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Secretário diz que risco de malária chegar na Grande Vitória é inexistente

Ricardo Oliveira diz que os casos de malária no Espírito Santo "não chega nem perto do que foi a febre amarela" e explica que não há motivos para se criar um grande alarde

Secretário de Saúde fala sobre malária no ES
Secretário de Saúde fala sobre malária no ES
Foto: Rafael Silva Freitas

Com a preocupação de que os casos de pessoas contaminadas com malária no Espírito Santo gere um alerta desnecessário na população, o secretário estadual de Saúde, Ricardo Oliveira, disse que o risco da doença chegar na Grande Vitória é "inexistente".

O número de casos identificados segue aumentando. Foram diagnosticados seis novos pacientes com malária no último boletim da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), chegando a 112 pessoas infectadas, 92 na zona rural de Vila Pavão e outras 20 em Barra de São Francisco. O boletim é atualizado todos os dias, durante a noite. 

Para Oliveira, o número de casos novos deve começar a cair nos próximos dias. Ele explica que os pacientes que atestaram positivo para malária já estão sendo medicados e que a área em que a doença começou a se disseminar está controlada. A Sesa montou um “quartel general” com 25 servidores da Saúde para controlar os focos de contaminação em Vila Pavão.

A zona de risco onde a doença tem registrado mais casos é composta pelas localidades de Conceição do Quinze, Praça Rica, Córrego do Estevão, além do assentamento Três Corações, que faz divisa com Barra de São Francisco e Ecoporanga.

A chance de aparecer casos de malária na Grande Vitória é inexistente. Houve uma senhora que veio para Vila Velha, mas ela é de lá de Vila Pavão, foi picada lá. Teve a suspeita de uma criança também, mas o exame deu negativo. Estamos sendo transparentes, não estamos escondendo informação nenhuma. Esses casos não chegam nem perto do que foi a febre amarela aqui no Espírito Santo. Os casos estão isolados na zona rural de Vila Pavão. Não há motivo para se criar um grande alarde
Ricardo Oliveira, secretário de Saúde

Oliveira conversou nesta sexta-feira (10) com o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, que colocou o Governo Federal à disposição para ajudar no combate da malária no Espírito Santo. Nesta manhã, o Espírito Santo recebeu 20 kits com 500 testes rápidos de malária, além de 3.390 comprimidos e 1.199 frascos de medicamentos injetáveis.

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O secretário pontuou que o mosquito transmissor da doença, da espécie Anopheles, também conhecido como mosquito-prego, vive apenas em ambientes silvestres e que não é encontrado em áreas urbanas. Ele orienta que as pessoas que estiverem ou forem para essas regiões de Vila Pavão, que usem camisas de manga comprida e repelentes contra mosquitos.

Para a secretaria de Saúde, a hipótese mais provável para a doença ter voltado a aparecer no Espírito Santo é o fluxo de pessoas entre Vila Pavão e o Estado de Rondônia, onde os casos de malária são mais comuns. No entanto, o secretário descarta a necessidade de se criar qualquer tipo de “barreira” ou medida preventiva em rodoviárias ou no aeroporto.

“Não vejo razões para isso. É claro que, enquanto tiver lâminas (testes) positivos da doença, ainda haverá algum tipo de risco e vamos estar mais focados a combater. Mas destaco que começamos a atuar logo no início dos casos e estamos conseguindo controlar, evitando que a malária possa se espalhar por todo o Estado. Não há motivo para pânico”, pontua.

ENTREVISTA - RICARDO DE OLIVEIRA, SECRETÁRIO DE SAÚDE

O surto de malária no Noroeste do Estado está sendo controlado?

Com certeza, tivemos notícia ontem de que pela primeira vez os números de casos novos reduziram. Nossa expectativa é de que este número estacione e comece a cair, estamos trabalhando para isso.

De que forma o governo do estado está trabalhando?

São duas ações importantes. Uma é eliminar o mosquito, borrifando as casas que ficam nessas regiões mais afetadas. A outra é identificar as pessoas que nem manifestaram os sintomas da doença ainda, mas, por estarem nas áreas de risco, possam ter sido picadas. Para esse diagnóstico, estamos com uma estrutura grande de laboratório em Vila Pavão para fazer exames rápidos e exames mais complexos. O objetivo é tratar essas pessoas o quanto antes e evitar que elas possam ajudar a transmitir essa doença para outros lugares. 

Existe o risco da malária gerar um surto tão grande quanto foi o da febre amarela aqui no Estado?

O risco de chegar em Vitória é praticamente inexistente. Primeiro porque o tipo de mosquito que transmite a malária não circula em Vitória. É um mosquito de áreas rurais. De qualquer forma, a estratégia nossa é conter esse surto em Vila Pavão, a área de risco não é nem na cidade toda, é em uma comunidade rural de Vila Pavão. Estamos fazendo esse combate lá. Não temos nenhuma expectativa que esse surto de malária saia de onde ele está.

Há alguma medida sendo pensada em rodoviárias e aeroportos com pessoas que chegam de Vila Valério e até do Norte do país, onde estes casos de malária são mais comuns?

Não tomamos nenhuma medida desse tipo. Não há necessidade. Até porque nossa estratégia é conter a malária naquela comunidade. Não se pode fazer alardes. A todo momento surge uma suspeita, tem circulado informações de pessoas que supostamente estariam contaminadas em outras cidades do Estado, mas ao fazer o exame, constatamos que não era malária. É preciso comprovar primeiro, não se pode tornar essas suspeitas em um grande problema para a opinião pública. Se não, isso provoca um outro problema maior.

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