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A cada dois dias, uma pessoa comete suicídio no Espírito Santo

Dados foram divulgados durante coletiva de imprensa para anunciar a instalação de uma barreira de proteção na Terceira Ponte

Terceira Ponte: 48 tentativas de suicídio foram registradas este ano; 45 vidas foram salvas graças ao trabalho de resgate de policiais e bombeiros
Terceira Ponte: 48 tentativas de suicídio foram registradas este ano; 45 vidas foram salvas graças ao trabalho de resgate de policiais e bombeiros
Foto: Reprodução | Whatsapp

Dados divulgados pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Espírito Santo (Arsp) na manhã desta terça-feira (11) revelam que 184 pessoas cometeram suicídio no ano passado em todo o Estado, uma média de uma morte a cada dois dias. A divulgação desses dados ocorreu durante o anúncio de que a Terceira Ponte terá uma barreira de proteção para aumentar a segurança no local. A novidade é dada um dia após a Terceira Ponte ficar bloqueada por oito horas para uma operação de resgate que foi finalizada com sucesso. 

As estatísticas divulgadas na coletiva de imprensa mostram que das 184 vítimas em todo o ES no ano passado, nove ocorrências foram na Terceira Ponte. A via, que é a principal ligação entre as cidades de Vitória e Vila Velha, registrou 48 tentativas de suicídio este ano. Destas, 45 vidas foram salvas graças aos trabalhos de resgate feitos na ponte.

 

> A importância de identificar o tipo de suicida durante o resgate

TERCEIRA PONTE VAI GANHAR BARREIRA DE PROTEÇÃO

A Arsp afirmou na manhã desta terça (11) que o Governo do Estado vai assumir a discussão sobre a implantação da barreira de proteção contra suicídio na Terceira Ponte. A ideia é que o Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito Santo (DER-ES) abra um processo de licitação para contratar a empresa responsável por instalar a estrutura de proteção e que a execução do serviço comece até o final do ano. Antes disso, já na próxima segunda-feira (17), uma consulta pública será aberta para que a população possa discutir as soluções.

SUICÍDIOS NO BRASIL

No Brasil, há um suicídio a cada 45 minutos. No mundo, há uma tentativa a cada três segundos e um suicídio a cada 40 segundos. No total, chega-se a 1 milhão de suicídios no planeta.

Pelos dados da OMS, o suicídio é a terceira maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, e a sétima entre crianças de 10 a 14 anos de idade.

SETEMBRO AMARELO

Na última segunda-feira (10) foi comemorado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Como forma de conscientizar sobre a importância da prevenção foi criado em todo o mundo o Setembro Amarelo. Vários monumentos são iluminados com essa cor no país.

A campanha é realizada Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria, além do Centro de Valorização da Vida. O coordenador nacional do Setembro Amarelo, Antônio Geraldo da Silva, da Associação Brasileira de Psiquiatria fala da mobilização. “O setembro Amarelo é extremamente importante para a nossa situação atual, porque a gente não suporta mais tanta gente morrendo, uma tragédia tão grande, sendo que, nós sabemos, 90 por cento dos casos podem ser prevenidos. “

CAUSAS 

Entre as principais causas que levam uma pessoa a acabar com a própria vida estão problemas como depressão, abuso de drogas e situações que despertam forte carga emocional, como o fim de um relacionamento amoroso ou a perda de um emprego.

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A psicóloga Célia Maria Teixeira alerta sobre os mitos que devem ser esclarecidos quando o assunto é suicídio. “A gente chama de mitos, por exemplo, quem fala muito não vai fazer. Quem fala muito está dando um sinal. Fez uma tentativa, não vai repetir isso mais, já passou por um sufoco. Não; tem que se ter cuidado. Outro: não posso perguntar, parece que está pensando em morrer, mas enfim, não posso perguntar porque parece que estou induzindo a pessoa a pensar mais nisso. Não; perguntar de forma adequada, isso muitas vezes pode dar um alívio para ela conseguir falar de algo que a estava atormentando”.

PROCURE POR AJUDA

Lucinaura Borges, presidente do Instituto Bia Dote destaca a importância dos familiares das vítimas de suicídio também procurarem ajuda. “Os familiares que passam por uma situação de suicídio, são consideradas pessoas sobreviventes de suicídio, essas pessoas não devem se envergonhar porque um ente querido faleceu por suicídio, mas buscar ajuda, processar o seu luto, porque um processo de luto já difícil e de luto por suicídio muito mais”.

A ajuda pode ser procurada com profissionais, nos serviços de saúde, em emergências como o Samu, no Centro de Valorização da Vida no 188, disponível em todo o país. A preocupação com o suicídio faz com que muitas iniciativas de prevenção estejam sendo adotadas por escolas, universidades e empresas.

 

 

 

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