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Protesto de rodoviários deixa trânsito lento em Vitória

A motivação seria um problema judicial nas eleições do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Espírito Santo (Sindirodoviários)

Uma manifestação de rodoviários deixou o trânsito lento nas principais avenidas de Vitória, na manhã desta terça-feira (14). A motivação seria um problema judicial nas eleições do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Espírito Santo (Sindirodoviários). De acordo com a assessoria do Sindirodoviários, a eleição teve a apuração suspensa por indícios de fraudes.

Os manifestantes seguiram em direção à sede do sindicato, que fica na Avenida Vitória. Durante o percurso, duas faixas, a do meio e da direita, no sentido Centro, ficaram bloqueadas. O fluxo estava liberado somente na faixa da esquerda.

O estudante João Vitor Santa Clara, de 18 anos, caminhou por mais de quarenta minutos do início da Reta da Penha até o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), onde estuda, após sair de dentro do ônibus. "Começou a manifestação e nem sabemos quando, porque a gente já estava preso no trânsito. Não teve como escapar. A gente ia chegar mais cedo para estudar, mas vamos chegar na hora da aula praticamente. O cidadão fica refém dessa situação", disse. 

Por volta de 9 horas da manhã o trânsito foi liberado na Avenida Vitória, mas os manifestantes continuaram em frente ao sindicato. Dentro havia seguranças patrimoniais e do lado de fora a Polícia Militar acompanhava o ato. 

> Eleições do Sindirodoviários podem ser anuladas na Justiça

IMPASSE NA JUSTIÇA 

A eleição aconteceu em julho, mas, por conta do impasse, o caso foi parar na Justiça e não teve resultado definido. O mandato da antiga gestão terminou nesta segunda-feira (7), mas ainda não há decisão de quem irá assumir.

Por isso, a chapa 3, que concorreu na última eleição, está pedindo para a Justiça resolver a situação. “Tem 30 dias que o processo está na Justiça. Já faz 30 dias que estamos aguardando. O mandato se encerrou ontem (segunda) e nós estamos sem representante da nossa categoria”, declarou Valdir Bolt, representante da Chapa 3 na manifestação. 

Manifestantes continuaram em frente ao Sindirodoviários
Manifestantes continuaram em frente ao Sindirodoviários
Foto: Kaique Dias

De acordo com Valdir, enquanto o impasse não é resolvido, o grupo pretende criar uma junta para assumir o sindicato. “Estamos aguardando para fazer uma junta que tome o sindicato, por meio de assembleia, por tempo indeterminado, até uma decisão por parte da Justiça. Estamos aguardando o posicionamento para resolver esse impasse”, declarou. 

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SINDICATO DIZ QUE ATUAL DIRETORIA CONTINUA 

De acordo o Sindirodoviários, o presidente da Chapa 3 teve a liminar cassada pela justiça, que reconheceu que ele não fazia parte do quadro de associados e, assim, não preenche os requisitos de elegibilidade previstos no estatuto do sindicato.

A advogada do Sindirodoviários, Maria Cláudia Barros Pereira, declarou que enquanto não há decisão por parte da Justiça, a atual diretoria continua no mandato, como previsto no estatuto da entidade.

“O estatuto do sindicato prevê que em caso de nulidade do processo eleitoral, o sindicato tem 90 dias para realizar um novo pleito. A atual diretoria tem mandato prorrogado por 90 dias, como previsto”, explicou.

A eleição ainda não foi anulada, mas, de acordo com a advogada, a juíza responsável pela 5ª Vara do Trabalho de Vitória pediu que as chapas dialoguem e analisem a possibilidade de um novo pleito. A tomada da diretoria por parte da Chapa 3, no entanto, não poderá acontecer porque, de acordo com ela, houve uma notificação judicial. 

“A juíza entendeu que as chapas devem se reunir para uma nova eleição. Se depender do sindicato, vamos conduzir da maneira mais cristalina possível. Vai depender das demais chapas”, declarou. 

Seguranças patrimoniais dentro do Sindicato dos Rodoviários
Seguranças patrimoniais dentro do Sindicato dos Rodoviários
Foto: Kaique Dias

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT-ES) foi procurado pela reportagem do Gazeta Online para comentar o que será feito a partir de agora. O tribunal declarou que os processos estavam na 14ª Vara Trabalhista e foram transferidos para a 5ª Vara de Vitória, pois tem relação com outros processos já existentes. A juíza responsável ainda vai analisar os processos, de acordo com o TRT-ES. 

Com informações de Eduardo Dias 

NOTA DIVULGADA PELO SINDIRODOVIÁRIOS 

"Essa manifestação não representa a categoria, mas sim um grupo isolado de 'cutistas' que relutam em aceitar que eleição teve que ser suspensa por causa de falcatruas da própria Chapa 3. Ou seja, a eleição teve a apuração suspensa por causa de vários indícios de fraudes (urnas violadas, votos duplicados, invasão da CUT na sala da Comissão Eleitoral etc). Por isso, a Comissão Eleitoral encaminhou as urnas para a delegacia para aguardar orientação da Justiça sobre o prosseguimento do processo. Portanto, ainda não há chapa vencedora. Além disso, o presidente da Chapa 3, Miguel Ferreira Leite, teve a liminar cassada (ele entrou na disputa por meio de liminar) pela Justiça que reconheceu que ele não fazia parte do quadro de associados e, com isso, não preenche os requisitos de elegibilidade previstos no estatuto do sindicato. Por isso, cabe ao sindicato e às partes envolvidas, aguardar a decisão da Justiça".

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