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Internação de vítimas de trânsito triplica no Estado em nove anos

No ano passado, foram 4.986 atendimentos em hospitais. Em 2008, houve 1.585 registros

Carro que vítima dirigia ficou destruído após bater em ônibus, em São Mateus
Carro que vítima dirigia ficou destruído após bater em ônibus, em São Mateus
Foto: Foto do leitor

Os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de internação e, no Estado, os indicadores têm aumentado ano a ano. Em uma década, o número de atendimentos em hospitais cresceu três vezes, saindo de 1.585 pessoas internadas em 2008 para 4.986, no ano passado.

Os dados, divulgados na segunda-feira (18) pelo Ministério da Saúde, foram coletados junto ao Sistema de Informações Hospitalares (SIH), apontando ainda a elevação nos gastos anuais com internação, que passaram de R$ 1,8 milhão para R$ 5,6 milhões. Embora o valor seja maior no comparativo entre os anos de 2008 e 2017, equivale a apenas 10% do que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) revela gastar com acidentados nos hospitais: uma média mensal de R$ 11 mil por cada um dos 430 acidentados.

Segundo Simone Freitas Coelho Tosi, diretora técnica do Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE) – antigo São Lucas, referência em traumas – uma vítima de acidente de trânsito, caso apresente politraumatismos, fica em média 30 dias internada. Com esse quadro, é comum que fiquem em UTIs, onde a diária é mais alta, e há maior risco de morte.

Os ferimentos mais graves são, em geral, em pessoas que estavam de moto ou foram atropeladas. “O principal trauma é ortopédico, mas o pior é que muitos ficam com sequelas”, afirma Simone Tosi.

O perfil predominante de vítimas de trânsito está na faixa de 18 a 40 anos, segundo Simone, ou seja, em idade economicamente ativa. E muitas deixam de trabalhar, ou reduzem a produtividade, em razão do acidente.

“O impacto econômico é muito maior do que esses dias de internação, além de haver o impacto social porque, muitas vezes, essa vítima vai depender de outras pessoas no seu dia a dia para o resto da vida”, ressalta Simone.

Assim como no Espírito Santo, em todo o país cresceu o número de internações por acidentes de trânsito, passando de 95.216 para 181.120 em 10 anos.

17% MENOS MORTES NAS ESTRADAS

Se o número de internações cresceu, por outro lado o Espírito Santo vem registrando menos mortes no trânsito. A pesquisa do Ministério da Saúde indica uma queda da ordem de 17%, entre 2008 e 2017.

No primeiro levantamento, o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) registrou 1.066 óbitos contra 882 (dados preliminares) no ano passado.

Mas, apesar da redução, as ocorrências continuam diárias. Na madrugada do último domingo, a advogada Franciele Barbosa Flores, 31 anos, morreu e a filha dela ficou ferida após se envolverem em um acidente em São Mateus, no Norte do Estado. O carro que Franciele dirigia bateu em um ônibus, na Rodovia Othovarino Duarte Santos, quando seguia de Guriri à sede do município.

O motorista do ônibus informou à PM que Franciele perdeu o controle da direção do veículo, invadiu a contramão e bateu.

Um dos passageiros do ônibus acionou o Corpo de Bombeiros. Mãe e filha foram encaminhadas para o Hospital Roberto Silvares, onde, segundo a PM, a advogada morreu. Após ser internada na pediatria do hospital, a filha de Franciele teve alta e está sob cuidados da avó materna.

O motorista do ônibus foi levado à Delegacia de São Mateus, que vai conduzir o caso, para prestar esclarecimentos.

CAI NÚMERO DE MOTORISTAS QUE BEBEM

Um dos fatores determinantes para acidentes de trânsito, a ingestão de bebida alcoólica antes de dirigir está menos frequente entre motoristas capixabas. É o que revela um estudo do Ministério da Saúde, que indicou queda de 49,3%, entre 2011 e 2017.

O levantamento é baseado no sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (Vigitel), uma pesquisa realizada em todas as capitais do país, por telefone, com adultos maiores de 18 anos.

Em Vitória, foram entrevistadas 2.055 pessoas (728 homens e 1.327 mulheres), entre fevereiro a dezembro do ano passado.

Em 2011, segundo o Vigitel, a frequência de motoristas que admitiram dirigir sob efeito de álcool era de 8,1%, e em 2017 caiu para 4,1%. Os homens ainda são os que mais se arriscam no Estado e, dentro desse percentual, representam 7,4% da população, enquanto as mulheres são 1,3%. No país, a situação não é diferente: os homens representam 11,7% enquanto que as mulheres são 2,5%.

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