão em locais sombreados, áreas em que há dificuldade técnica para a transmissão das imagens.

Em Vila Velha: apenas oito das 100 câmeras instaladas funcionam.

Na Serra: das 101 câmeras cedidas pelo governo estadual, 83 funcionam hoje.

Em Cariacica: oitenta e uma câmeras de um total de 100 funcionam. Segundo a prefeitura, problemas podem ocorrer por queda de energia ou instabilidade de sinal, mas o retorno acontece em horas.

Em Guarapari: oitenta câmeras foram disponibilizadas e, neste momento, 70 funcionam. A prefeitura informou que, entre as demais, algumas foram quebradas por vandalismo e outras aguardam por manutenção da Sesp, mas o chamado já foi aberto.

Em Viana: foram entregues 40 câmeras, entre as quais 32 estão funcionando.

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