Entrevista

"Eu não conseguia andar", diz idosa diagnosticada com malária no ES

Tereza Bela da Silva, de 82 anos, contraiu a doença em Vila Pavão, mas somente em Vila Velha teve o diagnóstico da doença

Vitor Jubini

Os dias foram difíceis para a aposentada Tereza Bela da Silva, de 82 anos, que foi diagnosticada com malária. Ela foi picada pelo mosquito na região onde mora, em Cascudo, Vila Pavão, Noroeste do Espírito Santo. Mas foi em Vila Velha que Tereza teve a confirmação da doença. A idosa se recupera no bairro Riviera da Barra, em Vila Velha.

Eu sentia muita dor nas pernas, no corpo todo. Eu não ficava em pé. Não conseguia andar. Não ficava sozinha de jeito nenhum

De acordo com a neta da aposentada, Diane Bonelar da Silva Manhães, 48, o primeiro diagnóstico da avó foi de dengue, quando foi levada para um hospital de Nova Venécia, ainda na região Noroeste do ES.

“No dia que ela passou mal em casa, graças a Deus um neto dela estava lá. Isso foi em um sábado. No domingo ele a levou para um hospital de Nova Venécia. Mas no mesmo dia falaram que ela estava com dengue e a mandaram embora. Ela foi na segunda de novo porque teve outra crise de dor, mas novamente falaram que ela estava com dengue. No fim das contas, ela ficou uns 15 dias em Nova Venécia”, contou a neta.

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Vendo a avó a passar mal de longe, Diane decidiu buscar a aposentada em Nova Venécia para cuidar dela na Grande Vitória. “Viemos para cá uma terça-feira e no mesmo dia ela teve outra crise de dor. Ela não falava, não andava, foi horrível. A levamos de ambulância para o PA da Glória.”

Diane Bonelar da Silva Manhães, de 48 anos, cuida da avó diagnosticada com malária
Diane Bonelar da Silva Manhães, de 48 anos, cuida da avó diagnosticada com malária
Foto: Vitor Jubini

Segundo Diane, na ocasião, a idosa foi medicada e liberada. Nenhum diagnóstico de malária foi mencionado no pronto-socorro. Foi apenas a partir de uma ligação de uma assistente social de Vila Pavão que a família foi informada de que Tereza estava com suspeita de malária.

“Depois eu recebi uma ligação da Prefeitura de Vila Velha e no dia seguinte um profissional da saúde chegou à minha casa, 7 horas da manhã. Ele coletou o sangue da minha avó e detectou a malária.”

Quando a vi no hospital, achei que seria o fim. Ela é tudo para mim. Graças a Deus já está bem melhor
Diane, de 48 anos, cuida da avó diagnosticada com malária

A idosa foi encaminhada para um hospital para tomar um medicamento injetável contra a doença. “Na hora que ela tomou o remédio ficou toda inchada. Comecei a gritar e chorar. Deram outro remédio e ela desinchou. Agora é só em casa. Toda semana a prefeitura vem dar um comprimido para minha avó”, explicou Diane, acrescentando que o tratamento vai durar de 60 a 90 dias.

 

 

A ENTREVISTA

O que a senhora sentia?

Eu sentia muita dor nas pernas e no corpo. Não conseguia nem ficar em pé.

A senhora se protegia dos mosquitos?

Eu usava repelente, mas quando começamos a usar o mosquito já tinha invadido.

A senhora conhece outras pessoas da sua cidade com a malária?

Tinha muita gente com dengue, com malária não tinha não. Mas agora depois do meu caso apareceram outros.

Agora, como a senhora se sente?

Estou me sentindo melhor, graças a Deus. Só a perna que está inchada, mas eu já estou andando sozinha. Minha boca também está toda ferida por dentro. Não estou achando gosto na comida não, mas to comendo porque precisa comer. Se eu não estivesse comendo, acho que não estaria viva mais não.

Quais são as recomendações do médico?

Beber bastante líquido, comer bem e fazer exercício, andar.

A senhora sempre fez tudo sozinha?

Sempre. Tenho minha casinha lá e moro sozinha. Faço minha comida, lavo minhas roupas. Agora não vou mais fazer nada. Tenho um neto que mora em Nova Venécia e ele já disse que vou morar com ele. Não vai deixar eu voltar para minha casa.

Como é sua relação com a neta que está cuidando de você?

Ela é minha mãe, minha neta, ela é tudo para mim.

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